Comandante do Exército elogia almirante Garnier: "Pessoa honrada"

Tomás alegou não ter conhecimento das reuniões mencionadas por Mauro Cid na delação

20:02 | Set. 28, 2023

Por: Luíza Vieira
GENERAL Tomás Miguel Ribeiro Paiva (foto: Comando Militar do Sudeste / divulgação )

Sempre foi uma pessoa honrada”, disse o comandante do Exército, Tomás Paiva, sobre o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha. O almirante foi foi mencionado durante depoimento do tenente-coronel, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), como um dos participantes da reunião com militares da cúpula das Forças Armadas, em 2022. O encontro tinha como objetivo discutir sobre uma minuta que visava pôr em prática um golpe militar no Brasil.

"Eu fui colega dele [Garnier], sempre foi uma pessoa honrada, correta. Eu acho difícil ele ter apoiado uma tentativa de golpe. Mas isso está sob investigação e eu não devo me pronunciar mais sobre isso", declarou Tomás.No entendimento dele, Garnier é uma pessoa "tranquila" e "inteligente ".

Ao ser questionado sobre a delação premiada de Cid à Polícia Federal, o comandante explicou: "O que eu posso garantir é que o meu comandante (general Freire Gomes), quando eu era integrante do Alto Comando, deixou claro que não tinha possibilidade de fazer qualquer coisa que não fosse constitucional”.

Conforme o depoimento de Cid à PF, Jair Bolsonaro apresentou aos militares da alta patente, um plano de decreto para dar um golpe de Estado no país, após o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Naquela disputa, o ex-mandatário foi derrotado pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na mesma declaração, Cid explicou que Garnier mostrou-se favorável às intenções golpistas durante as conversas de bastidor, no entanto, a minuta não contou com o apoio do Alto Comando das Forças Armadas.

À Folha, Tomás informou, nesta quarta-feira, 27, que não teve acesso à delação de Mauro Cid, no entanto, reiterou que Frei Gomes, ex-comandante da Força, cumpriu com as suas obrigações legais.

“Ele (Freire Gomes) definiu que a gente ia seguir o que está previsto na lei, não há nenhum mérito nisso. É cumprir a lei e ponto (respeitar as eleições). A única pessoa que se expressa pelo Exército é o comandante. Ele tem essa obrigação legal" explicou.

Tomás alegou não ter conhecimento das reuniões mencionadas por Cid na delação.

A decisão de Garnier em se colocar à disposição da minuta golpista de Bolsonaro, não agradou o almirantado. O conjunto de chefes da Marinha ainda se opôs ao comandante às vésperas do Natal, em encontro realizado no Rio de Janeiro, quando o chefe militar sinalizou que deixaria o cargo antes da posse de Lula.

No início do terceiro mandato do presidente, mais precisamente no dia 5 de janeiro, o almirante da Esquadra Marcos Sampaio Olsen assumiu o comando da Marinha. Garnier quebrou o protocolo e não compareceu à cerimônia de posse de Marcos.

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