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Orla de Fortaleza: saúde e turismo

02:00 | 12/03/2019

A recorrente falta de balneabilidade (isto é, de condições apropriadas para o banho ou desfrute da faixa de areia para o lazer) nas praias de Fortaleza é um problema recorrente que se acentua no período chuvoso, quando os dejetos de esgotos clandestinos, ligados criminosamente às galerias fluviais, são levados pelas águas da chuva para o mar (e também para riachos, rios e lagoas) contaminando o ambiente em que são despejados. No último fim de semana, por exemplo, cinco dos 11 trechos da orla analisados pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) não atenderam aos critérios estabelecidos para uso humano. Isso impacta não só a saúde da população usuária, mas, afugenta os turistas, prejudicando o mercado turístico da capital.

Saber que esse problema não é exclusivo de Fortaleza, pois está presente na quase totalidade dos centros urbanos banhados pelo mar, rios e lagoas, no Brasil, não arrefece a indignação dos fortalezenses com essa situação. Com o anúncio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) de que está contratando uma operação de crédito externo com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird - Banco Mundial) para financiar a instalação de maquinário capaz de fazer a varredura das ligações clandestinas de esgoto nas redes pluviais da capital (ainda que a operação dure seis anos para ser concluída) os fortalezenses teriam a chance de ver esse quadro mudar. A contratação já teria sido aprovada pelo Senado Federal, segundo se informa.

Se assim for, Fortaleza estará dando um passo importante para reverter um dos problemas mais danosos à saúde pública brasileira e um dos fatores de perturbação no desenvolvimento da indústria turística no Brasil. No caso cearense, é inaceitável que a população da capital continue exposta a doenças de veiculação hídrica, como diarreias, meningite, hepatite A, leptospirose e salmonelose, por exemplo, devido ao contato com a água contaminada por dejetos de esgotos clandestinos. Aliás, sai muito mais caro para os cofres públicos investir em medicina curativa para recuperar os doentes acossados por essas doenças contraídas em praias poluídas do que fazer a prevenção, extirpando os esgotos clandestinos.

Na situação atual, há, além do mais, um prejuízo inegável para o mercado turístico da capital, por conta da fuga dos turistas em demanda de praias menos poluídas, no Interior. Claro que é positivo o fato de eles irrigarem as economias interioranas, mas isso deve ser feito por opção, como forma de explorar a variedade de ofertas oferecidas pelo Ceará, e não por receio de serem eventualmente contaminados na bela orla de Fortaleza. n