O que é o Vírus Nipah? Saiba tudo sobre a doença e por que ela preocupa
Segundo a OMS, a doença tem alta taxa de mortalidade, entre 40% e 75%; saiba mais sobre o vírus que tem morcegos frugívoros como vetores
22:25 | Fev. 03, 2026
Desde dezembro do ano passado, casos do vírus Nipah têm causado alertas de saúde globais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença tem alta taxa de mortalidade, variando entre 40% e 75%.
Com os dois registros confirmados na Índia, países vizinhos - Tailândia, Nepal e Taiwan - retomaram protocolos sanitários rigorosos como os aplicados durante a pandemia da Covid-19, como triagens em aeroportos.
A transmissão do vírus acontece, principalmente, pela ingestão de alimentos ou pelo tato com superfícies contaminadas por secreções de morcegos frugívoros, principais vetores do vírus.
Por isso, países ao redor do mundo estão em alerta a cada atualização da doença, entre eles, o Brasil; veja todos os detalhes sobre o vírus Nipah a seguir.
Vírus Nipah: entenda o risco da doença
Identificado pela primeira vez em 1998, na Malásia, surtos pontuais do Nipah aconteciam no sul e sudeste asiático, mas eram rapidamente controlados pelas autoridades sanitárias.
Atualmente, a preocupação é centrada no potencial de contaminação do vírus em outros países. Com os registros, a atenção também está voltada para a evolução dos quadros dos diagnosticados, que podem ser assintomáticos ou fatais.
Segundo pesquisas da OMS, a infecção pode apresentar evolução rápida, agravando o quadro clínico do doente. Os sistemas respiratório e neurológico são os principais afetados.
Apesar do que é descrito como “preocupante” no âmbito regional, a organização de saúde classificou o risco como moderado no território indiano, onde se concentram os casos.
No quesito nacional, regional e global, é baixo. Estudos epidemiológicos, que analisam a distribuição de doenças, evidenciaram que não existem evidências de cadeias prolongadas de transmissão comunitária.
Assim, os casos registrados estão relacionados com a transmissão direta pelo reservatório da espécie do morcego ou de exposições ambientais específicas, mais sensíveis para um contágio.
No Brasil, por exemplo, as possibilidades de um surto nacional são mínimas por ser uma região em que o animal vetor não habita. Entretanto, protocolos de vigilância são mantidos pelo Ministério da Saúde por se tratar de um vírus altamente perigoso.
Além disso, há a questão da biologia do morcego, que limita o contágio entre humanos. Sua transmissão respiratória não é tão alta como os vírus pandêmicos da influenza ou covid-19, por exemplo.
Vírus Nipah: saiba os sintomas da doença
Mesmo sendo descartada a possibilidade de uma futura pandemia, os órgãos de saúde mundiais se preocupam com o potencial da gravidade em diagnosticados.
O vírus é considerado zoonótico, com capacidade de transmissão entre animais e humanos, do gênero Henipavírus, da família Paramyxoviridae. Os vetores são os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, concentrados no sul e sudeste asiáticos.
Em janeiro deste ano, dois casos de infecção pelo vírus foram confirmados pelas autoridades de saúde indianas. Os registros foram em um hospital em Barasat, no sul do país, de profissionais da saúde.
Após a notificação de confirmação de sintomas à OMS, os diagnosticados permaneceram sob cuidados médicos. Até o momento, sabe-se que um deles melhorou e o outro está em estado crítico; saiba quais são os sintomas do vírus Nipah:
- Febre alta;
- Dor de cabeça;
- Dor muscular;
- Dor de garganta;
- Vômito;
- Mal-estar geral.
Em geral, são similares aos de uma gripe forte. Ao agravar, a doença pode evoluir para uma pneumonia ou insuficiência respiratória aguda, que faz com que os pulmões percam a capacidade de oxigenar o organismo como deve.
No entanto, o vírus apresenta maior risco quando resulta em uma encefalite aguda, ou seja, ao inflamar o cérebro. Nesse caso, tontura, sono excessivo e confusão mental são sinais de alerta críticos.
Em seguida, caso piore, o diagnosticado pode sofrer convulsões e entrar em coma em 24 ou 48 horas. A recuperação, à longo prazo, indica a permanência de sequelas neurológicas, como distúrbios convulsivos e alterações de personalidade.
Transmissão entre humanos
A transmissão entre pessoas é rara e ocorre por contato direto com secreções corporais de infectados, principalmente em ambientes hospitalares ou familiares. Até o momento, não há registro de transmissão comunitária sustentada.
Existe vacina contra o vírus Nipah?
Apesar de existir há quase 30 anos, não há vacina contra o vírus de Nipah. Também pela inexistência de um tratamento específico, é recomendado que os contaminados fiquem isolados e monitorem os sintomas.
Desde a confirmação do diagnóstico dos profissionais da saúde na Índia, quase 200 casos foram acompanhados. Todos foram testados negativamente e sem detecção de transmissão comunitária.
Em relação ao Brasil, o Ministério da Saúde confirmou que não há riscos para a população. No entanto, a situação é monitorada a cada atualização.