Filme Ultras revela a movimentada vida de um torcedor fanático na Itália

Lançamento da Netflix, o filme italiano Ultras já está disponível no serviço de streaming. O longa se baseia nas desavenças internas da Apache, um grupo de torcedores fanáticos pelo Napoli, clube do sul da Itália, além de seguir a vida de Russo Alessandro, o Sandro Moicano, um torcedor de 50 anos banido de entrar nos estádios do País da Bota, mas que ainda é líder do grupo que ajudou a fundar.

E essa percepção da vida de Sandro começa logo na primeira cena, quando acompanhamos a chegada dele em um casamento de um companheiro de grupo. Lá, a Apache se faz presente e canta as músicas do Napoli ao final da cerimônia. "Minha esposa me perguntou 'quem sou eu para você?'. Você é minha vida, mas amo os Azzuri mais que você", cantam os ultras, deixando claro que a escolha do estilo de vida estará sempre interligada com outras decisões pessoais - às vezes se sobrepondo.

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Conforme o longa vai se desenrolando, torna-se impossível não traçar comparações com Hooligans, obra de 2005 famosa entre os fãs de futebol. A vida dedicada a um clube e nada mais. Contudo, apesar das semelhanças, há uma diferença importante entre as obras: em Ultras, a visão é puramente de dentro, diferente de Hooligans que é um grupo ensinando o lifestyle para um americano.

Essa diferença é nítida pelas cenas escolhidas pelas produções. No filme de 2005, as brigas ganham protagonismo, enquanto que na obra italiana foca no antes e depois dos atos violentos - salvo duas exceções. Em Hooligans é West Ham versus Millwall, em Ultras é Apache contra Apache.

E essa disputa interna é protagonizada pelo choque de gerações. A mais velha, liderada por Barà e Sandro Moicano, é composta de pessoas com mais de 50 anos, banidos dos estádios e sem o mesmo pique de outrora, mas que tratam as decisões do grupo com mais tranquilidade - além de ter a liderança da Apache. Diferente da geração dos homens na casa dos 30 anos, os neofascistas que só querem saber de uma boa porradaria e estão sedentos por irem à Roma na última rodada da Serie A, onde o Napoli pode sagrar-se campeão italiano.

A capital italiana, portanto, vira o centro das disputas do grupo. Os mais velhos não querem deixar o grupo ir a Roma, principalmente porque os torcedores visitantes são proibidos de assistir um jogo no Olimpico. Os mais novos não aceitam essa decisão e criam até a faixa "Vamos incendiar a Capital", que já vão levando nos jogos anterior ao embate contra os romanistas.

No meio desse conflito, tem uma terceira geração, a dos garotos nascidos nesse milênio. Eles são liderados por Angelo, que acaba sendo protegido por Sandro a todo custo após o irmão morrer em uma briga de torcida. Os amigos de Angelo são os protagonistas nas festas e consumo de drogas, influenciados pela geração dos 30 anos.

Mas nem tudo são disputas, porém. O filme aborda o lado sensível de Sandro, que conhece uma moça e pretende dar sequência ao romance. O laço dele com a Apache, contudo, entra no caminho do relacionamento de ambos, evidenciando a presença da escolha em outros aspectos da vida do ultra.

Conflitos, festas, bombas em torcedores adversários e assim o filme vai se caminhando para o final. Lá, a mensagem do diretor Francesco Lettieri se torna clara. É em um funeral que o longa termina e entende-se que independente da geração, a escolha por ser um ultra pode ter preços bem caros.

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