CBF anuncia que atletas das seleções masculina e feminina receberão premiações iguais
Entidade garante que não haverá mais diferença remuneração de jogadores e jogadoras
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta quarta-feira que as premiações para atletas das seleções masculina e feminina serão iguais, em um dos primeiros casos de equiparação salarial no futebol mundial.
"A CBF fez uma igualdade de valores em relação a prêmios e diárias entre futebol masculino e feminino, ou seja, as jogadoras ganham igual aos homens", disse o presidente da entidade, Rogério Caboclo, em entrevista coletiva virtual.
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"Não haverá mais diferença de gênero em relação à remuneração entre homens e mulheres", acrescentou.
Graças a essas medidas, as jogadoras convocadas para a seleção feminina receberão em cada convocação os mesmos valores que Neymar e os demais astros da seleção masculina, inclusive para as premiações de jogo.
A Australian Football Association foi a primeira a promover a igualdade de remuneração entre homens e mulheres em novembro de 2019.
Em maio, as campeãs mundiais americanas foram derrotadas na esfera judicial, depois que um magistrado rejeitou seu pedido de igualdade salarial.
A CBF garantiu que a decisão foi comunicada desde março à técnica da seleção brasileira feminina, a sueca Pia Sundhage e às jogadoras.
A determinação será aplicada, em princípio, nas participações do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, onde a seleção vai participar com as equipes masculina e feminina, e nas Copas do Mundo.
A CBF também anunciou nesta quarta duas ex-jogadoras como novas coordenadoras de futebol feminino da entidade. Duda Luizelli vai comandar a Coordenação da Seleção Brasileira Feminina, enquanto Aline Pellegrino assume a Coordenação de Competições Femininas.
Sundhage, treinadora do Brasil desde julho de 2019, não escondeu a satisfação com o anúncio deste avanço histórico pela igualdade de gênero em um país tido como tradicionalmente machista.
"Espero que todos vejam o sorriso em meus olhos (ela usou máscara na entrevista coletiva). É histórico. É muito especial poder fazer parte disso. Vamos trabalhar muito. Eu sou sortuda", disse ela.
As jogadoras brasileiras já haviam recebido bônus equivalentes aos dos homens durante o Torneio da França, organizado em março.
A treinadora de 60 anos, que levou as americanas a dois títulos olímpicos em 2008 e 2012, também comemorou a chegada de Duda Luizelli para coordenar as seleções femininas, cargo antes ocupado por um homem.
O país conta atualmente com 36 clubes profissionais, divididos em duas divisões. Em 2010, a CBF pagou os mesmos prêmios a homens e mulheres por seus campeonatos nacionais.
Pentacampeão no futebol masculino, o Brasil é também uma das potências mundiais no feminino, com um vice-campeonato na Copa do Mundo da China em 2007 e duas medalhas de prata nas Olimpíadas de Atenas-2004 e Pequim-2008.
Apesar disso o futebol feminino frequentemente luta para encontrar seu lugar, apesar da popularidade de Marta, eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo.
A seleção brasileira feminina foi eliminada nas oitavas de final pela França na prorrogação (2-1) na última Copa do Mundo, em 2019.
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