"El Gato" da torcida do Fortaleza conta rotina como comerciante e promete tatuagem para Marcelo Paz

Após viralizar comemorando os gols de Juan Martín Lucero – com quem divide apelido – nas arquibancadas do Castelão, o ilustre torcedor detalhou ao O POVO a sua vida fora do estádio

Uma máscara de gato e um marcador permanente transformam Paulo Tomaz no “El Gato” da torcida do Fortaleza. Após viralizar nas redes sociais comemorando os gols de Juan Martín Lucero – com quem divide apelido – nas arquibancadas do Castelão, o ilustre torcedor detalhou ao O POVO a sua vida fora do estádio, o amor pelo Fortaleza e relação com a filha. Além disso, prometeu fazer uma tatuagem em homenagem a Marcelo Paz, CEO da SAF do Leão do Pici.

Morador da “linda Barra do Ceará”, como descreve, Paulo tem 37 anos, trabalha como comerciante em uma feira na Beira Mar e dedica seus dias ao bem estar de sua filha, a pequena Hadassa, carinhosamente apelidada pelo pai de “El Gatita”, que lhe acompanha em todas as brincadeiras, e de sua esposa Cinthya, que é “mais centrada e aguenta as molecagens”.

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Pelo Tricolor, Paulo tem uma paixão permanente, mas ainda mais forte do que o marcador que usa para tingir “El Gato 9”, em azul, no próprio corpo. Este, ele conta que apaga em três longos dias, mesmo dando trabalho.

Por outro lado, seu amor pelo Fortaleza dificilmente deixaria de ser marcante. “O pincel marca a pele, o Fortaleza o coração”, detalha.

“O Fortaleza vai além de tudo em que eu possa me divertir e ser feliz. Eu não bebo bebidas alcoólicas, não ando em festas ou bares e não sou muito de sair em fins de semana, somente o Fortaleza me atrai para entretenimento e diversão”, contou.

Início da brincadeira e idolatria pelo camisa 9 tricolor

O momento viral flagrado pelas câmeras que tornou Paulo um personagem inusitado surgiu por acaso, mas iniciou com uma meta: a verdadeira intenção não era chamar a atenção dos torcedores que assistiam, mas sim do artilheiro Juan Martín Lucero. Segundo o personagem, ele só queria ser visto para ganhar uma camisa do argentino.

“O primeiro jogo que fui com a máscara, foi o primeiro jogo da final do Nordestão contra o CRB. A motivação foi tentar ganhar uma camisa do Lucero. Levei a máscara e pensei várias vezes em não colocar no rosto depois que cheguei ao estádio”, explicou.

“Na verdade, foi tudo de improviso. Eu já estava arrumado, aí comprei a máscara em homenagem ao Lucero. Resolvi levar para a final e, de improviso, também pintei a pele com seu nome. Minha inspiração foi nas crianças, em época de Copa do Mundo, quando pintam as sacolas plásticas com nome dos ídolos fazendo camisas improvisadas”, finalizou.

“El Gato” das arquibancadas contou ainda que ninguém que estava com ele viu até o dia seguinte, quando as imagens do jogo repercutiram. No caminho para sua casa, só percebeu um número alto de mensagens chegando, quase travando o dispositivo, até perceber que tinha viralizado.

Tomaz utiliza a mesma máscara em todos os jogos, e diz que já teve que fazer alguns retoques com fitas para mantê-la. No corpo, utiliza um marcador temporário “de marcar CD’s”, como define. 

Dupla musical com a “El Gatita” e carinho das crianças

Se Juan Martín Lucero forma uma bela dupla, em campo, com Tomás Pochettino, fora dele, uma outra dupla tricolor mantém uma sintonia ainda maior. O “El Gato” das arquibancadas acorda cedo todos os dias por um motivo: brincar com a “El Gatita”. A programação costuma ser diversa, mas uma, em especial, é marcante entre pai e filha.

A pequena Hadassa tem apenas dois anos e sete meses, mas já acorda em busca de seus acessórios favoritos: um microfone e um violão de brinquedo, – revezados entre a dupla –, são o suficiente para acordar boa parte da vizinhança na Barra do Ceará. Como artista completa que é, "El Gatita" ainda performa as coreografias por gostar muito de dançar.

