Amazon confirma demissão de 16 mil funcionários após disparar email por engano sobre os cortes
Agência BBC

Amazon confirma demissão de 16 mil funcionários após disparar email por engano sobre os cortes

Rascunho de email escrito por executiva foi incluído em um convite de calendário enviado a vários funcionários da Amazon.

Um funcionário da Amazon empilha pacotes em um carrinho em frente a um prédio de apartamentos em Nova York.
Bloomberg vía Getty Images
Em 2024, a Amazon realizou 6,3 bilhões de entregas nos Estados Unidos.

A gigante de tecnologia americana Amazon confirmou que cortará 16 mil empregos, horas depois de informar seus funcionários sobre uma nova rodada de demissões por meio de um email que parece ter sido enviado por engano.

O email, obtido pela BBC, foi enviado na noite de terça-feira (27/01) e se refere à demissão de um grande número de funcionários nos Estados Unidos, Canadá e Costa Rica, uma decisão tomada para "fortalecer a empresa".

Ao perceberem que o email havia sido enviado, a mensagem foi rapidamente apagada.

Na quarta-feira (28/01), a Amazon anunciou cortes de empregos como parte de um plano para "eliminar a burocracia" na empresa.

Beth Galetti, vice-presidente sênior de experiência do funcionário e tecnologia da Amazon, afirmou na quarta-feira que a empresa não planeja fazer "reduções generalizadas a cada poucos meses", referindo-se ao anúncio feito pela Amazon em outubro sobre o corte de outros 14 mil empregos corporativos (executivos, gerentes e equipe de vendas).

"Embora muitas equipes tenham finalizado suas mudanças organizacionais em outubro, outras ainda não concluíram esse trabalho", disse ela.

A Amazon tem aproximadamente 1,5 milhão de funcionários em todo o mundo, dos quais cerca de 350 mil ocupam cargos corporativos.

Em sua confirmação na quarta-feira, a Amazon não especificou onde as demissões mais recentes ocorrerão e nem quais países serão afetados.

Projeto Dawn

Na terça-feira, um rascunho de email escrito por Colleen Aubrey, vice-presidente sênior da Amazon Web Services (AWS), foi incluído em um convite de calendário enviado por uma assistente executiva a vários funcionários da Amazon.

O assunto do convite era "Email do Projeto Dawn" (Projeto Aurora, em português), uma aparente referência ao codinome que a Amazon usa para demissões.

Embora o email deixasse claro que cortes estavam acontecendo na Amazon, os funcionários ainda não haviam sido oficialmente informados.

"Esta é uma continuação do trabalho que temos realizado há mais de um ano para fortalecer a empresa, reduzindo a hierarquia, aumentando a responsabilidade e eliminando a burocracia para que possamos agir mais rapidamente para nossos clientes", dizia o email.

Fachada dos escritórios da AWS na Virgínia, Estados Unidos.
Bloomberg vía Getty Images
A divisão AWS da Amazon é especializada em serviços de dados em nuvem

"Mudanças como essa são difíceis para todos. Essas decisões são difíceis e tomadas com cuidado, enquanto preparamos nossa organização e a AWS para o sucesso futuro", acrescentou.

Os cortes de pessoal já eram esperados pelos funcionários da Amazon há semanas, segundo um ex-funcionário que pediu para permanecer anônimo.

A sensação geral entre os funcionários era de que a gerência pretendia eliminar cerca de 30 mil vagas, acrescentou o ex-funcionário, que deixou a Amazon em outubro, durante uma rodada de demissões.

A empresa esperava atingir esse número de cortes com outra grande rodada de demissões neste mês, seguida por mais cortes até o final de maio.

Embora os funcionários afetados tenham sido incentivados a se candidatar a vagas em aberto na Amazon, o número de vagas era limitado.

Aqueles que não encontraram outra posição receberam indenização proporcional ao tempo de serviço na empresa.

"Hora de repensar"

Desde que o fundador da Amazon, Jeff Bezos, deixou o cargo de CEO há quatro anos, seu sucessor, Andy Jassy, ​​liderou a empresa por diversas rodadas de cortes de empregos.

Jassy também tentou implementar uma cultura de trabalho mais rígida na empresa.

O trabalho presencial cinco dias por semana agora é obrigatório, tornando a Amazon uma das poucas grandes empresas de tecnologia a exigir isso de seus funcionários.

Andy Jassy, ​​CEO da Amazon.com Inc., discursa durante um evento em 26 de fevereiro de 2025.
Bloomberg vía Getty Images
Andy Jassy assumiu a liderança da Amazon após a saída de seu fundador, Jeff Bezos

A Amazon também está focando na redução de custos, incluindo o monitoramento do uso de celulares corporativos pelos funcionários da AWS, de acordo com uma reportagem do Business Insider, em um esforço para limitar um reembolso mensal de US$ 50 que já existia há tempos.

Em um email enviado aos funcionários antes do Dia de Ação de Graças, obtido pela BBC, Jassy disse estar grato pelos "desafios e oportunidades no trabalho", já que "o mundo está mudando em um ritmo muito acelerado".

"É hora de repensar tudo o que fizemos até agora", afirmou.

Na terça-feira, a empresa anunciou o fechamento de suas aproximadamente 70 lojas de supermercado das marcas Amazon, Amazon Fresh e Amazon Go, além da expansão de sua rede de supermercados Whole Foods.

Cortes na UPS

Outra empresa afetada pelas novas políticas da Amazon é a gigante de entregas de encomendas UPS, que anunciou o corte de até 30 mil empregos este ano, à medida que reduz ainda mais as entregas para a empresa de Bezos, seu maior cliente.

A UPS, a maior empresa de entregas de encomendas do mundo, vem reduzindo as entregas para a gigante do e-commerce, alegando que elas são "extremamente prejudiciais" às suas margens de lucro.

A UPS afirma que os cortes de empregos serão feitos por meio de ofertas de indenização para motoristas em tempo integral e sem substituir funcionários que deixarem a empresa voluntariamente.

No ano passado, a UPS anunciou que começaria a reduzir sua dependência da Amazon como parte de um plano de reestruturação que prevê o foco da empresa em clientes mais lucrativos, como empresas da área da saúde.

A empresa cortou 48 mil empregos e fechou 93 instalações até 2025, reduzindo suas entregas para a Amazon, e anunciou que fechará outras 24 instalações durante o primeiro semestre deste ano.

Um funcionário da UPS carrega uma caixa atrás de um caminhão cheio de encomendas.
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A UPS é a maior empresa de entrega de encomendas do mundo

"Estamos nos últimos seis meses do nosso plano acelerado de redução de envios para a Amazon e, até o final de 2026, pretendemos reduzir mais um milhão de pacotes por dia, enquanto continuamos a reconfigurar nossa rede", disse a CEO Carol Tomé.

De acordo com seu relatório anual de 2024, a UPS tinha aproximadamente 490 mil funcionários, dos quais quase 78 mil ocupavam cargos de gerência.

A Amazon expandiu significativamente seus próprios serviços de entrega nos últimos anos, quebrando o domínio da UPS, FedEx e do Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS).

Em 2024, a Amazon realizou 6,3 bilhões de entregas nos EUA, superando tanto a UPS quanto a FedEx.

A projeção é de que a Amazon ultrapasse o USPS em volume de entregas nos EUA até 2028, de acordo com o Índice de Envio de Pacotes da Pitney Bowes.

* Reportagem adicional de Mitchell Labiak

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