PUBLICIDADE
Mais Esportes
NOTÍCIA

Maratona Aquática: cearenses conquistam vaga para participar da travessia do Canal da Mancha

Parceiros de treino, Rodrigo Barroso e Afonso Quintas Colares acabaram de carimbar vaga para disputar a prova nobre das maratonas aquáticas mundial.

Bruno Balacó
18:30 | 09/03/2020
Rodrigo (esquerda) e Afonso são parceiros de treinos e com vasta experiências em provas aquáticas de longa distância
Rodrigo (esquerda) e Afonso são parceiros de treinos e com vasta experiências em provas aquáticas de longa distância (Foto: Arquivo Pessoal )

Se no futebol o sonho de todo jogador é disputar uma Copa do Mundo, para um nadador de águas de longas distâncias a principal conquista a ser almejada é a chance de participar da travessia do Canal da Mancha, considerado o percurso mais nobre da maratona aquática, que desafia homens e mulheres há quase 250 anos.

A honraria de percorrer os 35 km entre o estreito de Dover, na Inglaterra, e o cabo Gris Nez, na França, acaba de se tornar uma realidade para dois cearenses, Rodrigo Barroso e Afonso Quintas Colares. A dupla obteve a aprovação por uma das associações do Canal da Mancha para participar da travessia em 2022. O processo de seleção envolveu uma escolha criteriosa baseada no currículo dos dois atletas, que contam com um histórico de participação nas principais maratonas aquáticas da atualidade. Em entrevista ao Esportes O POVO, os dois ultramaratonistas, que treinam juntos, contaram como estão se preparando para o grande desafio de suas carreiras.

Para Rodrigo, a chance de participar da travessia do Canal da Mancha é a concretização de uma caminhada de 27 anos de paixão por esportes aquáticos. “Comecei a competir aos nove anos. Primeiro, em competições de piscina, depois participei de competições de maratona aquática. Em 2016, comecei com esse projeto de longas distâncias. É um sonho que se realiza, porque sei do peso dessa travessia, que envolve competidores do mundo inteiro, que tentam conquistar o direito de disputar essa travessia”, contou Rodrigo, que tem 36 anos e tem uma rotina de treinos puxados. “Durante a semana, treino na piscina da Academia da Hedla Lopes. Nos fins de semana, treino no Náutico. Quando as condições são propícias, fazemos travessias no Aterro da Praia de Iracema”, conta.

Apesar de não ser um nadador de longa data, Afonso tem um histórico de participação com destaque nas três principais provas de maratona aquática do País: Leme ao Pontal, Amazon Challenge e Lago Paranoá, que são travessias de mais de 30 km. “Minha história com o nado é recente, de uma década pra cá. Eu era corredor de rua. Daí tive uma lesão no tendão de Aquiles e fui para a natação, tentar me curar. Fui me envolvendo e se tornou uma grande paixão. Treino de terça a domingo no Náutico e dia de segunda tiro uma folga da piscina e vou para o Aterro, nadar no mar. Agora, meu maior sonho é essa prova do Canal da Mancha, que é como se fosse o Everest da natação”, disse o nadador, que está prestes a completar 60 anos.

Afonso lembra que tanto ele quanto Rodrigo terão um enorme desafio pela frente, competindo no Canal da Mancha: as condições climáticas do percurso. “A água costuma ficar em torno de 18 graus, que é bem abaixo da que costumam encarar quando treinamos em águas abertas aqui no Ceará. A água é gelada. Tem ainda a questão das correntezas, que são um obstáculo a mais. Tem que ficar atento a alguns sinais de que não está entrando em hipotermia. É preciso muito cuidado, porque é uma prova muito desafiadora”, relata.

EM BUSCA DE APOIO

Além das condições climáticas adversas, Rodrigo e Afonso terão que encarar, a partir de agora, um obstáculo a mais: a busca de recursos para viabilizar a participação da dupla na Travessia no Canal da Mancha. A previsão de orçamento para competir na prova gira em torno de R$ 40 mil, segundo calcularam. “Conquistar a vaga já foi uma grande vitória. Agora vamos começar a outra batalha, que é partir em busca de patrocínios e apoiadores”, resume Rodrigo.

Afonso lembra que cerca de 50% do orçamento é destinado ao pagamento de uma equipe de suporte, que fica em um barco acompanhando o percurso dos atletas, sendo responsável pela hidratação e alimentação dos ultramaratonistas.