Guto Ferreira projeta Ceará e Fortaleza na Série B e nega atrito com Vina
Com foco nos impactos da reconstrução após o rebaixamento, treinador projeta dificuldades para os clubes cearenses na Série B e rebate rumores sobre desentendimento com o meia alvinegro em entrevista ao Esportes O POVO
Experiente no quesito acesso e com passagens pelo futebol cearense, o técnico Guto Ferreira avaliou os desafios que Ceará e Fortaleza devem enfrentar na Série B e negou qualquer atrito com o meia Vina, ídolo do Alvinegro de Porangabuçu. Em entrevista exclusiva ao Esportes O POVO, o treinador também explicou a decisão de não permanecer no Remo após o acesso à Série A e projetou o cenário da próxima temporada para os clubes cearenses.
Em uma projeção à Série B — competição que tem estudado diante da possibilidade de assumir uma das equipes — Guto apontou a reconstrução dos elencos como o principal obstáculo para Vovô e Leão após a transição da primeira para a segunda divisão.
Para ele, as mudanças estruturais costumam impactar diretamente o desempenho em competições longas, já que a adequação financeira e a reformulação do grupo acabam afetando a identidade das equipes ao longo do campeonato.
“O lado mais difícil é a reconstrução de plantel. É muito difícil porque você sai de uma folha salarial altíssima tendo que encaixar dentro da realidade de Série B e pagando as contas dessa transição. Isso atrapalha porque geralmente sai muita gente do clube e isso desestrutura aquela espinha dorsal que a equipe carregava de um campeonato pro outro. (...) Se perde muito da essência e da cara das equipes. Ela precisa se encontrar de novo, se descobrir, e esse trabalho não é fácil”, frisou.
Foi justamente o fato de não passar por um processo de mudanças profundas e ter tempo para moldar a equipe ao seu estilo de jogo que, na avaliação de Guto, contribuiu para o sucesso em sua primeira passagem pelo Ceará.
“Pegamos uma equipe que vinha dois ou três anos se livrando do rebaixamento. Pegamos no início da pandemia e tivemos tempo para trabalhar e, na volta, a equipe começa a trabalhar em crescimento, consegue a Copa do Nordeste e bons resultados no Brasileirão que terminou em 2021. Até aquele momento, a melhor campanha do Ceará nos pontos corridos”, relembrou.
A saída do clube, segundo ele, ocorreu em um contexto de maior pressão externa, influenciado também pelo bom momento vivido pelo Fortaleza após a chegada deVojvoda.
“Quando saímos (do Ceará), era uma campanha em termos de pontuação melhor que o ano anterior. Só que a gente chegou muito perto do tri da Copa do Nordeste e perdemos para o Bahia. E o Fortaleza, rival, consegue encaixar com o Vojvoda. Tinha feito investimento alto, tanto que um dos jogadores deles joga na Itália, seleção, e a equipe num todo. Vinha sendo muito questionado essa situação”, afirmou.
O treinador também negou que sua saída tenha relação com qualquer problema de relacionamento com Vina. Ao Esportes O POVO, Guto destacou que o melhor momento da carreira do jogador ocorreu durante o período em que trabalharam juntos, onde responsabilidades grandes também foram compartilhadas.
“Não sei de onde tiraram essa questão com o Vina. O melhor momento da carreira do Vina foi comigo. Os bons momentos dele. No Bahia foi quando ele se firmou dentro da Série A pro mercado. Ele tinha jogado já, mas decolou como o jogador diferente que é no Ceará. Em 2021, ele assumiu uma responsabilidade grande, de muito peso, e a gente tentou ajudar ele a conduzir. Em muitos momentos ele conseguiu, em outros não, mas nossa relação sempre foi muito boa”, pontuou.
Para 2026, além de aguardar novas oportunidades no mercado, Guto afirmou esperar que os clubes cearenses consigam se manter competitivos na disputa da Série B. “Os clubes e o treinador tendo suas convicções, o aprendizado é diário, jogo a jogo, e quem não busca se aperfeiçoar vai ficar pelo caminho. Com a gente não é diferente”, concluiu.
Saída do Remo
Apesar do acesso à Série A do Brasileiro, Guto Ferreira não permaneceu na equipe paraense que, segundo ele, não reuniu condições contratuais suficientes para sua comissão técnica.
"A gente não para. Não começamos o ano no Remo por questões contratuais que não reuniram a questão que a gente desejava, mas a equipe não para. Estamos nos reunindo sempre, toda semana. (...) A gente tem ideias para trabalhar na Série A ou clubes da Série B que brigam por acesso e pretendemos que isso não mude. A gente deseja trabalhar em clube de Série A, brigando por coisas grandes", disse.
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