Bielorrússia estaria construindo campos de concentração para opositores

Instalação militar da época da União Soviética teria passado por reformas para se transformar em prisão de opositores e dissidentes políticos; Bielorrússia atravessa crise após acusações de fraude na eleição de 2020

07:00 | Ago. 06, 2021

Por: Bemfica de Oliva
Alexander Lukashenko governa a Bielorrússia desde 1994; oposição acusa governo de ter fraudado eleições presidenciais de 2020 e perseguir dissidentes (foto: SERGEI GRITS)

O governo da Bielorrússia estaria construindo campos de concentração para aprisionar opositores do regime do presidente Alexander Lukashenko. As informações são de um correspondente da CNN no leste europeu.

Segundo a reportagem, uma instalação militar da época da União Soviética teria sido reformada para se transformar em uma prisão. A estrutura recebeu, conforme vídeo obtido pelo jornalista, cercas elétricas de arame farpado, câmeras de segurança e guardas militares, além de vidros espelhados e grades nas janelas.

Em outubro de 2020, o ministro do Interior da Bielorrússia foi flagrado defendendo a construção dos campos, que serviriam para prender opositores mais incisivos do governo. O país tem atravessado uma crise política após acusações de que a eleição presidencial de 2020, que reconduziu Lukashenko ao cargo, teria sido fraudada.

Na próxima segunda-feira, 9, o pleito completa um ano, e espera-se que mais protestos tomem o país na data. A Bielorrússia tem aparecido com frequência no noticiário intercional por ações autoritárias do governo. Veja alguns acontecimentos abaixo.

Governo bielorrusso desviou avião para prender jornalista

Em maio, o governo da Bielorrússia obrigou um avião a pousar na capital do país, Minsk, por haver um opositor do governo a bordo. O vôo, que passou pelo espaço aéreo bielorrusso, não tinha paradas planejadas na região: ele seguia da Grécia para a Lituânia.

Após a interferência no vôo, autoridades europeias orientaram companhias de aviação a evitar o espaço aéreo da Bielorrússia.

Chefe de ONG para refugiados bielorrussos desapareceu esta semana

Outro caso tem despertado suspeitas sobre o governo de Lukashenko. Na segunda-feira, 2, o militante Vitali Chychov, chefe de uma ONG que ajuda refugiados bielorrussos, desapareceu. Morador de Kiev, na Ucrânia, Chychov saiu de casa para fazer atividades físicas e ainda não foi encontrado.

Atleta da Bielorrússia recebeu asilo na Polônia após ser ameaçada na Olimpíada

Também nesta semana, a velocista Krystsina Tsimanouskaya foi peça-chave de um incidente diplomático na Olimpíada de Tóquio. A atleta, que havia ido ao Japão para participar das corridas de 100 e 200 metros rasos, disse ter sido obrigada a participar de outra modalidade pela federação de atletismo da Bielorrússia.

Após criticar membros da comissão técnica do país, ela teria sofrido uma tentativa de repatriação forçada, sendo expulsa da delegação e obrigada a retornar para a Bielorrússia. No aeroporto, antes de embarcar, ela conseguiu alertar às autoridades japonesas e contatar o Comitê Olímpico Internacional (COI) para contar a situação.

Temendo represálias na Bielorrússia, Krystsina, que faz abertamente oposição ao governo de Lukashenko, pediu proteção. A Polônia concedeu asilo humanitário à atleta. Na quarta-feira, 4, ela embarcou em um vôo para a Áustria, seguindo depois para a Polônia.

Além de auxiliar no asilo da atleta, o COI revogou as credenciais dos técnicos envolvidos no episódio e os expulsou da Vila Olímpica. O Comitê Olímpico da Bielorrússia é presidido por Viktor Lukashenko, filho do presidente do país.

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