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Da ZR ao sonho da Libertadores, Tiago Nunes comanda reação do Furacão

Santo de casa não faz milagre. O ditado é antigo, mas encontrou pelos lados do Atlético Paranaense um ferrenho opositor dessa lógica. Anunciado como substituto interino ? e segue com essa denominação, pelo menos oficialmente ? de Fernando Diniz no comando da equipe após a parada do Campeonato Brasileiro para a disputa da Copa do [?]

08:45 | 05/09/2018

Santo de casa não faz milagre. O ditado é antigo, mas encontrou pelos lados do Atlético Paranaense um ferrenho opositor dessa lógica. Anunciado como substituto interino ? e segue com essa denominação, pelo menos oficialmente ? de Fernando Diniz no comando da equipe após a parada do Campeonato Brasileiro para a disputa da Copa do Mundo da Rússia, Tiago Nunes é considerado responsável direto por uma impressionante reação rubro-negra na competição, saindo da zona de rebaixamento, onde chegou a figurar como lanterna, para iniciar o sonho de voltar a Libertadores. Tudo isso com pouco mais de um mês de trabalho.

A tarefa, no entanto, era das mais complicadas. O Atlético começou a temporada dividindo o grupo em dois, visando chegar com força naquelas que considerava as principais competições do ano, ou seja, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Copa Sul-americana. Contratado em 2017 para ser o treinador da equipe sub-23, Tiago ficou com a responsabilidade de conduzir um time alternativo no Campeonato Paranaense. A equipe foi bem, deu destaque a alguns valores da base e conquistou o título, encerrando o jejum rubro-negro.

Enquanto isso, com uma pré-temporada prolongada, a equipe principal, sob o comando de Diniz, teve um início irregular, com empate diante do Caxias e uma virada por 5 a 4 diante do desconhecido Tubarão-SC, ambos pela Copa do Brasil. Entretanto, uma vitória para cima do Newell?s Old Boys, pela Sul-americana, seguida de uma goelada aplicada sobre a Chapecoense, pelo Brasileirão, levaram a imprensa nacional e até jogadores experientes do elenco, como o zagueiro Paulo Nunes, a vislumbrar no estilo polêmico do treinador, com um padrão de jogo diferente do usual, priorizando a posse de bola, sinais de uma revolução no futebol brasileiro. A montanha-russa chegava a seu ponto mais alto antes de despencar.

Dispensas no elenco, peças que não se encaixavam no esquema, improvisações e, principalmente, a previsibilidade, com adversários encontrando facilidade em neutralizar as armas atleticanas, mudaram rapidamente esse panorama. Líder na primeira rodada do Brasileiro, o Furacão chegou à parada para a disputa da Copa do Mundo na 19ª colocação. Na Copa do Brasil, uma derrota em casa para o Cruzeiro encaminhou a eliminação.

A situação de Diniz ficou insustentável, mesmo com as declarações do presidente do Conselho Deliberativo do clube, Mário Celso Petraglia, garantindo que o técnico permaneceria mesmo com uma queda para a segunda divisão. A derrota para o São Paulo, jogando na Arena da Baixada, o primeiro triunfo do Tricolor no estádio em toda história, foi a gota d?água para o torcedor. Após muita pressão, inclusive de parte da diretoria, a decisão foi tomada durante a intertemporada rubro-negra. Diniz caiu, com um aproveitamento de 34,9%, apenas cinco vitorias em 21 jogos no comando do time.

Solução estava em casa ? Treinador da nova safra, com 38 anos de idade, o gaúcho Tiago Nunes começou sua carreira dirigindo times do interior em 2005, rodando o país, além de trabalhos com as categorias de base em clubes como Grêmio, Juventude e Ferroviária. No Atlético, ganhou a oportunidade de comandar o time no Paranaense graças à política do clube de priorizar outras competições, utilizando o Estadual como uma vitrine para jogadores da base e para recuperar atletas do elenco que estavam sem espaço. O trabalho deu resultado e o treinador seguiu à frente da equipe de aspirantes.

Com a queda de Fernando Diniz, a diretoria passou a procurar um nome de peso no mercado, embora o torcedor cobrasse por uma chance para Tiago, que deixou uma boa impressão. Com pressa para arrumar a equipe visando o retorno das partidas, a solução foi anunciar o treinador como um interino. O primeiro desafio foi tentar uma classificação heroica na Copa do Brasil, mas com pouco tempo para acertar o time, não foi possível.

Novos jogadores chegaram, como os atacantes Marcelo Cirino e Rony, outros passaram a ter mais espaço e outras funções, como lateral Renan Lodi e o atacante Pablo, dois dos principais nomes dessa reação. Aproveitado um pouco do trabalho de Diniz em relação a posse de bola, mas com mais verticalidade, buscando o gol, resgatando parte da base formada no Estadual e até alguma herança de 2017, da passagem do técnico Paulo Autuori, a equipe ganhou uma nova cara, consistência, especialmente em casa, e retomou a confiança que havia ficado pelo caminho.

Da vice-lanterna, o Rubro-Negro pulou para a nona colocação em nove rodadas, e ainda tem um jogo atrasado a cumprir diante da Chapecoense. Na Copa Sul-americana, classificação para terceira fase garantida após bater o Peñarol em dois jogos. Um aproveitamento próximo dos 70% que recolocaram o Furacão de volta sob os holofotes e reascenderam o sonho de uma volta à Libertadores da América. O desafio, agora, é manter a boa fase também como visitante. Nesta quarta-feira, o adversário será o Palmeiras, em São Paulo, uma ótima oportunidade para segurar um adversário diretor nessa nova luta admitida pelo próprio comandante atleticano.

?Treinador sempre tem que ficar com um pé atrás, sou desconfiado. Mas, os atletas estão merecendo pensar para frente. Isso é uma demonstração de humildade, quando se preocupa com a questão do rebaixamento. Mas, como ambição, e o Atlético é um clube ambicioso, temos que pensar mais para frente. Isso é motivador para aproveitar esse momento bom?, avaliou Tiago após a vitória diante do Bahia. Diante dos paulistas, o treinador terá uma ótima chance de tornar esse objetivo ainda mais real e o rótulo ?interino? cada vez mais sem sentido.

Gazeta Esportiva

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