Delação de Mauro Cid; confira o que ex-aliado de Bolsonaro disse

Delação de Mauro Cid; confira o que ex-aliado de Bolsonaro disse

Delação tratou de questões relacionadas à tentativa de golpe de estado, falsificação de dados relativos à vacinação, gabinete do ódio e desvio de joias recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo da delação premiada de Mauro Cesar Barbosa Cid, firmado em 2024 pela Policia Federal. O tenente-coroinel Mauro Cid ocupou a chefia da Ajudância de Ordens do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL), durante todo o mandato do ex-presidente.

Na mesma decisão, Moraes abriu prazo de 15 dias para que os 34 denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira, 18, apresentem suas defesas por escrito.

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O acordo previa que Cid desse detalhes aos investigadores sobre suspeitas de crimes cometidos por ele e por pessoas em seu entorno ao longo do governo, em investigações sobre tentativa de golpe de estado, inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde para falsificação de cartões de vacina, ações do gabinete do ódio ligado à ex-presidência e sua distribuição de Fake News, além da questão das joias trazidas da Arábia Saudita.

O que disse Mauro Cid

Veja resumo dos principais pontos citados pelo tenente-coronel Mauro Cid:

Tentativa de Golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

Mauro Cid narrou a existência de um grupo de pessoas denominado "radicais" que tentaram convencer o então presidente Bolsonaro a executar um Golpe de Estado. Segundo o militar, em novembro de 2022, foi apresentado a Bolsonaro um documento com várias páginas de "considerandos", que retratava as interferências do Poder Judiciário no Poder Executivo, com um decreto que determinava prisões de várias pessoas, dentre elas, ministros do Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado Rodrigo Pacheco e de outras autoridades. Além disso, o documento decretava novas eleições devido à supostas fraudes que teriam ocorrido no pleito de 2022.

De acordo com Mauro Cid, o ex-presidente recebeu o documento, leu e alterou as ordens, mantendo apenas a prisão do ministro Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições. Após os ajustess, Bolsonaro convocou os comandantes das Forças Armadas, para "entender a reação dos comandantes das forças em relação ao conteúdo do documento apresentado".

Segundo relatado, participaram o almirante Garnier, o general Freire Gomes e o brigadeiro Batista Júnior. Mauro Cid afirma que apenas Garnier, da Marinha, mostrou-se favorável à intervenção militar, afirmando que a Marinha estava pronta para agir. A refuta dos demais ao plano apresentado frustrou a ideia de execução do golpe de estado, afirma Cid.

Uso da estrutura do Estado para Inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde para falsificação de cartões de vacina

Mauro Cid relatou a participação dos investigados Max Guilherme, Sérgio Cordeiro e Ailton Barros nos atos de inserção de dados falsos e posterior emissão dos certificados de vacinação falsos contra a Covid-19.

Além disso, o colaborador afirmou que recebeu a ordem o ex-presidente Bolsonaro para inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde em seu nome e de sua filha Laura Firmo Bolsonaro. Cid afirma que os certificados foram impressos e entregues em mãos ao ex-presidente.

Gabinete do ódio

No tópico relacionado a atuação estruturada dos investigados, por meio do autointitulado Gabinete do Ódio (GDO), consistente na criação e a repercussão de notícias não lastreadas ou conhecidamente falsas, com o objetivo de atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização, Mauro Cid relatou que o referido gabinete era composto pelas pessoas de Tércio Arnaud, José Mateus, Mateus, então assessores do ex-presidente Bolsonaro e do filho, Carlos Bolsonaro, vereador pela cidade do Rio de Janeiro.

Segundo o depoimento, as referidas pessoas administravam a conta de diversas redes sociais do ex-Presidente (exceto Facebook e WhatsApp). O militar ainda relatou que o ex-presidente era o responsável direto pelas mensagens, contendo informações falsas, encaminhadas de seu telefone por meio do aplicativo WhatsApp.

Caso das Joias da Arábia Saudita

Mauro Cid descreveu como se deram as operações de venda e posterior recompra das joias desviadas do acervo público brasileiro em benefício do ex-presidente da República, relatando os nomes dos participantes, modo de repasse dos recursos auferidos, valores e estabelecimentos utilizados para alienação, ratificando que o ex-presidente foi quem determinou a venda dos referidos bens no exterior, recebendo por interpostas pessoas os recursos decorrentes das negociações realizadas.

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