Com galeria cultural onde era mausoléu, saiba o que ocorre com restos mortais de Castello Branco
Restos mortais do ex-presidente Castello Branco ainda seguem sob responsabilidade do governo cearense; secretária trata com netas o destino final
15:40 | Jun. 18, 2025
O governador Elmano de Freitas (PT) inaugurou nesta quarta-feira, 18, a Galeria da Liberdade, espaço que substitui o antigo mausoléu do ex-presidente Castello Branco, primeiro a presidir o País nos anos da ditadura militar.
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Para o petista, um "espaço que representa o poder do Estado do Ceará, o poder político" precisa "ser o espaço que une o povo cearense".
“Nós tínhamos aqui um espaço que efetivamente não combinava com a ideia de unir o povo cearense. E eu tenho absoluta segurança que nós estarmos no Palácio da Abolição e na Galeria da Liberdade, isso une o povo cearense de todas as ideias, de todas as crenças", falou o governador em discurso.
Ele continuou: “E eu tenho uma convicção muito grande que o que nós estamos fazendo aqui é dando um passo muito importante para deixar para trás e que de fato a gente só lembre para nunca mais ter, não é possível nós admitirmos que a sede do nosso Estado seja a sede que lembre o processo que tirou jovens da sua juventude, para tirarmos as suas vidas, para fazer, como fizeram com Eudoro (Santana), desaparecer da sua família, de cassar mandatos".
O chefe do Executivo estadual discursou em defesa do processo democrático: "Nós temos que dizer com muita clareza, ditadura nunca mais no nosso meio. Nós temos que ser amantes da democracia, amantes da liberdade", completou.
Além do governador, a secretária da Cultura do Ceará, Luísa Cela, e o secretário-chefe da Casa Civil, Chagas Vieira, participaram da solenidade. Políticos aliados, como o líder do governo na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Guilherme Sampaio (PT), bem como o presidente da Casa, Romeu Aldigueri (PSB), estavam no evento.
Secretária da Cultura, Luísa Cela comentou a simbologia da ressignificação do espaço. "O espaço já não tinha nenhum tipo de utilização. Em 2016, o Governo do Ceará deu para o Exército o acervo do então presidente Castello Branco, que ficava aqui porque era um comodato. Quando terminou o comodato, foi devolvido todo esse acervo e esse e esse lugar ficou, na verdade, desativado".
"Então essa é uma forma de reativar e de afirmar o compromisso do governo com os direitos humanos e com a história do Estado do Ceará para todas as pessoas (...). O Estado do Ceará é feito por povos indígenas, negros, quilombolas, por pessoas brancas. Então, isso é um encontro que tem lutas, que tem perdas, ganhos, mas que faz a gente ser o estado que a gente é", completou a secretária.
Restos mortais de Castello Branco
Com a mudança do espaço, que deixa de ser mausoléu, o destino dos restos mortais do ex-presidente e da ex-primeira-dama Argentina Castello Branco são negociados com a família. "Venho desde o ano passado em tratativa com duas netas, porque o Castello Branco não tem mais filhos vivos", disse a secretária da Cultura.
"Então, a gente está conversando com os netos, são quatro netos que que eu tenho dialogado com duas. Os restos mortais seguem sob a responsabilidade do governo, com todas as exigências de guarda e de segurança, nessa tratativa de aguardar a definição da família sobre o destino", detalhou Luísa Cela.
A secretária disse, ainda, que "a determinação do governador é o respeito absoluto à memória do presidente Castello Branco e ao respeito à família. Então, a família que nós estamos aguardando, precisa ser um acordo entre os quatro primos, eles precisam entrar em um acordo, se vai para o Rio (de Janeiro), se vai para o Exército".
"O acervo de vestimentas, armas, documentos, que é um acervo pessoal do presidente Castello Branco, foi devolvido ao Exército, inclusive toda essa documentação está com a família", complementou.