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Política

Veja vídeos de delações com executivos da JBS

O conteúdo das delações foi liberado pelo STF nesta sexta-feira, 19

15:35 | 19/05/2017

O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou, nesta sexta-feira,  19, dezenas de vídeos da delação premiada dos executivos da JBS, a maior companhia de proteína animal do mundo. A divulgação ocorre dois dias após vir à tona o bombástico conteúdo da gravação de uma conversa onde, supostamente, o presidente Michel Temer (PMDB) dá aval para "compra" de silêncio do deputado cassado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde outubro do ano passado, na Lava Jato.

Diretor de Relações Institucionais e governo na holding J&F, Ricardo Saud declarou que, em 2014, a empresa tinha uma "obrigação" com o Partido dos Trabalhadores (PT). Para evitar que Aécio Neves se sobressaísse na corrida eleitoral para a presidência, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria pedido aproximadamente R$ 43 milhões para ratear entre senadores do PMDB e garantir apoio à Dilma Rousseff.

Dentre os beneficiados estariam Renan Calheiros, Eduardo Braga, Jader Barbalho, Valdir Raupp e Eunício Oliveira. O esquema de pagamento de propinas em conta corrente do PT e PMDB, segundo Saud, era comandado pela chapa Dilma-Temer. "Michel Temer participava de tudo e Dilma um pouco, mas distante".

 

Em delação realizada no último dia 7 de abril, Joesley Mendonça Batista, sócio do Grupo JBS, aparece ao lado de seu advogado Francisco de Assis e Silva. Segundo o executivo, nos últimos anos, chegou a desembolsar R$ 400 milhões como doação oficial para políticos, incluindo senadores, deputados e presidentes da república. 

 

Braço direito de Joesley Batista, Ricardo Saud admite que o grupo JBS participou "ativamente" da campanha eleitoral de 2014 e, inclusive, pagou R$ 80 milhões para financiar a candidatura de Aécio Neves à presidência. Apesar disso, o presidente do PSDB continuou a pedir dinheiro para pagar dívidas, incluindo dois advogados.

O empresário Joesley Batista declara que pagava propina a dirigentes de fundos de pensão, como o Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petros (Petrobras). Cita ainda Mantega como responsável pelo intermédio de propinas ao PT.

 

Joesley afirmou ainda em sua delação que Eduardo Cunha e seu operador Lúcio Funaro teriam montado um esquema de corrupção no Ministério da Agricultura. O objetivo dos dois era favorecer empresas do grupo para, em troca, receber propinas.

 

Joesley conta que pagou R$ 30 milhões ao então líder do PMDB, Eduardo Cunha, para financiar sua candidatura a presidente da Câmara, lançada em 2014. O dinheiro, alegava Cunha, seria destinado para o pagamento de terceiros (deputados). Ele teria pedido a Joesley R$ 20 milhões para "comprar deputados" e, em contrapartida, mantinha a desoneração da folha de pagamento no setor de aves.

 

Os R$ 30 milhões solicitados por Cunha no final de sua campanha à presidência da Câmara foram pagos pela JBS de três formas distintas: em espécie, por doação oficial ao PMDB e por notas frias.

  

Em outro trecho da delação, o empresário diz que o ex-vice presidente da Caixa Econômica Federal, Antonio Carlos, intermediou o pagamento de propina para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Michel Temer, Marcos Pereira (PRB). 

 

Na véspera da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Joesley recebeu a visita do deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) em sua casa. Bacelar pediu propina para "comprar" 30 deputados para tentar evitar o impeachment. Mas só conseguiu "comprar" cinco deles por R$ 15 milhões. Com a queda de Dilma, o executivo interrompeu o pagamento, mas continuou a receber cobranças de Bacelar.

 

Também dono da JBS, Wesley Mendonça Batista admitiu que ele e demais executivos da empresa cometeram "ilícitos ao longo de alguns anos" e que aceitou participar de colaboração premiada por "livre e espontânea vontade", pois era "o certo a ser feito".  

 

Dando continuidade à sua delação, Wesley implica ainda o deputado federal e ex-governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT. O empresário diz que, como o caso aconteceu em 2003, não sabe precisar o valor e nem a forma de pagamento da propina, a partir da qual o grupo obteria 20% de redução sobre o valor pago em ICMS no Estado. 

 

Irmão de Joesley, Wesley afirmou em sua delação premiada que pagou ao ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), Gilberto Kassab, um mensalinho de R$ 350 mil, por meio de notas fiscais frias. O sobrepreço era cobrado todos os meses em cima do aluguel de uma frota de caminhões pertencente a Kassab, utilizados em um frigorífico da JBS. 

 

+ Confira todos os vídeos das delações no canal do O POVO no Youtube

Redação O POVO Online