Padre Kelmon diz que espera Bolsonaro decidir qual cargo ele deve disputar na eleição de 2026
Kelmon disse que está a disposição do partido, e que Jair Bolsonaro vai decidir qual cargo ele deve disputar
Personagem de memes que marcaram a eleição presidencial de 2022, Padre Kelmon (PL) disse nessa segunda-feira, 10, esperar o convite do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser o candidato a algum cargo nas eleições de 2026. O ex-chefe do executivo federal se encontra inelegível e não está apto a concorrer.
Segundo o religioso, o partido de ambos, o PL, ainda vai decidir qual cargo ele deve disputar na próxima eleição. “Eu pretendo e estou disponível para o PL, o partido decidirá. Tive conversando com o presidente Bolsonaro, e ele me disse: 'Padre nós precisamos do senhor disputando as eleições de 2026, o senhor não pode ficar fora da política. Nos dá um tempinho e nós vamos decidir qual é a sua função, o que o senhor vai disputar, se será para o Senado ou deputado federal'", alegou.
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As declarações de Kelmon foram em entrevista à rádio O POVO CBN Cariri, ao apresentador Luciano Cesário. O ex-candidato esteve em Juazeiro do Norte nessa segunda. Hoje no mesmo partido do ex-presidente, Kelmon disse que Bolsonaro será candidato a presidente, e que não tem interesse em dobradinha com ele.
“Ele (Bolsonaro) vai ser candidato, a gente acredita muito na elegibilidade do presidente Bolsonaro, porque assim como esse STF (Supremo Tribunal Federal), esse TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que descondenou um condenado, esse mesmo pode torná-lo elegível novamente. Nós percebemos que essas pessoas (ministros do STF) são movidos às circunstâncias do momento, então na hora que a corda apertar no pescoço dessas pessoas, então elas vão fazer uma nova leitura da situação política atual”, disse ele ao apresentador.
Para Kelmon, as acusações sobre a candidatura atuar como linha auxiliar da candidatura dele em 2022 de Bolsonaro, isso é “narrativa da esquerda, porque não há o que dizer”.
“Se eu estava com uma dobradinha com o Bolsonaro, eles todos estavam com uma dobradinha com o PT. Todos, Ciro Gomes, Simone Tebet, Soraya Thronicke, e aquele professor (Luiz Felipe D’avila - Novo), todos eles são mais do mesmo. Por isso eu sai em defesa do Bolsonaro, que estava sendo atacado por quatro candidatos de esquerda que tinham o único objetivo, confrontar e atacar o (ex-)presidente”, destacou.
Questionado sobre por que foi o escolhido pelo Partido Trabalhista Brasileiro para substituir Roberto Jefferson na eleição presidencial, Kelmon disse não saber o motivo. “Não sei, só sei que o Roberto Jefferson, nós éramos amigos, e eu trabalhava nos bastidores do partido. Minha função era apenas cuidar da juventude, orientar espiritualmente o Roberto (Jerfferson) e ajudar na reconstrução do estatuto do partido, que o partido passava por uma mudança interna”, respondeu Kelmon.
Segundo ele, tratava-se de mudança ideológica. O PTB surgiu em 1979, como uma legenda de centro-esquerda. Tornou-se uma sigla do chamado centrão e. após a aproximação com o bolsonarismo, Roberto Jefferson queria que o partido se tornasse conservador. Depois de não atingir a cláusula de barreira na eleição de 2022, o PTB se fundiu com o Patriota, dando origem ao Partido Renovação Democrática (PRD).
Kelmon explicou que Jeffeson articulou a candidatura presidencial e escolheu o candidato a vice, o Pastor Luiz Cláudio Gamonal. Segundo o padre, a ideia era o partido ter uma chapa formada por religiosos.
Nessa segunda-feira, Kelmon se reuniu com apoiadores, e na terça-feira, 11, participa da roda de conversa “Fórum do Brasil no Cariri”. O ex-candidato disse que o “fórum do Brasil” foi criado em 29 de junho de 2023 por deputados, senadores e religiosos no Congresso Nacional.
“O objetivo é poder ajudar a sociedade, o povo brasileira a participar das decisões políticas, a fazer política. Nós sabemos que existe um ditado popular que o poder emana do povo, mas o povo precisa de fato entender a sua força política e poder a partir daí tomar decisões que possam ajudar a sí e a sociedade”, destacou durante a entrevista.
Passagem pelo PRTB
Antes de se filiar ao PL de Jair Bolsonaro, Kelmon passou pelo PRTB, com o objetivo de ser candidato à Prefeitura de São Paulo. Entretanto, a candidatura foi negada pela legenda, que preferiu lançar o ex-coah Pablo Marçal.
Respondendo sobre um possível desentendimento com Marçal e a direção da legenda, Kelmon alegou que o presidente do partido chegou a gravar vídeo para divulgar a candidatura dele. "Um mês depois, o mesmo presidente que anunciou o Padre como candidato, eu descubro isso chegando a Roraima, em uma reportagem do Globo: 'Presidente do PRTB troca o Padre Kelmon por Pablo Marçal'", contou.
"A partir dali, eu tentei falar com ele e nunca ele me respondeu” diz Kelmon, chamando Leonardo Avalanche de "covarde" e "canalha'.
"Mentiroso, nunca teve coragem de me enfrentar cara a cara para escutar umas verdades, que um dia ainda irei dizer, ele apenas me trocou por Marçal, não se sabe o motivo”, completou o político.
Passagem pelo Cariri
Para o padre, o "Fórum do Brasil" é um método de fazer política. "Estamos criando para juntar os cristãos, juntar os conservadores, trabalharmos questões de resgate da nossa cultura, dos nossos valores da nossa história, fazer a leitura certa da nossa história, redescobrir as origens da nossa política”, disse Kelmon.
Kelmon disse que morou em Juazeiro do Norte no ano de 2017, para exercer atividades religiosas em uma capela ortodoxa da cidade. O ex-candidato a presidente disse que tem Padre Cícero como referência na política e contra o comunismo.
"Se todos puderem pesquisar no Google, vão encontrar ele já no início do século XX ele recomendando as pessoas a ficarem longe do comunismo. Uma frase dele dizia: 'O comunismo é a religião de satanás'".
Segundo Kelmon, alguns países da América Latina hoje passam pelo que ele chamou de “problema”, se referindo ao comunismo.
Polêmica “Padre de festa junina”
Na entrevista, ele também falou do episódio envolvendo a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) durante o último debate da campanha presidencial, quando a então candidata do União Brasil o chamou de “Padre de festa junina”. Segundo ele, Thronicke o procurou para pedir desculpas.
“Ela não tem nenhuma vivência na igreja. Não levo isso muito a sério, pois ela falou algo sem pensar. Depois nós nos encontramos no Congresso. Ela me vê passar, grita, eu volto e ela me pede desculpas”, relatou Kelmon.