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NOTÍCIA

Boa mobilidade e altura a seu favor: um Raio-X dos gols de Cléber, novo atacante do Ceará

Artilheiro do Campeonato Cearense, com sete gols, o atacante ex-Barbalha é uma aposta da diretoria alvinegra para a temporada de 2020

Vinícius França
10:54 | 11/03/2020
Cléber chegou ao Ceará como artilheiro do Campeonato Cearense, com sete gols
Cléber chegou ao Ceará como artilheiro do Campeonato Cearense, com sete gols (Foto: Pedro Chaves)

Depois de começar a temporada buscando assumir um perfil mais “agressivo” no mercado da bola, o Ceará voltou suas atenções para o quintal de casa. Nas últimas semanas, o Vovô contratou o atacante Jacaré e está próximo de acertar com o meia Tiaguinho, destaques do Campeonato Cearense. Além desses jogadores, o centroavante Cléber também fechou com o Alvinegro, e talvez ele seja o que vem com as melhores credenciais: é o atual artilheiro do Estadual, com sete gols em 13 jogos.

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Alto e com boa mobilidade, “Clebão”, como é chamado pelos torcedores do Barbalha, tem 23 anos e é bicampeão da Série B do Cearense. Então titular absoluto da Raposa dos Verdes Canaviais, o jovem já foi integrado ao elenco alvinegro e vai brigar por posição com Bergson, Rodrigão e Rafael Sobis. Para o torcedor ficar por dentro das características do novo camisa 9, Esportes O POVO faz um raio-x dos gols marcados pelo atacante em 2020.

Pelo alto e pelo chão

Com 1,95m de altura, Cléber naturalmente sai em vantagem na bola aérea. O jogador já marcou dois gols de cabeça nesta temporada, todos aproveitando bons cruzamentos pelo alto. O primeiro tento marcado com essa parte do corpo foi contra o Floresta, no primeiro jogo do Barbalha no Campeonato Cearense. Clebão faz boa movimentação e consegue aparecer livre, mesmo entre dois zagueiros, para estufar a rede adversária.

Veja o lance:

O outro gol foi marcado contra o Pacajus. No lance, fica claro como a altura do centroavante foi fundamental para que ele vencesse o marcador e cabeceasse no canto esquerdo do goleiro. Apesar de ter quase dois metros de altura a seu favor, a maioria dos gols de Cléber foram pelo chão, aproveitando um lançamento, passe por baixo ou por elevação. Mesmo sendo bem alto, o atacante mostra ter controle da sua velocidade, conseguindo ganhar dos zagueiros tanto na força física quanto na corrida.

Veja o lance:

Dos sete gols marcados por Clebão, quatro foram usando a perna direita, dois usando a cabeça e apenas um com a perna esquerda. Evidentemente, o centroavante é destro e usa a canhota de forma mais circunstancial, assim como a imensa maioria dos atacantes mundo afora. O jogador também mostra que, apesar de ser bem alto, a cabeçada não parece ser seu principal fundamento para balançar as redes, o que serve como indicativo de que essa é uma característica que pode ser potencializada com o técnico Enderson Moreira, do Vovô.

Parte do corpo utilizado por Cléber nas finalizações que geraram gol
Parte do corpo utilizado por Cléber nas finalizações que geraram gol (Foto: Vinícius França/Planilhas Google)

Poder de decisão

Teoricamente, qual é o momento da partida em que um time mais precisa fazer gol? É quando o placar está 0 a 0 ou quando a equipe já está vencendo e quer ampliar o placar para confirmar a vitória? Esses critérios são muito subjetivos e precisam de uma análise qualitativa maior. Mas partindo do princípio de que toda equipe precisa desempatar o placar para sair vencedora, Cléber pode ser considerado um jogador que foi decisivo para o Barbalha.

O camisa 9 marcou o gol do desempate para a Raposa em três oportunidades. Em duas delas, Clebão abriu o placar para o time do Cariri, e em apenas uma ele balançou as redes quando a equipe já havia sido vazada. Sem os tentos em que ele desempatou o jogo, o Barbalha teria saído com a igualdade no placar duas vezes, nas vitórias por 2 a 1 contra FC Atlético e Caucaia.

Gráfico de como Cléber mexeu no placar após marcar gol
Gráfico de como Cléber mexeu no placar após marcar gol (Foto: Vinícius França/Planilhas Google)

Por outro lado, Cléber também mexeu no placar em situações que, analisando apenas o resultado, não mudaram muito o desfecho da partida. O atacante diminuiu duas vezes na derrota por 3 a 2 contra o Pacajus, balançando as redes quando estava 2 a 0 e 3 a 1 para o adversário. De resto, Clebão também ampliou o contador uma vez, na goleada por 5 a 0 sobre o Floresta, e também empatou apenas uma vez, na derrota por 4 a 2 para o Fortaleza.

Aproveitando os passes

Futebol é um esporte coletivo. Ninguém joga sozinho, evidentemente, e é impossível analisar o desempenho e a qualidade de um jogador sem olhar para a equipe como um todo. Porém, alguns jogadores são mais “associativos” do que os outros. Cléber é um atacante que tem essa característica: dos seus sete gols, cinco surgiram a partir de uma assistência.

As assistências variam de acordo com o fundamento utilizado. Apenas uma delas foi “pelo chão”, em passe de calcanhar que o novo camisa 9 do Vovô só escorou pras redes, contra o Floresta. Todos os outros foram pelo alto, com lançamentos, cruzamentos e passes por elevação. Dessa maneira, não só a altura de Cléber é explorada pelos outros jogadores, mas também a capacidade do atacante de partir em velocidade e se antecipar à defesa adversária em ligação direta.

Gráfico dos fundamentos utilizados nas assistências para os gols de Cléber
Gráfico dos fundamentos utilizados nas assistências para os gols de Cléber (Foto: Vinícius França/Planilhas Google)

Os outros dois gols de Cléber que nasceram só dos pés do atacante foram em lances diferentes. Contra o FC Atlético, batida forte de pênalti no canto esquerdo. Diante do Pacajus, o centroavante apareceu livre para aproveitar rebote do goleiro. É importante ressaltar que, contra o Fortaleza, o ex-atacante do Barbalha não só marcou um gol de cavadinha, mas também deu o passe para Guidio abrir o placar.

Veja o lance contra o Pacajus:

Veja o lance contra o Fortaleza:

Apesar de chegar no Ceará sendo o artilheiro do Estadual e com boas características, é claro que Clebão não chega com titularidade garantida e terá que brigar pelo seu espaço. Não é certo que o desempenho do camisa 9 se repita no Vovô, por diferentes fatores que rondam o futebol. Independente do resultado, é possível dizer que o centroavante alto e com bom senso de mobilidade e desmarque foi uma boa aposta da equipe de Porangabuçu.

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