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Previdência: a cota de todos

01:30 | 07/07/2019

Mesmo com as divergências em relação a vários pontos da reforma da Previdência, os deputados tomaram da decisão correta ao aprová-la na Comissão Especial da Câmara. Nas próximas instâncias, por onde tramitará, no plenário da Câmara e no Senado, ainda será possível fazer ajustes ou para superar possíveis divergências.

Os próximos passos, ainda sem um calendário definido, são os seguintes: duas votações no plenário da Câmara (em ambas sendo necessários 3/5 dos votos, ou 308 dos 513 parlamentares); se aprovada, segue para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, depois ao plenário, também em dois turnos (com aprovação dependendo de 49 votos, 3/5 dos 81 congressistas). Portanto, há um longo caminho a ser percorrido - no qual é preciso apertar o passo - período em que se pode chegar a consensos, sem que se descaracterize o objetivo principal da reforma. Isto é, fazer o ajuste necessário que possa apontar uma direção para retirar o País de crise no qual se encontra. Se somente as mudanças na Previdência serão insuficientes para superar a conjuntura grave que se apresenta - como dizem alguns críticos - é preciso lembrar que, sem superar essa etapa, ficará muito mais difícil enfrentar outras urgências, como a reforma fiscal, por exemplo.

Dito isso, é preciso chamar a atenção para o PSL, partido do presidente da República, que insistiu em manter benefícios às carreiras policiais, contrariando o próprio projeto enviado ao Congresso pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no qual a todos se pede sacrifício, segundo o discurso oficial. O próprio presidente Jair Bolsonaro passou a defender tratamento diferenciado para essas carreiras, afirmando que "algumas questões" serão corrigidas em plenário.

Não se entra no mérito aqui se os policiais merecem ou não tratamento diferenciado, mas a grande contradição que é a Presidência voltar-se contra as suas próprias diretrizes, dificultando a tramitação do projeto. Se além da oposição, o governo ajudar a pôr entraves ao encaminhamento da reforma, ingressaremos no pior dos mundos.