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Segurança faz caricatura de jogadores da seleção a lápis em bairro de Fortaleza

Desenhos são parte da decoração de rua no Papicu
14:37 | Jul. 06, 2018
Autor Rubens Rodrigues
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Rubens Rodrigues Repórter do OPOVO
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Tipo Notícia
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O segurança particular Rogério Tavares, 45, sempre faz desenhos temáticos para celebrar a época da Copa do Mundo e entrar no clima da competição. Este ano, no entanto, ele quis fazer diferente. Para além dos tradicionais desenhos chão, ele fez, a lápis, caricaturas do técnico Tite e dos jogadores Neymar Jr, Gabriel Jesus, Felipe Coutinho, Thiago Silva, Marcelo, e Casemiro. No clima do Mundial como várias ruas espalhadas por Fortaleza, o painel fica na Travessa Guarani, no bairro Papicu. 

A ideia veio já no primeiro dia de jogos, no último dia 14. A escolha dos jogadores, explica o fortalezense, foi um palpite de quem faria os gols. Dos seis desenhados, três marcaram gols até as oitavas de finais. Apenas Gabriel Jesus, Marcelo, voltando de um contusão, e Casemiro, fora da disputa desta sexta-feira, 6, não marcaram. A esperança de Rogério e dos moradores da Travessa Guarani -  assim como a de muitos brasileiros - é que o Brasil passe para as semifinais. "Se passar, vou desenhar a seleção inteira nesse muro", promete.
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O amigo de infância Neilson da Silva, 46, é quem ajuda na brincadeira com as cores. O marceneiro, “nascido e criado” no bairro, diz já ter gastado quase R$ 500 só de tinta para abrilhantar a rua onde vivem e se juntam para assistir aos jogos. “Hoje mesmo pintei aqui Brasil x Bélgica e estou só esperando o placar para adicionar”, diz, apontando para o chão onde está pintada a bandeira do País, cercada pelo placar de cada jogo vencido pela Seleção. “Somos eu e ele na pintura. Já disse que vou pintar o resto do muro de branco pra ele terminar as caricaturas se o Brasil vencer hoje”, aposta Neilson. “Coloco a TV e uma tenda aqui na rua e todo mundo se junta e traz alguma coisa”.

Rogério leva cerca de três horas para fazer cada caricatura. No lápis, conta, é mais fácil consertar os erros. “Teve um dia que fiz três desenhos. Comecei a noite e fui até 3h da madrugada. O jeito é aproveitar a noite, porque durante o dia todo mundo trabalha, né? No lápis dá pra ter mais atenção ao detalhe. Mas a verdade é que eu não desenho para os outros, só desenho pra mim mesmo. Já fiz desenhos de pessoas olhando para elas, mas sou mesmo é profissional de segurança”, conta.

“Toda copa é assim. Nessa rua nós moramos desde criança, então temos um vínculo familiar. Quando chega essa época, a gente se junta e todo mundo coopera de alguma forma. Um traz a pipoca,  outro dá o guaraná, e mais alguém traz a carne”, continua. “E é uma rua muito calma, cheia de criança. Com esse clima todo aqui, acabou virando a Arena Guarani. É assim que chamamos em dia de jogo”.

Para Rogério, dia de jogo é dia, também, de esquecer um pouco o momento de crise que o País atravessa e celebrar o que dá mais felicidade. “Com a dificuldade que o nosso país tá hoje, a crise, a corrupção, sei que muita gente acaba sendo contra essa torcida. Mas nós não podemos deixar de acreditar, principalmente com essa alegria espontânea. Acaba sendo um tempo de esperança”.
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