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Mergulhado em crise: entenda o momento do Independiente, rival do Fortaleza na Sul-Americana

Esportes O POVO conversou com o comentarista Lucho Silveira, do canal DAZN, para saber mais do cenário indigesto vivido pelo Rey de Copas

13:29 | 10/02/2020
O atacante Silvio Romero é o atual artilheiro da Superliga Argentina, com nove gols
O atacante Silvio Romero é o atual artilheiro da Superliga Argentina, com nove gols (Foto: Juan Mabromata / AFP)

O Independiente viveu um dos capítulos mais dolorosos de sua temporada no último domingo, 9. Em duelo contra o rival Racing, o Rojo foi derrotado por 1 a 0 com um gol aos 41 minutos do segundo tempo, enquanto tinha dois jogadores a mais em campo. O revés pelo Campeonato Argentino é só mais um elemento negativo na profunda crise que vive o adversário do Fortaleza na primeira fase da Copa Sul-Americana.

Esportes O POVO conversou com o jornalista Lucho Silveira, do canal DAZN, para entender o momento vivido pelo maior campeão da história da Libertadores e bicampeão da Sula. Para o comentarista, a derrota para o rival é só mais um ponto que se soma a muitos outros para fazer desta uma das piores temporadas do Independiente nos últimos anos.

Técnico balança no cargo

O Rey de Copas começou o ano passado de forma otimista. Comandado pelo promissor Sebástian Becacecce, o clube de Avellaneda trouxe vários atletas e apostou suas fichas na continuidade do modelo de jogo do treinador. Não foi o que aconteceu: “O clube contratou uma porção de jogadores e está tentando se livrar deles porque não se encaixaram. A consequência tem sido dramática para o Independiente, que não corre risco de rebaixamento, mas que viveu uma temporada muito distante do que era projetado”, analisa Lucho.

Para sanar o problema, o Rojo foi contratando e dispensando treinadores até chegar em Lucas Pusineri, atual comandante. Em quatro jogos, o técnico enfrentou River Plate, Boca Júniors, Rosario Central e Racing, com duas derrotas, um empate e uma vitória. Resultados considerados relativamente “aceitáveis”, levando em consideração o tamanho e a competitividade dos adversários e o momento vivido pelo clube. Mas com a pressão por resultados cada vez maior, Pusineri começa a ficar ameaçado no cargo. Mesmo com apenas quatro jogos.

“Eu começo a questionar a permanência do Pusineri no comando. Pode ser loucura, mas não se pode duvidar. Creio que os dois jogos contra o Fortaleza vão dizer o que vai ser do futuro do treinador, que chegou agora, que é identificado com a camisa, foi atleta e campeão, mas em cima dessa arrancada ruim de 2020 e uma possibilidade de eliminação na Sul-Americana, dificilmente sustentaria o treinador do cargo”, opina Lucho.

O comentarista do DAZN acredita que existe uma disputa de poder nos bastidores do Rojo, comandado por jogadores mais experientes no clube: “Ele (Pusineri) pegou essa herança do Becacecce, de jogadores que foram contratados para um modelo de jogo diferente do dele. Ele ainda tem um resquício do elenco campeão (da Sul-Americana, em 2017), que comanda o vestiário: Campaña, Gastón Silva, Martín Benitez, Sanchez Miño, Alan Franco. Caras que foram campeões, mas se acomodaram e hoje comandam o vestiário”.

Racing e o fator rivalidade

Assim como no futebol brasileiro a rivalidade dita a forma como as equipes reagem ao sucesso dos adversários, na Argentina não seria nada diferente. Enquanto vive um momento ruim dentro e fora de campo, o Independiente assiste ao rival Racing conquistar resultados e se reorganizar. A derrota de domingo foi só a cereja do bolo de um relação que começa a ficar cada vez mais incômoda para o Rojo.

“A rivalidade tem peso, ela costuma desequilibrar a balança. O Racing foi campeão recentemente, está na Libertadores, vive dias de tranquilidade na parte econômica. Então, isso acaba refletindo no ambiente do outro lado. Enquanto um clube navega em águas mais calmas, o outro vive uma tempestade já há algum tempo”, avalia Lucho Silveira. Enquanto via o Rojo levantar a Sul-Americana em 2017, La Academia foi lentamente organizando suas finanças e voltando a revelar jogadores. Hoje, está um patamar acima do rival, o que causa um incômodo bastante significativo.

Trunfos do Fortaleza

As torcidas da Argentina costumam ser bastante elogiadas pelo seu “apoio incondicional” aos times. Mas esse apoio pode se reverter em uma pressão igualmente intensa, principalmente no momento vivido pelo Independiente. “O torcedor vai apoiar, mesmo no momento difícil, vai estar junto, mas vai cobrar de maneira diferente. A gente viu recentemente alguns jogadores tendo dificuldade porque eram vaiados, e isso pode acontecer na medida do que o Fortaleza vai fazer nessa Sul-Americana”, diz o comentarista da DAZN.

Por conta de todos esses fatores, a torcida vê o tricampeonato da Sula como uma obrigação para o clube de Avellaneda. Mas como o Fortaleza pode tirar proveito de toda esse cenários? “Se o Independiente não avançar, muita coisa pode acontecer por lá. Então, o Fortaleza pode jogar com esse aspecto, potencializar o nervosismo tendo a posse, encarando, machucando o adversário, e fazendo com que o apoio incondicional se torne uma pressão terrível para os jogadores do lado de lá”, analisa Lucho.

Mas os resultados ruins não indicam que o Independiente não tenha qualidade individual para reverter a situação adversa. Lucho Silveira cita o lateral direito Bustos, o goleiro Martín Campaña e o atacante Silvio Romero, artilheiro do Campeonato Argentino com 11 gols, como destaques da equipe. “É um time que tem condições de dar a volta, mas não está conseguindo. Estão muito abalados, vamos ver que reflexo terá o resultado contra o Racing, em um jogos que eles tinham dois a mais, atuavam na casa do adversário, tomaram o gol, perderam e foram pra casa mergulhados numa crise”.

Todo esse panorama aumenta muito a pressão em cima do Rojo, mas também pode potencializar uma virada de chave que o time precisa para voltar a vencer e dar uma resposta à torcida. Por outro lado, talvez seja o território perfeito para que o Leão apronte e afunde ainda mais o adversário em um momento terrível: “O Fortaleza vai poder aumentar o volume dessa crise com um futebol inteligente lá na Argentina. É bom ter cuidado, porque é um clube ferido, mas pode tomar uma sapatada final da equipe do Rogério Ceni”.

Escute o novo episódio do Futcast:

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