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Futuro no Santos, apoio a Braz e superstição: Lucas Veríssimo abre o jogo

Lucas Veríssimo tem 22 anos e 87 jogos como jogador profissional do Santos desde janeiro de 2016. A postura dentro e fora de campo, porém, é de um zagueiro veterano atuando no Peixe há muito mais tempo. Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, mas, com o perdão ao jornalista e escritor, é difícil [?]

06:00 | 07/03/2018

Lucas Veríssimo tem 22 anos e 87 jogos como jogador profissional do Santos desde janeiro de 2016. A postura dentro e fora de campo, porém, é de um zagueiro veterano atuando no Peixe há muito mais tempo.

Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, mas, com o perdão ao jornalista e escritor, é difícil achar críticas de torcedores ao defensor revelado nas categorias de base do alvinegro.

Veríssimo é titular absoluto, dá demonstrações de liderança dentro do elenco e ficou perto de ser negociado com o Spartak Moscou-RUS neste ano. Em entrevista à Gazeta Esportiva, o santista falou sobre a sua afirmação, projetou o futuro, revelou uma superstição curiosa e muito mais. Veja abaixo, na íntegra.

Gazeta Esportiva: Você começou a jogar em 2016, quando era desconhecido. Se aproveitou de lesões e suspensões para sempre ter uma vaguinha em campo. E quando tudo parecia perdido, depois do amistoso contra o Benfica, conseguiu se recuperar e hoje é titular absoluto. Você se sente um predestinado?

Lucas Veríssimo: Eu aprendi com minha família a nunca desistir. As coisas nunca foram fáceis. Nunca deixei de trabalhar e ir atrás do meu sonho. Tudo isso acabou se realizando, concretizando, conforme os planos de Deus. Fiz o que eu vinha fazendo desde a base e as coisas aconteceram naturalmente.

GE: Em 2018, você tem sido uma espécie de amuleto na defesa. Em seis jogos, são cinco vitórias e uma derrota, a única na Libertadores, contra o Real Garcilaso. Com apenas três gols sofridos nesse período?

LV: Que continue assim. Não me vejo como amuleto, mas que seja assim, com números bons, poucos gols sofridos, invencibilidade, equipe vencendo? Se vencermos enquanto eu for considerado amuleto, está ótimo.

GE: Você tem alguma superstição?

LV: Meu pai me pediu lá atrás, ainda na base, para pegar um pouco da grama e colocar no calção. Faço isso em todos os jogos desde que subi para o elenco profissional (risos).

GE: Você passou por momentos ruins e hoje é titular absoluto. E ao olhar para o lado, vê Gustavo Henrique, Luiz Felipe, Robson Bambu e Cleber Reis brigando por uma vaga com você ou com David Braz. É uma motivação a mais para se dedicar 100% em cada treinamento?

LV: Assim como eu não vinha jogando lá atrás, eles não têm sequência grande, mas trabalham pelo espaço. E aguardam oportunidade. E vão ter uma hora. Eu vou seguir trabalhando para manter meu espaço. Acredito que eu tenha sido regular, em alto rendimento. É continuar nesse ritmo. Para jogar no Santos é assim. Se diminuir e achar que está bem, vem outro melhor.

GE: Você falou em atuar em alto nível e ser regular. Essa boa fase te fez quase jogar no Spartak Moscou-RUS. O negócio frustrado e a permanência fazem com que você repense seu futuro e tenha mais paciência para fazer história no Santos e poder ir à Europa para atuar em um grande clube?

LV: Eu nunca escondi meu sonho de jogar no futebol europeu. Foi importante ser procurado, é um gás a mais. Há equipes muito mais conhecidas e nome maior, times que almejamos, mas tenho que trabalhar pensando no Santos. Temos Libertadores, algo que eu sempre sonhei em jogar e conquistar. Penso no Santos e em dar o melhor nesse clube.

GE: É difícil falar em escolher um grande clube na Europa, mas quais seriam os países preferidos?

LV: Acompanho muito o Campeonato Inglês. É muito competitivo, eu gosto disso. Campeonato Italiano eu acompanho bastante também. Setor defensivo é muito explorado. Embora eu goste, não é querer jogar lá. Lucas Veríssimo quer jogar em um grande clube, como apareceu o Spartak, e eu estarei à disposição. Não tenho essa de escolher, não.

GE: Agora falando mais do Santos, a equipe vinha bem e perdeu para o Real Garcilaso. O que houve? A altitude foi tão determinante assim?

