Estudantes, professores e servidores organizam eventos em reação a novo reitor da UFC

Atos e assembleias devem ocorrer durante a semana. Associações, sindicatos e partidos se posicionaram por meio de notas públicas

13:59 | Ago. 20, 2019

UFC ofertará 6.288 vagas em 110 cursos de graduação presencial no Sisu 2020 (foto: Evilázio Bezerra)

O presidente Jair Bolsonaro e o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, nomearam o advogado Cândido Albuquerque como novo reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), sucedendo Henry Campos. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União na noite dessa segunda-feira, 19. Em consulta pública realizada em maio, Cândido ficou na terceira colocação com 610 votos, atrás de Custódio de Almeida (7.772 votos). Em votação do Conselho Universitário (Consuni), Custódio teve voto de 25 conselheiros, contra nove votos para Cândido Albuquerque e oito para Maria Elias Soares. 

Desde a publicação do DOU, parte dos alunos, professores e servidores técnico-administrativos, além de sindicatos e movimentos sociais, mostram-se preocupados e organizam mobilizações. Na manhã desta terça-feira, o O POVO Online esteve na reitoria da Universidade e nas Faculdades da UFC localizadas no bairro Benfica. A movimentação de pessoas seguia normal, mas um clima de desconforto e apreensão podia ser sentido entre estudantes.

Atos e assembleias

Em resposta à nomeação, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) convocou a comunidade universitária para um Conselho de Entidades de Base Extraordinário que ocorrerá nessa terça-feira, 20, às 15 horas, nos Jardins da Reitoria. O Diretório argumenta que “a nomeação se deu à revelia da vontade da comunidade acadêmica”.

A comunidade universitária da UFC realiza ainda hoje um ato às 18 horas, no cruzamento entre as avenidas da Universidade e 13 de Maio. De acordo com a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará (Adufc), a intenção é defender “uma universidade pública, gratuita, de qualidade e democrática”.

Durante esta semana, a Adufc também planeja realizar aulas públicas nesta quarta-feira, 21, que devem ser realizadas pela manhã e pela tarde, por volta de 10h e 15h. Uma Assembleia Geral também está sendo articulada pela Associação.

Posicionamentos

Em nota, a Diretoria Colegiada do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará (Sintufce) afirma que Cândido não tem “estatura para ocupar o cargo ao qual ambiciona, ao aceitar a nomeação, mesmo tendo sido o menos votado na consulta realizada junto à comunidade universitária”.

Além de organizar mobilizações, a Adufc publicou nota na qual afirma que a nomeação do novo reitor é “mais uma medida para causar confusão e prejudicar” a universidade pública.

“A livre discussão de ideias, projetos e problemas é o ar que respiramos. A democracia é nossa atmosfera. Por isso, a nomeação arbitrária do reitor, baseada em compromissos acertados dentro de gabinetes em Brasília, fere a organização mais básica dessa instituição plural e complexa, que, nos termos da Constituição Federal, possui autonomia frente aos governos”, argumenta a Associação.

Já o Partido do Socialismo e Liberdade (PSol-CE) publicou nesta terça-feira, 20, nota pública em que “repudia veementemente a nomeação” de Albuquerque, a quem chama de interventor. Para o partido, trata-se de “mais uma demonstração de desprezo pela autonomia e democracia onde quer que ela possa existir”.

Lista tríplice

O processo de escolha dos dirigentes de instituições federais de ensino superior é regulamentado por decreto de 1996. Conforme a legislação, a cada quatro anos, as universidades federais promovem uma eleição para indicar três nomes que formam a lista tríplice.

A relação é enviada para o Ministério da Educação (MEC) e a escolha é realizada pela Presidência da República. Desde o primeiro governo Lula, todos os gestores escolhidos eram os primeiros colocados nas listas. Contudo, o MEC ressaltou que "não há hierarquia na lista tríplice, ou seja, qualquer um dos três nomes pode ser indicado para o cargo de reitor e vice-reitor".