Álbum com gravações inéditas de Nara Leão será lançado
Um álbum póstumo de Nara Leão será lançado no dia 25 de janeiro, Dia da Bossa Nova, reunindo oito gravações inéditas da cantora. Intitulado “A bossa rara de Nara”, o disco resgata interpretações do repertório associado ao movimento que a consagrou.
As gravações foram encontradas em 2025 pelo produtor Raymundo Bittencourt, em fitas DAT (Digital Audio Tape, em inglês) sem data definida, mas atribuídas aos anos 1980. Dia 19 de janeiro, quando faria aniversário, o single “Chega de Saudade” foi lançado.
A voz de Nara foi restaurada e recebeu novo acompanhamento instrumental, com violão, baixo, bateria, flauta e teclados. O repertório inclui clássicos de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Roberto Menescal e outros nomes centrais da bossa nova.
O Brasil, aliás, tem cantoras que entraram para a história pelo talento e por características marcantes que as diferenciavam. É o caso da própria Nara Leão, nascida em 19/1/1942, em Vitória (ES). Conheça com o Flipar sua história.

Nara viria a ser uma típica carioca, chegando ao Rio com 1 ano de idade. Ainda criança, Nara teve aulas particulares de violão. E gostou tanto que, na adolescência, ingressou na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal.
Aos 18, já era professora do instrumento. Talento nato para a música, Nara foi símbolo de um gênero musical criado na gema do RJ: a Bossa Nova. Nara fez o show que deu origem ao musical “Pobre Menina Rica”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes.
Em 1964, estrelou o musical “Opinião”, de Augusto Boal, ao lado de Zé Ketti e João do Vale. No show, cantores contam as suas histórias, com música.
Em 65, passou a ficar mais conhecida, não somente por sua belíssima voz, mas pelas opiniões em temas polêmicos, como a ditadura, no rádio e na TV. A extensão vocal de Nara era de mezzo-soprano lírico, aliás Além de Bossa Nova, também cantava MPB e samba.
Nara destacou-se em 1966 ao interpretar “A Banda”, de Chico Buarque, que venceu o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Nara também participou do Tropicalismo, movimento vanguardista e revolucionária no Brasil.
Em 1967, Nara tem agenda de shows não somente no Brasil, mas também no exterior, desenvolvendo carreira na Europa. Neste ano, ela casou-se com o cineasta Cacá Diegues, com quem viria a ter dois filhos.
Depois de uma temporada em Paris, onde fez shows, Nara voltou ao Brasil. Em 1968, ela atuou em musicais no teatro. Famosa, o assédio de fãs a incomodava e havia ainda a preocupação com a ditadura. Nara voltou, então, para a Europa.
Ela chegou a pensar em encerrar a carreira, mas voltou atrás. E, quando retornou ao Brasil, participou de alguns filmes. Entre eles, “Quando o Carnaval Chegar”, do marido Cacá Diegues.
Em 1974, Nara gravou discos, participou de festivais e, paralelamente à carreira de cantora, passou no vestibular para Psicologia, uma disciplina que ela sempre quis abraçar. Em 1979, começou a ter problemas de saúde, com desmaios eventuais.
Mesmo assim, viajou pelo mundo para fazer espetáculos e lançou novos discos, nos anos 80. Em 1986, sua saúde piorou. Nara tinha tumor no cérebro e, aos poucos, passou a ter dificuldade em memorizar as letras das músicas.
Em 1987 e 1988, ela ainda fez shows, conseguindo melhorar com o tratamento. Nesse período, recebeu o apoio do ex-namorado Roberto Menescal.
Em 1989, fez sua última apresentação, no Pará. Ao voltar para o Rio, sofreu uma hemorragia fatal. Nara morreu em 7/6/1989, aos 47 anos.
Um série documental sobre Nara foi produzida e faz parte da plataforma da Globoplay. Em “O Canto Livre de Nara Leão”, Chico Buarque diz: “Ela não se deixava conduzir por nada nem por ninguém”.