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Defesa de agente rebate contradições e apresenta depoimento de Renílson, leia

O crime ainda apresenta contradições, porém, polícia civil reforça que caso foi elucidado

12:07 | 30/12/2015
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O caso foi elucidado, segundo afirma a Polícia Civil. A delegada responsável pela investigação diz não ter dúvidas no inquérito. No entanto, o crime traz contradições, incluindo relato de pessoas que testemunharam de perto o homicídio do jovem Jhonny Moura, 22 anos, no último domingo, 27. Como, por exemplo, quem realmente levou o soco?

Em conversa com O POVO Online, o advogado de Renílson Garcia Araújo Lima, Delano Cruz, afirma que não há dúvidas: “O laudo do Instituto Médico Legal, feito logo após a prisão do agente penitenciário, comprova que ele levou o soco”, reforça.
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Porém, nesta terça-feira, 29, o depoimento de uma testemunha contradisse conclusão da polícia sobre crime e a versão de Renilson. A jovem, que pediu para ter a identidade preservada, afirma ter certeza de que Renílson seja o autor do disparo, mas, diferente da versão apresentada pelo próprio acusado, não seria o agente penitenciário o alvo do soco na briga ainda dentro da festa, no bairro Dunas.“Quem fez o disparo, eu não tenho dúvida, até porque saí correndo atrás dele, foi o Nil (Renílson). Mas na briga lá dentro, o Nil estava próximo de um rapaz alto, branco, de barba rala e foi esse rapaz quem levou o soco na briga. Tentando separar, a namorada dele (do Jhonny) caiu no chão e eu saí correndo pra avisar na recepção o que havia acontecido. Quando voltei um minuto depois, o Nil estava empurrando o cara, balançando a cabeça e olhando pro Jhonny, provocando”, relata.

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Contradições
Desde os primeiros relatos, foi divulgado que a pessoa que atirou em Jhonny não seria a mesma que brigou com ele na festa. A informação, contudo, foi negada pela Polícia, que descartou a possibilidade de envolvimento de outras pessoas no crime, embora seja sustentada por testemunha em depoimento.

Para essa contradição, o advogado Delano Cruz afirma que fotos comprovam o depoimento de Renílson. “Temos imagens ao vivo e a cores que confirmam o depoimento dele”, diz.

Testemunhas disseram que o autor dos disparos puxou a cabeça de Jhonny para fora do carro e atirou com a arma encostada na cabeça dele. Já Renílson afirma que atirou de fora do veículo. Segundo a Polícia, somente o laudo pericial poderá comprovar como se deu a ação. Para essa informação Delano ressalta que o próprio depoimento de testemunha derruba essa tese. “Os depoimentos sinalizam que o Johnny abriu o vidro só um pouquinho, como o Renílson poderia ter agarrado ele pelo cabelo?”, questiona o advogado.

Testemunha contou que o assassino saiu de dentro de um carro da marca Volvo, pegou a pistola e foi em direção a Jhonny. Mas, o carro usado por Renílson era Honda Civic.

Depoimento

O POVO Online teve acesso ao depoimento do agente penitenciário, Renílson Garcia. Confira:

"Renílson, a namorada e a cunhada chegaram ao Buffet La Maison para a festa Macnish Vibes; ingeriu Whisky Chivas, não sabe dizer quantas doses; entrou na festa armado com sua pistola cal. 380 porque seu carro não possui fumê e estava no meio da rua;

O interrogando disse que foi revistado na entrada da casa, mas não encontraram a sua arma; o interrogando disse que curtiu a festa e, no finalzinho, quando já tinha acabado o open bar, foi ao banheiro; a namorada, juntamente com a cunhada, ficaram aguardando próximo ao banheiro masculino; quando voltou do banheiro, um cara alto e forte vinha com a namorada dele e cismou que o interrogando estivesse olhando para a namorada, o cara, aparentemente drogado e bêbado, olhou para o interrogando e disse: ,ta ficando doido, olhando para a minha namorada! O interrogando disse: ,ta ficando doido? Nessa hora, os dois ficaram se encarando, quando o cara jogou um copo de bebida no interrogando e, em seguida, deu-lhe um murro na boca;

O interrogando disse que se controlou porque estava armado, inclusive, logo chegou a segurança e os apartaram; o interrogando disse que ficou descontrolado por ter levado um murro sem merecer, pois sequer olhou para a namorada da vítima; o interrogando disse que o homem era alto e forte e o murro foi muito potente; o interrogando falou que sua boca sangrou e logo ficou inchada; o interrogando disse que no momento da confusão se perdeu e saiu sozinho da festa;

O interrogando contou que saiu juntamente com várias pessoas por um portão grande; o interrogando disse que saiu pelo lado direito, procurando a namorada, a cunhada e o carro; não encontrou o seu veículo, um Honda Ci cor preta, placas OCO 8133, e, quando, retornando para procurar novamente o aludido carro, se deparou com Johnny ,em um carro branco, o qual estava no banco de passageiro da frente; nessa hora, Johnny baixou o vidro um pouquinho e o interrogando o reconheceu; acha que Johnny viu primeiro o interrogando;

O interrogando disse que ficou assustado, haja vista que Johnny era alto e forte; como o interrogando estava sozinho, tendo Johnny ainda feito a menção de sair do carro, o interrogando efetuou um único disparo sem intenção de nada, mas de apenas assustá-lo sair imediatamente daquela situação; nesse momento, o ainda continuava vestido de camisa de meia, de cor laranja e muito chamativa, bem como uma calça comprida jeans escuro; usava tênis preto; depois que efetuou o disparo, assustou-se, ficou com medo saiu correndo; logo depois do disparo tirou a camisa, pôs a arma na cintura e a cobriu com a camisa que estava vestido; o interrogando disse que a namorada e a cunhada estavam próximas ao local do crime e do carro, aguardando-o, pois estava com a chave; o interrogando entrou em seu veículo e saiu no sentido do bairro

Papicu, juntamente com a sua namorada, que estava no banco da frente, bem como com a cunhada, que estava no banco traseiro; o interrogando mora com o pai e que, logo após a saída da festa, foi para a sua residência; no dia seguinte, contou esse mesmo fato para o seu pai, que é Escrivão de Polícia. O pai contratou um advogado para apresentar o filho; o interrogando disse que não conhecia Johnny Moura Melo mas que, após o crime, soube que tinham amigos em comum; o interrogando falou que usou sua arma para efetuar o disparo contra Johnny na manhã daquele dia, 27; o interrogando tem 1.70m e pesa aproximadamente 65kg; o interrogando disse que não teve a intenção de matar Johnny, pois havia mais de treze munições e efetuou apenas um único disparo; o interrogando disse que, quando Johnny baixou o vidro, pensou que ele sairia do carro e novamente iria lhe bater; nessa hora, efetuou um único disparo, sem intenção de acertar-lhe a cabeça ou qualquer outra região do corpo; o interrogando, desde o dia do crime, não se alimenta, chora bastante e está arrependido; o interrogando disse que está com a gengiva e os lábios feridos; o interrogando disse que foi preso em sua residência no momento em que estava saindo para o escritório do advogado, Dr. Antônio Delano Soares Cruz, que o acompanhou em seu interrogatório.

Nada mais disse nem lhe foi perguntado pelo que mandou a autoridade que fosse encerrado este termo, que depois de lido e assinado, fica este fazendo parte integrante do Auto de Prisão em Flagrante Delito epigrafado."

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