Venezuela anuncia libertação de 'número significativo' de presos para 'buscar a paz' e agradece apoio de Lula
Agência BBC

Venezuela anuncia libertação de 'número significativo' de presos para 'buscar a paz' e agradece apoio de Lula

Presidente da Assembleia Nacional não detalhou quantas pessoas nem quem serão os beneficiados, nem mesmo disse se a libertação implicaria na absolvição total dos crimes pelos quais são acusados.

Líder da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, falando ao microfone com três pessoas ao redor
Reuters
Jorge Rodríguez anunciou esta quinta-feira (8/1) a libertação de 'um número significativo' de presos venezuelanos e estrangeiros

A Venezuela anunciou nesta quinta-feira (8/1) a libertação imediata de "um número significativo" de presos venezuelanos e estrangeiros. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, Delcy Rodriguez.

"A fim de contribuir e colaborar com o esforço que todos devemos fazer para a união nacional e convivência pacífica, o governo bolivariano, junto com as instituições do Estado, decidiu colocar em liberdade um número significativo de pessoas venezuelanas e estrangeiras. Esses processos de libertação estão acontecendo a partir deste exato momento", afirmou.

"Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica e sua busca pela prosperidade."

Em conversa com jornalistas, Rodriguez agradeceu ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao ex-presidente do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e do governo do Catar, que, segundo ele, "sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação".

A BBC News Brasil apurou que o Planalto considera que o agradecimento se referiu ao apoio do Brasil de forma geral na crise que o país enfrenta e que o gesto não estaria relacionado especificamente à libertação dos presos, embora Lula e o Itamaraty venham atuando junto ao governo venezuelano para que eles fossem colocados em liberdade.

O presidente da Assembleia Nacional não detalhou quantas pessoas nem quem serão os beneficiados, nem mesmo disse se a libertação implicaria na absolvição total dos crimes pelos quais são acusados.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha informou em um comunicado que a jornalista e ativista venezuelana, com nacionalidade espanhola, Rocío San Miguel, foi libertada.

Madri confirmou também que outros quatro espanhóis foram libertados, algo que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, celebrou como "um ato de justiça e um passo necessário para impulsionar o diálogo e a reconciliação entre os venezuelanos".

Nas últimas horas, circularam rumores sobre o possível fechamento de um dos centros penitenciários mais emblemáticos, o edifício conhecido como Helicoide, em Caracas, depois de Donald Trump anunciar na quarta-feira (7/1) o fim do que ele descreveu como "uma câmara de tortura" na capital venezuelana".

Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal, disse que tem "grandes expectativas quanto à libertação de todos os presos políticos", mas pediu que a libertação seja inserida em "um processo de reconciliação nacional e pacificação" e não seja "um simples gesto" ou "uma ficção de libertar algumas pessoas e prender outras".

Segundo o Foro Penal, 806 "presos políticos" permaneciam em prisões venezuelanas em 5 de janeiro.

Mudanças após a queda de Maduro

O anúncio da libertação acontece poucos dias depois do ataque americano que deixou centenas de mortos e levou à detenção de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no dia 3 de janeiro, na Venezuela.

Trump garantiu que os EUA "governarão" a Venezuela e, na quarta-feira, afirmou que o governo, agora liderado por Delcy Rodríguez, "está nos dando tudo o que consideramos necessário".

A situação dos presos na Venezuela tem sido motivo de controvérsia e negociação há anos.

Organizações de defesa dos direitos civis e relatórios internacionais têm denunciado a prisão de ativistas da oposição, sindicalistas, jornalistas e outras vozes incômodas para o governo de Nicolás Maduro.

A libertação dos chamados "presos políticos" tem sido, há anos, uma das demandas recorrentes da oposição.

As autoridades chavistas acusam frequentemente os presos de crimes como traição à pátria e contra a segurança do Estado, alegando que eles teriam feito parte de planos "golpistas" e "terroristas".

Em julho do ano passado, os Estados Unidos anunciaram a libertação de todos os americanos que permaneciam presos em prisões venezuelanas.

Posteriormente, veio a público que entre os libertados havia um cidadão americano de origem venezuelana condenado em seu país pelo assassinato de três pessoas em Madri, na Espanha.

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