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Futebol
NOTÍCIA

Médico-chefe da Fifa sugere cancelamento de ligas europeias: "Não é sobre dinheiro, é sobre vida e morte"

Profissional explicou que economia não pode vencer "desta vez", e que teme uma segunda onda de contaminação do novo coronavírus

Gerson Barbosa
18:23 | 28/04/2020
Michel D'Hooghe é médico-chefe da entidade máxima do futebol
Michel D'Hooghe é médico-chefe da entidade máxima do futebol (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Em meio a muitas discussões sobre retorno do futebol em vários países pelo mundo, o médico-chefe da Fifa, Michel D'Hooghe, disse ao diário inglês Daily Telegraph que o futebol na Europa não deveria considerar retornar agora. Segundo o profissional, há um risco de segunda onda de contágios do novo coronavírus se o esporte reiniciar, ainda que de portões fechados.

"Somos (profissionais do futebol) todos objetos a nível nacional para autoridades públicas. É muito simples: futebol de repente se torna a coisa mais importante na vida. Eu estarei feliz se pudermos voltar, numa maneira convencional, só no próximo campeonato e não ter mais nada antes do início da temporada. Se começasse por 2020/2021 em agostou ou setembro, me deixaria feliz. Assim estariam evitando uma nova onda de ataque do vírus, o que não é impossível", declarou ao diário.

O Campeonato Francês precisou ser cancelado nesta terça-feira, 28, após ordem pública de não poder ter eventos esportivos antes de setembro. Holanda também encerrou seus torneios pelo mesmo motivo. D'Hooghe teme que em alguns países, a economia seja colocada acima da vida humana.

"Todos nós temos de ser cuidadosos nesse momento. Tenho ouvido de diversos países que estão pensando em voltar a jogar futebol, com ou sem público. Na minha longa carreira tenho visto diversas situações em que há uma disputa da saúde contra o dinheiro. Na maior parte, a economia vence, seja em jogos disputados em altitudes, ou com fuso-horários, em condições extremas ou em cidades com índices altos de poluição. Se há uma situação em que a medicina precisa vencer a economia, é agora. Não é sobre o dinheiro, é sobre vida e morte. É muito simples", opinou.

Apesar de ter usado o exemplo do futebol europeu, a fala do médico-chefe da Fifa pode valer para o mundo todo. Argentina, por exemplo, cancelou o restante da temporada do seu futebol. O Brasil, por outro lado, estuda o retorno.