Depois do festival, – exclusivo entre eles –, Hadassa sobe nas costas do pai e lhe chama para brincar de boneca. “A gente brinca todo dia com os brinquedos dela. Ela sempre me chama para brincar com as Barbies. Eu nem penso, vou na hora”, contou o pai, esbanjando alegria por orgulho da filha.

“O que eu mais gosto de fazer nas horas vagas é brincar com a minha filha, ela gosta muito de brincar comigo. Quando folgo do trabalho [pela noite], levo ela até a pracinha para brincar sempre que posso. Faço tudo por ela, sempre fico orgulhoso vendo ela sempre puxando para o meu lado da molecagem, pois a mãe dela já é bem séria e retraída”, finalizou.

Paulo explica ainda que o personagem que criou faz muito sucesso entre as crianças no estádio e nos arredores. O torcedor frequentemente é parado para fotos por outros tricolores. 

"El Gato" lembra de um trecho de uma das músicas das torcidas do Fortaleza, que diz: “Se daqui eu for, vai vir outro por mim”, ao falar de gerações de torcedores.

Vendedor de pijamas que carrega o sonho de uma casa própria

Depois das brincadeiras pela manhã, Paulo leva sua filha para a escola no turno da tarde. Ao voltar, trilha seu caminho para a avenida Beira Mar, onde trabalha vendendo roupas para dormir. O pai do ilustre torcedor tem um box no local, bem no final da feirinha.

Paulo, que já trabalhava com ele há alguns anos, assumiu as vendas por conta da idade avançada de seu pai. “Eu resolvi assumir junto com ele, todo santo dia estou por lá. Trabalhando com venda de pijamas”, contou.

O sucesso dos vídeos nas redes sociais, após seu personagem repercutir, tem levado uma nova perspectiva para o torcedor, que vem aumentando a produção para buscar cada vez mais engajamento. Além do sonho de ver o Fortaleza campeão brasileiro, o desejo de conquistar a casa próprio é a principal meta de Paulo.

Ainda que a maior parte dos brasileiros (64,6%) viva em imóveis próprios e já quitados – segundo a última atualização do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022 – a proporção de pessoas com imóveis alugados – que é o caso de Paulo Tomaz – cresceu entre 2016 e 2022, passando de 17,3% para 20,2% no período.

“Eu não vejo a hora de ter minha casa própria, pois ainda moro de aluguel. É o meu maior sonho. Trabalho na feira e a minha esposa [Cinthya] sai cedinho para trabalhar como empregada doméstica. Por isso, fico brincando com minha filha [Hadassa] até a hora dela ir para a escola, depois vou trabalhar”, detalhou.

Em seu local de vendas, o personagem já faz sucesso entre os colegas tricolores e até mesmo entre os alvinegros. "Muitas pessoas já se divertem chamando de ‘El Gato’, já me reconhecem como o personagem e brincam comigo falando que estou famoso."

Declaração de amor ao Fortaleza e tatuagem para Marcelo Paz

Paulo Tomaz foi o único entre seus irmãos que se apaixonou pelo futebol. Na verdade, até ele mesmo duvida se seu amor envolve o próprio futebol ou, essencialmente, o vermelho-azul-e-branco do Leão do Pici. Assim como marca a pele em tinta, marcou o Fortaleza em sua alma. Contudo, uma outra marcação deve surgir em breve: grato pelos feitos de Marcelo Paz, CEO da SAF do Fortaleza, o torcedor pretende fazer uma tatuagem como forma de homenagem.

“Loucura [pelo Fortaleza] eu ainda não fiz, mas pretendo fazer uma tatuagem para o maior presidente da nossa história, Marcelo Paz, em breve. Penso em fazer uma silhueta com alguma imagem que caracterize ele de imediato, ou até mesmo só a sua assinatura com uma gravura remetente ao clube”, explicou.

Levando o Tricolor como um dos amores de sua vida, Paulo Tomaz descreve suas idas ao Castelão como seu momento exclusivo de diversão. Seja nos momentos bons ou nos ruins, o torcedor se sente acolhido pela torcida do Fortaleza. Uma paixão regada desde a infância.

“Depois que minha filha nasceu, eu larguei tudo entre bebidas ou festas, pois tento me dedicar a ela e ser o melhor exemplo que conseguir. O Fortaleza supre tudo que eu preciso quando o assunto é me divertir e me sentir bem”, disse.

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