PUBLICIDADE
Notícias

Programa de videomonitoramento não inibiu chacina na Grande Messejana

Projeto federal "Crack, é possível vencer" promoveu a instalação câmeras de seguranças de 360 graus com longo alcance em regiões críticas de Fortaleza

16:10 | 20/11/2015
NULL
NULL
Criado em 2014 para coibir o tráfico de drogas e a violência em regiões críticas de Fortaleza, o programa federal “Crack, é possível vencer” promoveu a instalação de câmeras de 360 graus com longo alcance, possibilitando o monitoramento de 12 bairros e comunidades da Capital. Apesar disso, o circuito de videomonitoramento não inibiu a ação de criminosos na chacina realizada na madrugada do último dia 12, quando 11 pessoas foram assassinadas na Grande Messejana, em locais contemplados pela vigilância eletrônica.

Por meio do programa, foram instaladas bases e câmeras em três locais: Genibaú, Vicente Pinzón e Conjunto São Miguel. Com o longo alcance do equipamento, os bairros Cais do Porto, Lagoa Redonda, Messejana, Curió, Guajeru, Granja Portugal, Dom Lustosa, Autran Nunes e Morro Santa Terezinha também entram no foco do monitoramento.
[SAIBAMAIS3]
Das 11 mortes na maior chacina registrada em Fortaleza, conforme os dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), nove morreram no Curió, no São Miguel e na Messejana. O POVO Online procurou o órgão para saber se o circuito de monitoramento captou alguma movimentação suspeita ou ação criminosa nestas regiões no dia dos homicídios. "A utilização de imagens de câmeras de monitoramento ou qualquer outro instrumento não é divulgado para não atrapalhar as investigações", informou a pasta em nota. Até o momento, os autores do crime não foram identificados pela Polícia.

No início dos trabalhos da Polícia no caso, foram levantadas três linhas de investigação, uma delas apontava para a retaliação pela morte do policial do 16º Batalhão da Polícia Militar (BPM), na Lagoa Redonda. O secretário de Segurança, Delci Teixeira, disse nesta quinta-feira, 19, que não há comprovação da participação de policiais, mas indícios. Por isso, o caso foi encaminhado para a Controladoria Geral de Disciplina (CGD).

Crack, é possível vencer
O projeto é financiado pelo Governo Federal, com a parceria do Governo do Ceará e a Prefeitura Municipal de Fortaleza. De acordo com a SSPDS, as bases e câmeras do programa foram instaladas entre abril e maio de 2014. O investimento do Governo Federal foi de R$ 2 milhões por base.

"A contrapartida do Governo do Estado é o policiamento. Quarenta policiais atuam por dia em cada base, em duas viaturas e duas motos. O policiamento é feito 24 horas por dia. São sete câmeras instaladas em cada base e mais 19 espalhadas por cada localidade", explicou a Secretaria.

O órgão afirma que, neste ano de 2015, houve uma redução de 81% de homicídios nos territórios assistidos pelo Programa. O POVO Online questionou a SSPDS se todas as câmeras do circuito de videomonitoramento estariam funcionando. A Secretaria não respondeu.

O POVO Online entrou em contato com o responsável pelo projeto "Crack, é possível vencer", em Fortaleza, o capitão Messias Mendes, na última segunda-feira, 16. O militar disse que somente poderia falar com a autorização da SSPDS. Em seguida, foi solicitado ao órgão uma entrevista por telefone com o capitão.

No dia seguinte, a Secretaria informou que Messias estava com compromissos marcados em sua agenda, o que impossibilitava a entrevista. Ainda na terça, O POVO Online esteve na Lagoa Redonda e procurou a base do programa federal. O policial responsável pelo local disse que não tinha competência para falar.

Redação O POVO Online
TAGS