LV: Pela programação e regra da Conmebol, a situação piorou. Não senti muito em La Paz (empate em 1 a 1, contra o The Strongest, em 2017). Eu não senti, mas o Ricardo Oliveira passou malzão, ficou amarelo. Dava medo de olhar para ele. E dessa vez (em Cusco), a maioria do time sentiu. Cansaço maior? E ainda assim fizemos boa partida. Mantivemos a posse de bola, trabalhamos, faltou criar oportunidades. No dia do jogo, tomei três remédios para dor de cabeça. A partir da noite, comecei a sentir. Quando acordei, senti de novo. Depois também. Não sei se é psicológico, todos falam. Eu senti muito. São coisas bestas que atrapalham. Durante o jogo, é mais tempo de bola, bola é mais veloz. Erramos uns cinco domínios bobos, que não estamos acostumados, por exemplo. Como não treinamos lá, é difícil de acostumar. Vínhamos em uma crescente e esperávamos ganhar, mas foi o contrário. Conseguimos jogar, fomos para cima, criamos duas oportunidades claras. Quando criamos, temos que fazer. Eles estão acostumados e usam da bola parada, chutes de longe?

GE: Com Campeonato Paulista e Libertadores, Jair está naquele momento de dilema entre poupar titulares e pensar no ritmo de jogo. Como está a situação física do elenco? 

LV: Desgaste é enorme. Todos sentimos. Preparador físico precisou chamar alguém, subir escada, e sentiu, por exemplo. A altitude complica muito. E era semana de clássico, dois jogos importantíssimos. Cansa mesmo. Fomos para Lima, depois Cusco, viagem de volta, jogo no fim de semana, jogo agora? A gente vem trabalhando pouco em campo, é mais lá dentro pela recuperação. Temos que superar, absorver, recuperar rápido e vamos para cima. Não tem que ser desculpa de altitude e viagem. Temos que ganhar.

GE: Você foi titular da Libertadores em 2017 no ano da sua primeira competição continental. O que diz aos atletas que agora vivem a mesma situação que você?

LV: Libertadores tem algo a mais. Dá para sentir no jogo, até na preparação. Tem que dar o máximo, correr o dobro, dar carrinho de cabeça se precisar. Rodrygo estreou na Libertadores, sentiu isso. É gostoso. Eu gosto muito e realizei esse sonho. Hoje jogo de novo. Espero que briguemos pelo título. Esse grupo merece.

GE: O que a eliminação para o Barcelona de Guayaquil em 2017 ensinou ao Santos?

LV: É uma eliminação que ainda dói. Nossa equipe vinha muito bem. Estratégia dando certo? Foi um dia que nada deu certo, bola não entrou e eles foram lá e fizeram o gol numa bola. Coisas que acontecem. Mas é passado. Começou um novo ano. Iniciamos mal, mas sabemos que podemos ir longe. Temos que pensar no futuro para vencermos.

GE: Você vai para o terceiro ano de Santos e a gente imagina que o jogador consiga sentir quando o elenco está preparado e pode buscar títulos. Qual a sua sensação atual?

LV: Eu, Lucas Veríssimo, sinto que vamos ganhar títulos desde que o Jair assumiu e começou a implantar o trabalho e o grupo colheu a metodologia. Aí eu vi que a gente pode chegar. Não tenho dúvidas disso. Elenco já era bom, teve bons reforços, pessoas que jogam em grande nível. Tem Sasha, Bruno Henrique voltando, Vanderlei em grande fase, defensores bem, Gabigol bem? Equipe está bem, cara. Sabemos que equipe pode chegar longe. Acredito que o Santos vai brigar para ser campeão em todas as competições.

GE: Você, dentre os mais novos, é quem apresenta perfil de liderança. É possível imaginar Lucas Veríssimo capitão do Santos?

LV: Eu procuro conversar com todos, mesmo sendo ninguém para dar conselhos, sou um menino. Não me considero capitão, mas todos precisam se considerar líder, se impor, ajudar. Não é um ou dois, são todos. Se todos tivermos essa mentalidade, grupo tem muito a ganhar.

GE: Seu companheiro de defesa, David Braz, é capitão, mas possui um grupo de haters que, independentemente de como ele jogue, vão criticá-lo. Não me parece a maioria da torcida, mas é um grupo que fala forte e quer Gustavo Veríssimo ou Luiz Felipe do seu lado. Como você enxerga isso?

LV: Eu acho uma cobrança às vezes desnecessária. Não entendo. Ele vem fazendo ótimas partidas, é um dos líderes. Não sei o motivo de pegarem no pé. Ele vive grande defesa, fez bons jogos, ajudando. Ao invés de cobrarem, deveriam apoiar mais. Dão mais confiança e isso só agrega ao Santos. Todos querem que o Santos fique bem.

Gazeta Esportiva

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