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Marielle: Brasil e mundo cobram a verdade

02:00 | 13/03/2019

A prisão, ontem, no Rio de Janeiro, de dois suspeitos de participarem do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (Psol), dois dias antes de se completar um ano (14 de março) do crime, sacudiu os fluminenses e o Brasil inteiro. Há um clamor nacional e internacional por justiça, sobretudo pelo fato de os supostos autores - o policial militar reformado Ronnie Lessa, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz - serem quadros do Estado. Mais: o primeiro deles chegou a ser homenageado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 1998, por "honrar, permanentemente, com suas posturas, atitudes e desempenho profissional, a sua condição humana e de militar discreto, mas eficaz". A sua "eficácia", no entanto, parece ter chegado agora ao fim (caso se confirmem as acusações, pois ambos negam o crime, e têm direito à presunção de inocência).

Segundo o jornal O Globo, um dos motivos que reforçaram a suspeição sobre Ronnie Lessa foi a emboscada de que ele foi vítima, em 28 de abril, trinta dias depois do assassinato da vereadora. Os indícios de tentativa de queima de arquivo pareceram ser fortes.

Sabe-se também que ele andou enfronhado na busca de informações sobre políticos de esquerda, no Rio de Janeiro, o que poderia reforçar os elementos ideológicos de alguém ou de algum grupo incomodado por esses aspectos. A bandeira dos direitos humanos, a defesa dos moradores das favelas, em decorrência da truculência da abordagem policial, bem como a suposta irritação das milícias com a interferência dos representantes dos partidos progressistas em sua área de atuação forma um complexo de indícios que apontam firmemente - como descreve a acusação - para um crime político. Se o novelo for desenrolado, de forma competente e com isenção, poderia estar-se assistindo ao início de uma etapa que poderia conduzir, finalmente, aos mandantes.

Pois o que mais a opinião pública democrática exige é a identificação dos mandantes do crime e da sua motivação real. Na época do crime, o então ministro da Segurança Pública, Raul Jugmann, declarou ter certeza do envolvimento de pessoas poderosas nas mortes da vereadora e de seu motorista: "Começamos há pouco mais de três semanas, mas eu acredito que a Polícia Federal, que é uma das melhores do mundo, vai sim avançar, esclarecendo o complô dos poderosos" - disse ele, na ocasião, ao final de uma palestra na FGV-Rio.

Chegou a hora de a PF confirmar essa expectativa. "É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia" - diz a denúncia. Com isso, é inegável supor que o próprio Estado Democrático de Direito foi atingido em cheio. n