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Inadimplência: é preciso sair da enrascada

01:30 | 13/06/2019

O número recorde de brasileiros inadimplentes atingiu marca histórica: 63,2 milhões em abril. Isso significa que 40,4% da população adulta no Brasil está com dívidas atrasadas ou negativados, fruto de uma economia estagnada, com alto desemprego e crescente tensão social e política. No Ceará, são 2,4 milhões de pessoas nesta situação, tendo crescido 8,76% em relação a 2018. Somente na Capital, são 1,27 milhão de inadimplentes. Chegar a uma situação tão desalentadora, depois de tanta promessa de crescimento tão logo houvesse o desmonte do modelo desenvolvimentista que vigorou até 2015 é profundamente frustrante. Sobretudo, para quem jogou suas fichas na expectativa de uma economia "dinâmica" e "livre das amarras do Estado".

Tem ocorrido justamente o contrário, as estimativas de crescimento só fazem cair: o Produto Interno Bruto (PIB) do País sofreu 15 revisões, somente nestes primeiros seis meses de 2019. A derradeira projeção foi uma redução do crescimento de 1,13% para 1%. As dívidas em atraso com os bancos e os cartões de crédito destacaram-se no mês de abril. Traduzem a dificuldade das famílias brasileiras em honrar pagamentos prioritários.

O mesmo se diga do atraso no pagamento da conta da água, da energia elétrica, gás e telefonia. Pois, inadimplente por conta da falta de fluxo de renda, o consumidor faz uma "escolha de Sofia", optando pelas contas mais prioritárias, ou seja, aquelas que lhe garante a sobrevivência. Nesse caso, encher a barriga vem em primeiro lugar.

Bem que o Paulo Guedes, ministro da Economia, poderia estar tomando iniciativas paralelas para dar fôlego aos cidadãos e animar o setor produtivo. Talvez, por ser originário do meio financeiro, onde os lucros são sempre fabulosos e fáceis de serem obtidos, em qualquer conjuntura, o ministro tenha dificuldade em perceber a vida real do cidadão que precisa prover a mesa de pão para os filhos, todos os dias, e que não pode ficar apenas à espera da "mágica" das "reformas". Algo tem de ser feito, simultaneamente, enquanto estas não chegam. Ninguém se alimenta de cortes e de estatística.

Já são mais de 13 milhões de desempregados. Não é por outra razão que o Nordeste tem uma visão mais realista do panorama: sabe que é preciso fazer a engrenagem girar minimamente, enquanto partes dela são reparadas ou substituídas. Pois é preciso, antes de tudo, garantir as necessidades básicas das pessoas. Isso o faz encarar o mercado como eventual aliado, não como um déspota fundamentalista. É preciso sair da atual enrascada.