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Presidente do Náutico reclama de borderô da partida contra o Ceará; Vovô rebate

Com renda partilhada, Náutico precisa pagar R$ 4,6 mil de prejuízo da operação da partida. Clube de Pernambuco critica a falta de transparência do documento

19:43 | 08/04/2019
Ceará e Náutico se enfrentaram pelas quartas de final do Nordestão, no Castelão
Ceará e Náutico se enfrentaram pelas quartas de final do Nordestão, no Castelão(Foto: JÚLIO CAESAR)

O borderô da partida entre Ceará e Náutico, válida pelas quartas de final da Copa do Nordeste, no Castelão, gerou polêmica pela falta de transparência no documento. Apesar do público de mais de 34 mil pessoas, a receita do jogo resultou em prejuízos com R$ 4,6 mil devendo ser pagos pelo clube pernambucano.

O principal ponto da polêmica é de que no borderô há R$ 158 mil registrados como "outras despesas", sem qualquer discriminação. O valor representa quase 70% do total de todas as despesas da partida.

"O borderô mostra claramente que tem algo de errado. Colocaram outras despesas de R$ 158 mil e não comprovaram absolutamente nada. O Náutico não quer nada demais do que o direito dele. A gente procurou os meios legais através da Federação (Pernambucana de Futebol), acionamos o STJD, a CBF e a Liga do Nordeste", disse o presidente do Náutico, Edno Melo em entrevista à Rádio Jornal, de Recife-PE.

O mandatário contou ainda que o documento foi entregue aos representantes do Náutico por uma funcionária do Ceará, que não soube explicar as "outras despesas" citadas. "É um descaso total. Uma falta de respeito enorme", completou.

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, não poupou críticas ao Ceará. "Esse modelo (renda dividida de 60/40) propicia esses casos de desonestidade. Alguém de bom senso pode admitir que esse borderô é honesto? Esse borderô é criminoso", comentou ele em entrevista à Rádio Jornal.

Segundo Evandro, o caso foi levado para a CBF. O presidente da FPF explicou que a Federação Cearense de Futebol não tem qualquer responsabilidade sobre o borderô do jogo. "A Copa do Nordeste é privada. O borderô é de inteira responsabilidade do clube. Não é um modelo ideal, de ter renda partilhada. Os clubes resolveram isso. Opinião da CBF e das Federações foi contrária. Mas como é uma Copa dos clubes, a CBF se curvou", afirmou.

CEARÁ REBATE

Em entrevista ao Esportes O POVO, o diretor financeiro do Ceará, João Paulo Silva, explica que o clube contratou uma estrutura para receber 50 mil pessoas, tendo em vista da promoção de ingressos a R$ 10 (inteira). O dirigente conta que a Federação Cearense de Futebol FCF) possui todos os recibos referentes a "outras despesas", como mão de obra, gradio, estrutura e logística, lanche, funcionários e etc.

"Fizemos uma promoção pro jogo, abrindo o estádio todo, pra atender uma capacidade de 50 mil pessoas, que era o que o clube estimava. E foi 35 mil. o borderô é o formato definido pela federação onde tem todos os recibos. Não sou obrigado a ter nota fiscal, não tralhamos com isso, e sim com recibos", disse ele.

João Paulo afirmou não entender o motivo de o presidente do Náutico falar "por uma situação dessas" e sugeriu que o clube pernambucano solicitasse à FCF os recibos. "Estamos super tranquilos. O que precisarem podem pedir para a Federação. Está tudo lá."

As "outras despesas" da partida contra o Náutico tiveram valores superiores às operações do Clássico-Rei (R$ 137.356) e diante do Corinthians (R$ 98.960). De acordo com o diretor financeiro do Alvinegro, isso aconteceu porque o espaço do Castelão utilizado para a partida contra o Timbu foi maior.

Valores

De acordo com o regulamento da Copa do Nordeste, a renda da partida seria dividida em 60% para o vencedor (Náutico); 40% para o vencido (Ceará)

André Almeida e Lucas Mota