Grupo Clariô de Teatro apresenta peça sobre a Irmandade Caldeirão

O Grupo Clariô de Teatro estreou em São Paulo, nesta quinta, 18, com a peça "Boi Mansinho e a Santa Cruz do Deserto"

19:56 | Mai. 19, 2023

Por: Ana Louise Gadelha
Cleydson Catarina em cena de Boi Mansinho (foto: Divulgação/ Victor Paris )

Na última quinta-feira, 18, o espetáculo “Boi Mansinho e a Santa Cruz do Deserto” estreou no Sesc Pompéia, em São Paulo.

Encenada pelo Grupo Clariô de Teatro, a peça tem direção de Naruna Costa, primeira diretora negra a ganhar o Prêmio APCA de Melhor Direção, e do multi-artista cearense Cleydson Catarina.

"O que desejo é apenas a busca por alguma justiça de visibilidade artística e de comunicação, algo de certa forma difícil em nossos tempos cheios, confusos e rápidos”, desabafou ao Vida&Arte Alan Mendonça, autor do texto da peça, sobre o alcance da obra.

Vencedor do Prêmio Ideal Clube de Literatura, em novembro de 2022, Alan explica que a peça é baseada na história real da Irmandade Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (CE), uma comunidade autônoma, liderada pelo beato José Lourenço, que foi dizimada pelo 1º bombardeamento aéreo das Forças Armadas Brasileiras, durante o governo de Getúlio Vargas.

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No espetáculo, o Grupo Clariô - coletivo de artistas negros que celebra 20 anos de trajetória em 2025 - faz um paralelo entre a perseguição à irmandade liderada por Zé Lourenço e a narrativa de uma fictícia comunidade de Boi Bumbá, formada na periferia de São Paulo dos tempos atuais, por um dos últimos sobreviventes do Caldeirão, o Mestre Joaquim.

“O afeto da comunidade por esse boi, preto, tal qual o Beato Lourenço, instigou os poderosos de alpendre, farda e batina, a iniciarem ações explícitas de ataque à identidade simbólica daquele povo”, explica o ator e diretor Cleydson Catarina.

Em uma história não linear, “Boi Mansinho e a Santa Cruz do Deserto” segue a estrutura da “liturgia do boi”, conectando passado e presente, com histórias de lutas que se repetem ao longo dos anos.

“Também saudamos a memória da Beata Maria De Araújo, negra que realizou o milagre que deu origem às romarias em Juazeiro, mas que teve sua história e seu corpo literalmente apagados. Debatemos o epistemicídio que estrutura nossa sociedade e usamos tambores, danças e cantos para reverenciar nossa ancestralidade”, afirma Naruna Costa.

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A peça segue em temporada das quartas aos sábados às 20h30min, e nos domingos às 17h30min, no teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Com classificação etária de 14 anos.

Peça Boi Mansinho e a Santa Cruz do Deserto

  • Quando: até o dia 11 de junho; de quarta a sábado, às 20h30min; e aos domingos às 17h30min. Dia 08/06 (feriado) às 17h30
  • Onde: Teatro do Sesc Pompéia (rua Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)
  • Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Venda online e presencial.
  • Ingressos à venda: no site do Sesc SP
  • Mais informações: no Instagram @grupoclariodeteatro

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