Reino Unido cria consulado honorário em Fortaleza de olho em energia, educação e infraestrutura

Reino Unido cria consulado honorário em Fortaleza de olho em energia, educação e infraestrutura

Governo britânico dá novo peso ao Ceará nas relações bilaterais

O Reino Unido está com olhar diferente para o Ceará. Pela primeira vez, o governo britânico nomeia cônsul honorário em Fortaleza. Foi anunciado para a função Bernardo Santana, diretor de Regulação do Sindicato das Industrias de Energia e de Servicos do Setor Eletrico do Ceará (Sindienergia-CE). O novo cônsul honorário foi recebido na quinta-feira, 13, pela vice-governadora Jade Romero (MDB) e pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT). Na noite do mesmo dia, ele participou de happy hour de recepção com autoridades e jornalistas.

Para se tornar cônsul, Santana passou por seleção da missão britânica no Brasil. A escolha dele enfatiza uma prioridade da diplomacia real em relação ao Ceará: energias renováveis. O Reino Unido é líder mundial em energia eólica offshore — produzida em alto mar.

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"Meu papel vai ser a ponte bilateral entre a nação britânica, agora eu faço parte do governo britânico, e o Estado do Ceará", disse Bernardo. Para ter um consulado honorário em Fortaleza, a representação britânica teve de fechar outro consulado honorário, que atuava no Sudeste.

Prioridades

Além de energia renovável, Bernardo Santana aponta outras duas prioridades da atuação: infraestrutura, inclusive saneamento, ferrovias e aeroporto, e a educação, área na qual o Ceará é destaque nacional e reconhecido internacionalmente. Há perspectivas de parcerias desde o ensino de inglês até a educação superior. Além disso, o cônsul honorário pretende também desenvolver trabalho em relação ao turismo.

Santana considera que há conjuntura favorável às relações, pelo fato de o Partido Trabalhista estar no poder no Reino Unido, enquanto o Brasil é governado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). "Tem uma sinergia ideológica", aponta.

Porém, ele acredita que o cenário favorável vem desde antes, quando houve o Brexit. "Quando o Reino Unido decidiu se afastar da União Europeia, do bloco europeu, e abriu os olhos para o mundo. Acho que o Ceará está dentro desse mundo para o qual o Reino Unido abriu os olhos".

Cenário favorável

Cônsul geral britânico do Rio de Janeiro, Anjoum Noorani reforça a alteração de cenário a partir da derrota do Partido Conservador em junho do ano passado. "Muda totalmente em três sentidos. Um são as prioridades. Há novas prioridades de um novo governo. Por exemplo, crescimento econômico. O primeiro-ministro e o ministro das Relações Exteriores, ambos colocaram o crescimento econômico como primeira missão do governo", disse ele, explicando que o deslocamento do eixo de atuação se reflete na diplomacia. "Temos de refletir as prioridades aqui. Buscar mais oportunidades de investimentos".

Uma segunda mudança são as pessoas envolvidas na diplomacia. "São novas pessoas, ministros nos governos. Muitos desses novos ministros não conhecem o Brasil, não conhecem as oportunidades que existem aqui. Temos de trazê-los para conhecer". Ele menciona a visita, no ano passado, do ministro da Segurança Energética do Reino Unido, Ed Miliband. Ele visitou Brasília, por ser a capital, Belém, onde ocorrerá a COP30, e Fortaleza. "Porque a gente quis mostrar a oportunidade que existe", relatou.

A terceira mudança é de alinhamento político. "Por sorte, agora está muito bem em nível nacional. Dois governos, partido Trabalhistas e Trabalhadores, de centro-esquerda, com ênfase em meio ambiente, direitos humanos e igualdade de gênero", disse o cônsul geral. "O momento é muito bom", aponta Noorani, entusiasta das possibilidades do hidrogênio verde.

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