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Brumadinho, um mês; Mariana, três anos

05:00 | 26/02/2019

Nesse 25 de fevereiro completou-se um mês da tragédia do rompimento da barragem de rejeitos minerais da empresa Vale, em Brumadinho (MG). Em decorrência do desastre contam-se até agora 179 mortes e 131 pessoas desaparecidas. Morreram ainda animais domésticos e silvestres, sem contar os imensos prejuízos ecológicos, materiais e o sofrimento dos sobreviventes, muitos dos quais perderam parentes, soterrados pela lama.

Destaque-se, nessa calamidade, o trabalho heroico do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, com seus incansáveis homens e mulheres, um alento em meio a tanta tristeza. Eles trabalharam - e continuam - em condições duríssimas, sujeitando-se a condições insalubres, com risco de comprometer a própria saúde. Nunca será demais louvar a notável dedicação e a coragem dessa equipe, que foi além das tarefas próprias da função - o que já seria muito -, transformando a sua obstinada faina em exemplo de solidariedade humana.

Mas a dura realidade impõe dizer que nada disso seria necessário se a Vale houvesse agido com um mínimo de rigor ao fiscalizar as suas barragens. Parece também não ter servido de alerta aos administradores da empresa o rompimento da barragem de Mariana (MG), três anos atrás, quando morreram 19 pessoas. Pelo contrário, desde então, a Vale reduziu em 44% seus gastos com segurança.

Pior ainda - segundo disse à TV Uol Alexandre Vidigal, secretário de Mineração, Geologia e Transformação Mineral, do Ministérios de Minas e Energia -, existem outras 86 barragens a montante (do mesmo tipo de Brumadinho e Mariana, considerado o método menos seguro por especialistas no assunto), que continuam em risco de rompimento.

Sobre a possibilidade de haver outra catástrofe, Vidigal, disse que, com o sistema de segurança hoje existente, não há segurança para dizer "se haverá ou não" outro rompimento. Para ele, o método de controle atual é equivocado, pois "quem contrata o fiscalizador é o fiscalizado". Segundo o secretário, é preciso "romper a relação que existe entre o empreendedor e o fiscalizador".

Para Victor Hugo Bicca, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração, também em declaração à TV Uol, não há nada errado com o sistema de fiscalização brasileiro, que é o mesmo sistema utilizado em "países do Primeiro Mundo", disse. Ele dá o exemplo da Austrália, país no qual existiria "confiança muito grande do governo nas empresas e das empresas no governo".

O problema é que, no Brasil, a prática está mostrando que o sistema não funciona, frente aos prejuízos humanos e materiais que provoca, mesmo porque as multas em caso de desastre são ridículas. Portanto, as autoridades estão obrigadas a buscar uma forma de tratar o assunto de modo a evitar novas tragédias. n