Justiça vê indícios de lavagem de dinheiro no São Paulo

Justiça vê indícios de lavagem de dinheiro no São Paulo

Magistrados enviaram investigação do caso para Vara Especializada em Lavagem de Dinheiro e Crime Organizado

O São Paulo passará a ser investigado em uma Vara Especializada em Lavagem de Dinheiro e Crime Organizado. Juízes que acompanhavam o caso identificaram indícios considerados fortes da prática de crime de lavagem de capitais no clube. O “Uol” publicou as informações.

Os magistrados concluíram que as operações financeiras ligadas ao clube teriam sido estruturadas e contínuas, causando prejuízos ao São Paulo enquanto instituição. Assim, diante da complexidade e da gravidade do caso, os juízes enviaram o processo a uma instância especializada, com experiência em crimes financeiros e organizações estruturadas.

O Ministério Público, por meio dos promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro e Tomás Busnardo Ramadan, que atuam em força-tarefa, concordou com a remessa do caso. O aval do MP ainda reforçou a análise de que os indícios ultrapassam as irregularidades administrativas ou financeiras comuns, apontando para possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

Vale destacar que a mudança de vara permitirá aprofundar as investigações sob o clube neste momento. A partir de agora, autoridades especializadas devem analisar detalhadamente contratos, fluxos financeiros e vínculos entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao clube.

São Paulo na justiça: entenda a crise institucional que atravessa o clube

Nas últimas semanas, o São Paulo se viu em meio a inúmeros escândalos administrativos. Os mais recentes se referem a uma investigação da Polícia Civil que investiga mais de 30 saques realizados nas contas do clube entre 2021 e 2025. O valor total das retiradas é de R$ 11 milhões. Paralelamente, outra investigação, que apura depósitos feitos em dinheiro na conta do presidente do clube, Julio Casares, também é conduzida. Vale destacar que ainda não há relação comprovada entre os dois fatos.

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeira) considerou as movimentações suspeitas. Desde então, a defesa do São Paulo contratou um perito para reunir comprovantes de como o clube retirou os valores das contas. Casares afirmou que o clube usou o dinheiro para pagar premiações aos atletas, além de cobrir outras despesas operacionais relacionadas a jogos.

Com tantas suspeitas sobre a gestão, a pressão sobre o mandatário do clube cresceu. Assim, Casares pode ser afastado ainda esta semana. Isso porque o Conselho Deliberativo do clube se reúne nesta sexta-feira (16) para analisar o prosseguimento do processo de impeachment do dirigente. Para que o processo avance e vá para apreciação dos sócios, são necessários 171 votos de 254 conselheiros.

A votação acontecerá em modelo híbrido, presencial e online. Em caso de aprovação, o presidente é afastado imediatamente e o vice-presidente, Harry Massis Júnior, assume o cargo até o final do ano, quando ocorrem novas eleições.

Ao mesmo tempo, em caso de afastamento de Casares, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, tem até 30 dias para convocar uma assembleia-geral de associados do clube para votar a destituição definitiva do dirigente. Maioria simples é suficiente para que Casares perca o cargo de forma definitiva.

 

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