Manifestação no Aterro da Praia de Iracema cobra justiça por morte do cão Orelha

A morte do cão Orelha, vítima de tortura por quatro adolescentes em Florianópolis, mobilizou protestos em diversas regiões do Brasil

20:05 | Fev. 01, 2026

Por: George Sousa
Manifestantes se reúnem no Aterro da Praia de Iracema para cobrar justiça pela morte do cão Orelha (foto: FERNANDA BARROS)

Manifestantes se reuniram no Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza, neste domingo, 1° de fevereiro, para protestar por justiça pelo cão Orelha. O animal era conhecido como mascote comunitário da Praia Brava, em Santa Catarina (SC), e foi vítima de tortura por quatro adolescentes em Florianópolis, no dia 4 de janeiro. O ato começou por volta das 16 horas e percorreu as ruas até aproximadamente 17h30min. 

A mobilização, que pede por punições mais severas para crimes contra animais, também movimentou a população na avenida Paulista, em São Paulo; em Belo Horizonte (BH), na Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena, região centro-sul de BH; no Rio de Janeiro, e demais regiões do Brasil.

Ato durante a tarde na Praia de Iracema foi organizado pela médica e suplente de deputada federal Mayra Pinheiro (PL), junto a ativistas da causa animal, como a ONG Anjos da Proteção Animal (APA).

A primeira caminhada por justiça aqui na Capital foi realizada nesta manhã, na Beira Mar, em frente ao antigo Boteco Bar, organizado pelo Deputado Celio Studart (PSD) e pelo Secretário de bem-estar animal do Estado do Ceará, Erich Douglas (PSD).

O protesto também contou com a presença de dezenas de animais, a maioria cachorros, que estavam acompanhados de seus tutores.

Confira imagens da manifestação realizada à tarde: 

 

Os manifestantes também exibiam blusas e cartazes durante o percurso, com mensagens cobrando justiça pela morte do animal, além de enfatizar a prática de violência contra animais como crime no Brasil. Frases pedindo o fim do abandono animal também puderam ser vistas. 

Durante o ato, gritos de ordem como: "cadeia, cadeia, assassinos na cadeia", foram entoados. 

O caso do cão Orelha ganhou repercussão nacional, comovendo pessoas e entidades de todo o mundo, que pedem a prisão dos agressores responsáveis pelo crime.

Manifestantes cobram punições mais severas para quem comete crimes contra animais

Tutora de dez animais, a empresária Cláudia, 49, conta que o motivo de participar da manifestação foi sua paixão pelos animais. 

"Eu acho que a gente está precisando realmente fazer alguma coisa para mudar essas leis tão sensíveis que não funcionam. Que o caso do Orelha não seja só mais um, que realmente agora as leis mudem e sejam mais eficazes, porque não é normal as pessoas fazerem uma crueldade tão grande dessas e ficar por isso mesmo", avalia. 

Para a empresária, é difícil que alguém que conheça o caso não se sinta comovido pela situação. "Qualquer ser humano que realmente tenha sensibilidade vai se comover com isso, porque foi muita crueldade, muita ruindade de pessoas jovens, que a lei protege eles", defende. 

A estudante Júlia Lopes, 25, também esteve presente na manifestação acompanhada de sua mãe, a profissional escolar Kátia Lopes, 64. As duas compareceram ao ato para lutar por justiça pelo caso, o qual Júlia afirma que não pode ficar impune. "Não pode ficar assim, não pode haver impunidade contra os jovens que cometeram esse crime", defende. 

As duas foram acompanhadas também pelo cão Apolo, um dos cinco animais resgatados e acolhidos pela família. Apolo foi vítima de atropelamento e é um dos motivos que levaram mãe e filha ao protesto. "Eu achei ele e ele estava com a patinha esfacelada. Então, assim, eu luto muito por isso (...) Nós somos as vozes deles, e eu acho isso importantíssimo para a gente levar ao mundo por eles", ressalta Kátia. 

Para Kátia, a Justiça de Santa Catarina vem sendo morosa em relação à punição aos agressores. "Já era para ter sido resolvido de alguma forma, alguma coisa. Já faz muito tempo, há mais de uma semana que aconteceu e até agora nada. Está todo mundo aguardando o quê? Ninguém sabe. Eu acho que eles têm que pagar", pontua. 

A publicitária Sabrina Veras, 33, confessa estar indignada com a impunidade em relação ao caso. "A gente nota que está sendo muito encoberto, que eles estão camuflando, que a negligência está operando no nosso Brasil", argumenta.

Veras ressalta que a manifestação vai além dos pedidos por justiça pela morte de Orelha, mas por diversos outros animais que passam por situações semelhantes. "Não é só pelo Orelha, é por vários animais. É pelos que não podem mais falar, pelos que foram torturados, pelos que foram mutilados. Nós somos a voz do povo e a voz do povo é a voz de Deus", destaca.

E acrescenta: "Eu espero que os criminosos sejam punidos, e mais do que isso, que as nossas leis se voltem à favor dos animais. Eles que precisam de leis". 

"Foi um caso muito indignante", analisa a estudante de Educação Física Maria Eduarda, 18. "Não é somente esse, existem vários que acontecem isso. A gente tem que lutar pelos direitos deles. Nós que temos animais temos que ir atrás disso, porque isso não pode continuar assim", pondera.

A jovem também se diz a favor da punição aos adolescentes envolvidos no crime. "Eles fizeram isso e estão sendo acobertados. Isso não tem que acontecer (...) Eu tenho só 18 anos, mas eu acho que é muito importante que todo mundo que é mais jovem vir e se juntar a essa causa", avalia.

A participação de jovens menos de 18 anos no crime foi alvo de manifestações políticas em relação ao caso. Presente no ato em Fortaleza, a deputada federal, médica Mayra Pinheiro (PL), que assumiu o mandado como suplente em setembro de 2024 e afastou-se em janeiro de 2025, defendeu o fim da impunidade.

"No Brasil, com 16 anos se pode votar, se pode casar, pode tirar a carteira de motorista; mas com 16 anos não pode responder pelos seus crimes", declarou Mayra.

Confira mais imagens da manifestação

 

(Colaborou Gabriele Félix / Especial para O POVO)