Abacate: fruta de gordura boa surpreende pelo nome científico
O abacate é uma das frutas mais populares no Brasil. Mas poucas pessoas sabem seu nome científico: persea americana. E o motivo é o seguinte: Persea é o gênero botânico do abacateiro, da família Lauraceae, nome já usado na Antiguidade para árvores aromáticas. O epíteto americana indica sua origem nas Américas, do México à América do Sul.
Em pouco mais de 20 anos, a produção de abacates na Europa e na América do Norte triplicou. Mas, embora a fruta tenha benefícios à saúde, também traz impactos ambientais. Entre eles, o uso de fertilizantes e combustíveis fósseis, que aumentam as emissões de gases do efeito estufa.
Os abacates são nativos da América Central e do Sul, onde o clima quente e temperado fornece condições de cultivo ideais. Com isso, existem centenas de variedades, mas a mais conhecida é a Hass.
Dentro de uma dieta saudável e sustentável, o abacate auxilia na promoção da saúde digestiva por ser extremamente rico em fibras. Elas contribuem para a regularidade intestinal, previnem a constipação e ajudam a manter níveis estáveis de glicose no sangue.
O abacate é uma excelente fonte de nutrientes essenciais, incluindo vitaminas C, E, K, B6, ácido fólico, niacina e riboflavina. Além disso, contém minerais como potássio, magnésio, manganês e cobre.
O fruto também possui teor de gorduras saudáveis, especialmente ácidos graxos monoinsaturados. Eles estão associados à redução do “mau” colesterol e ao aumento do bom colesterol, contribuindo para a saúde cardiovascular.
Com altos níveis de antioxidantes, o abacate favorece a saúde, sendo uma fonte significativa de ácidos graxos monoinsaturados. Eles também têm sido associados a efeitos benéficos na função hepática.
Os nutrientes presentes no abacate possuem propriedades anti-inflamatórias. Isso pode ser benéfico para a prevenção de doenças crônicas relacionadas à inflamação.
Além disso, estudos sugerem que o consumo de abacate pode estar associado à sensação de saciedade, ajudando no controle do peso.
No entanto, na agricultura moderna, a maior parte das plantações de abacate depende muito dos fertilizantes e combustíveis fósseis, o que aumenta as emissões de gases do efeito estufa.
O abacate vai mal em relação à pegada de carbono, que é a quantidade de gases de efeito estufa emitida na produção de um alimento. No caso do abacate, ela é de cerca de 2,1 kg de CO₂e por quilo, mais que o dobro da banana (0,9), mais de cinco vezes a da maçã (0,4). CO₂e é o símbolo de “gás carbônico equivalente”.
Nessa produção e transporte aparecem dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, calculado na forma equivalente ao aquecimento causado por CO₂.
Os abacates costumam viajar por grandes distâncias, sendo transportados de navio, que emitem relativamente pouco carbono. Contudo, a dependência excessiva do transporte por navio criou um sistema alimentar que é vulnerável a choques e interrupções.
Os congestionamentos e gargalos logísticos, surtos de fome ou guerras em uma parte do mundo podem gerar interrupções ou falta de alimentos em muitos outros países.
O problema deve aumentar à medida que a crise climática se aprofunda. Consumir mais alimentos de fontes locais pode aumentar a resiliência e ajudar a proteger contra a escassez de alimentos no futuro.
Os abacateiros são plantas que consomem muita água, mil litros por quilo. O problema principal é que os abacates são cultivados em regiões que já sofrem com a falta d’água.
O maior produtor de abacate do mundo é o México, que enfrenta prolongados períodos de seca. A irrigação das plantações pode prejudicar o acesso à água da população local.
Os abacateiros eram colhidos como alimento de subsistência, exportando apenas o excedente. No entanto, esta prática se alterou, à medida que aumentava a demanda dos Estados Unidos e da Europa
Atualmente, os abacates são cultivados principalmente como produto de exportação. A produção passou a ser de grandes monoculturas, para maximizar a produtividade. Estas monoculturas eliminaram outros produtos nativos e são muito mais vulneráveis à pragas e doenças.
Tudo isso faz com que seja preciso aplicar maiores quantidades de pesticidas químicos e fertilizantes sintéticos. Algo que prejudica a biodiversidade, a qualidade do solo e a saúde humana.
Em algumas regiões, as novas plantações de abacate estão causando desmatamento. Até 25 mil hectares de floresta são derrubados todos os anos no Estado de Michoacán, a principal região produtora de abacate do México.
Michoacán tem uma rica cobertura florestal, que abriga diversos animais ameaçados, como onças, pumas e coiotes. O aumento da produção de abacate por lá pode representar uma enorme ameaça à biodiversidade.
O comércio do abacate pode ajudar a população local, fornecendo renda para os produtores agrícolas, porém eles também irão sentir as consequências ambientais.