Filho de Maduro declara 'apoio incondicional' à presidente interina da Venezuela
Agência BBC

Filho de Maduro declara 'apoio incondicional' à presidente interina da Venezuela

Nicolás Maduro Guerra classificou prisão de pai como sequestro

Filho de Maduro com um microfone na mão
Getty Images
Nicolás Maduro Guerra, deputado na Venezuela, discursou na Assembleia Nacional do país a favor de Delcy Rodriguez

Nicolás Maduro Guerra, filho do líder venezuelano Nicolás Maduro, manifestou "apoio incondicional" à presidente interina, Delcy Rodríguez — contrariando rumores de uma possível traição por parte de Rodriguez contra seu pai, detido em um ataque dos Estados Unidos no último sábado (3/1).

Delcy Rodriguez é aliada de Nicolás Maduro e atuava desde 2018 como vice-presidente da Venezuela. Ela tomou posse nesta segunda-feira como presidente interina do país, em uma cerimônia realizada no Parlamento.

O filho de Maduro, que é deputado, discursou nesta segunda-feira (5/1) na Assembleia Nacional da Venezuela.

"Eles podem ter sequestrado Nicolás e Cilia [esposa de Nicolás Maduro pai], mas eles não sequestraram a consciência de um povo que decidiu ser livre. Para você, Delcy, meu apoio incondicional para essa dura tarefa que está diante de você. Conte comigo. Conte com a minha família. Você pode contar com a nossa força para dar os passos corretos à frente dessa responsabilidade que hoje cai sobre você", declarou Maduro Guerra.

"Estou convencido de que com união e mais união, nós vamos vencer. Estamos firmes, em unidade absoluta, para alcançar os objetivos da paz na Venezuela, para fazer o país avançar e para que Nicolás retorne — e eu peço que ele retorne", acrescentou.

Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram detidos no último sábado durante um ataque surpresa dos Estados Unidos a Caracas.

A detenção deles foi anunciada nas redes sociais pelo presidente americano Donald Trump.

O casal foi levado para Nova York, onde deve ficar preso enquanto responde pelas acusações de tráfico de drogas e outros crimes.

Durante seu discurso, o filho de Maduro classificou a detenção do pai como um "sequestro", criticou a ação dos EUA e disse que "nenhum país está seguro".

"Estamos diante de uma perigosa regressão para toda a ordem mundial. O direito internacional existe para conter impérios e, sem ele, o mundo retorna à lei da selva. Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro. Hoje é a Venezuela. Amanhã pode ser qualquer nação que não se submeta."

A Suprema Corte da Venezuela já havia determinado que Delcy Rodriguez assumisse a chefia do Estado diante da "ausência forçada" de Maduro, conforme prevê a Constituição.

Durante a cerimônia de posse, a presidente interina afirmou que assumia o cargo "com dor, devido ao sofrimento que foi causado ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria".

Rodríguez se referiu a Maduro e à esposa dele como "dois heróis" e prometeu garantir a paz no país, além da "tranquilidade espiritual", "econômica" e "social" do povo.

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