"Maradona foi o mais humano dos deuses", havia dito o escritor uruguaio Eduardo Galeano

Escritor, morto em 2015, foi quem melhor descreveu o ídolo argentino

Um trecho do livro “Espelhos: uma história quase universal”, publicado em 2008, no Brasil pela L&PM Editores, do escritor uruguaio Eduardo Galeano sobre Maradona tem repercutido nesta quarta-feira, 25. A data marca o falecimento do ex-jogador argentino, aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória, em Tigre, Argentina. O escritor uruguaio, morto em 2015, foi quem melhor descreveu o ídolo argentino.

Leia Mais | Morre Diego Maradona, ídolo argentino e um dos maiores nomes do futebol mundial

É + que streaming. É arte, cultura e história.

+ filmes, séries e documentários

+ reportagens interativas

+ colunistas exclusivos

Leia o trecho

MARADONA

(Eduardo Galeano, “Espelhos: uma história quase universal”)

Nenhum jogador consagrado tinha denunciado sem papas na língua os amos do negócio do futebol. Foi o esportista mais famoso e popular de todos os tempos quem rompeu barreiras na defesa dos jogadores que não eram famosos nem populares.

Esse ídolo generoso e solidário tinha sido capaz de cometer, em apenas cinco minutos os dois gols mais contraditórios de toda a história do futebol. Seus devotos o veneravam pelos dois: não apenas era digno de admiração o gol do artista, bordado pelas diabruras de suas pernas, como também, e talvez mais, o gol do ladrão, que sua mão roubou. Diego Armando Maradona foi adorado não apenas por causa de seus prodigiosos malabarismos, mas também porque era um deus sujo, pecador, o mais humano dos deuses. Qualquer um podia reconhecer nele uma síntese ambulante das fraquezas humanas: mulherengo, beberrão, comilão, malandro, mentiroso, fanfarrão, irresponsável.

Mas os deuses não se aposentam, por mais humanos que sejam.

Ele jamais conseguiu voltar para a anônima multidão de onde vinha.

A fama, que o havia salvo da miséria, tornou-o prisioneiro.

Maradona foi condenado a se achar Maradona e obrigado a ser a estrela de cada festa, o bebê de cada batismo, o morto de cada velório.

— Bruno Couto (@muitohumillde) November 25, 2020


Leia Também | "Um dia, espero que possamos jogar bola juntos no céu", diz Pelé sobre a morte de Maradona

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

MARADONA ÍDOLO ARGENTINO EDUARDO GALEANO ESCRITOR URUGUAIO EX-JOGADOR

Os cookies nos ajudam a administrar este site. Ao usar nosso site, você concorda com nosso uso de cookies. Política de privacidade

Aceitar