Advogada presa em Natal foi acusada de tentativa de extorsão por deputado cearense
Parlamentar relatou ao O POVO em novembro de 2025 que foi alvo de ameaças diretas à integridade física e à vida, além de tentativa de extorsão
20:31 | Fev. 13, 2026
A advogada cearense Paloma Gurgel de Oliveira, de 38 anos, é acusada de tentativa de extorsão pelo deputado estadual Simão Pedro (PSD). Paloma foi presa em janeiro deste ano suspeita de integrar uma facção criminosa que praticava extorsões no Ceará e no Rio Grande do Norte.
Conforme publicado pelo O POVO em novembro do ano passado, Simão Pedro denunciou que foi alvo de ameaças à integridade física e à vida, além de uma tentativa de extorsão. O parlamentar contou que as ameaças começaram após um casal tentar aproximação buscando oferecer apoio político em um município onde o deputado não possuía ligação direta e garantindo ter um grupo político estruturado.
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Eles alegaram, conforme a denúncia, ter acesso a emendas de deputados federais em Brasília e buscavam um município de interesse para a destinação dos recursos. Após terem conhecimento da relação do deputado com o Orós, uma pessoa da dupla retornou a contatá-lo para informar ter colocado uma emenda na cidade.
No início de 2025, após ter sido eleito com 58,41% dos votos, Simão renunciou ao cargo de prefeito do Município e a mãe dele, a vice-prefeita eleita Tereza Cristina (PSB), assumiu como prefeita.
O ápice das ameaças ocorreu quando uma terceira pessoa, que seria a advogada, entrou em contato afirmando fazer parte de uma organização criminosa, conforme informou Simão ao O POVO. Ela teria sido a responsável pelas tentativas de extorsão e de ameaças à vida do parlamentar, o intimidando a pagar o valor exigido anteriormente. Além do deputado, seu assessor parlamentar foi alvo das ameaças.
Na época, devido ao teor e à gravidade da situação, o deputado afirmou estar sendo monitorado 24 horas pela Casa Militar, pela segurança da Assembleia e pelo Governo do Estado. Segundo ele, o governador Elmano de Freitas (PT) foi “bem incisivo” e solicitou que o caso fosse resolvido rapidamente.
Pelas redes sociais, ainda em novembro, Simão também informou que foi alvo de ameaças diretas e tentativas de intimidação, inclusive em espaços públicos.
“Nos últimos dias, fui alvo de ameaças diretas à minha integridade física e à minha vida, que também se estenderam a pessoas do meu convívio familiar e profissional. As tentativas de intimidação foram realizadas de forma insistente e irregular, inclusive em espaços públicos”, diz nota publicada no dia 27 de novembro.
No mesmo dia, o PSD Ceará também divulgou nota em apoio ao deputado e considerou que os fatos “ultrapassam o campo pessoal e configuram um ataque direto à atividade política, ao ambiente democrático e ao direito do povo cearense de ser representado com independência e liberdade”.
O partido manifestou apoio integral ao deputado e destacou que está acompanhando o andamento das investigações, realizada pela Polícia Civil (PC-CE).
A advogada foi presa no dia 23 de janeiro no bairro Tirol, em Natal. Além dela, uma mulher de 22 anos foi presa em Fortaleza, no bairro Carlito Pamplona.
De acordo com a PC-CE, as duas foram capturadas por intermédio de mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça do Ceará. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão. O terceiro mandado foi cumprido em um imóvel de um outro advogado, em Fortaleza.
Na ação, realizada com apoio da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, foram apreendidos celulares, notebooks e outros documentos que vão ser periciados para auxiliar nas investigações.