Programa de videomonitoramento não inibiu chacina na Grande Messejana
Projeto federal "Crack, é possível vencer" promoveu a instalação câmeras de seguranças de 360 graus com longo alcance em regiões críticas de Fortaleza
Por meio do programa, foram instaladas bases e câmeras em três locais: Genibaú, Vicente Pinzón e Conjunto São Miguel. Com o longo alcance do equipamento, os bairros Cais do Porto, Lagoa Redonda, Messejana, Curió, Guajeru, Granja Portugal, Dom Lustosa, Autran Nunes e Morro Santa Terezinha também entram no foco do monitoramento.
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Das 11 mortes na maior chacina registrada em Fortaleza, conforme os dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), nove morreram no Curió, no São Miguel e na Messejana. O POVO Online procurou o órgão para saber se o circuito de monitoramento captou alguma movimentação suspeita ou ação criminosa nestas regiões no dia dos homicídios. "A utilização de imagens de câmeras de monitoramento ou qualquer outro instrumento não é divulgado para não atrapalhar as investigações", informou a pasta em nota. Até o momento, os autores do crime não foram identificados pela Polícia.
No início dos trabalhos da Polícia no caso, foram levantadas três linhas de investigação, uma delas apontava para a retaliação pela morte do policial do 16º Batalhão da Polícia Militar (BPM), na Lagoa Redonda. O secretário de Segurança, Delci Teixeira, disse nesta quinta-feira, 19, que não há comprovação da participação de policiais, mas indícios. Por isso, o caso foi encaminhado para a Controladoria Geral de Disciplina (CGD).
Crack, é possível vencer
O projeto é financiado pelo Governo Federal, com a parceria do Governo do Ceará e a Prefeitura Municipal de Fortaleza. De acordo com a SSPDS, as bases e câmeras do programa foram instaladas entre abril e maio de 2014. O investimento do Governo Federal foi de R$ 2 milhões por base.
"A contrapartida do Governo do Estado é o policiamento. Quarenta policiais atuam por dia em cada base, em duas viaturas e duas motos. O policiamento é feito 24 horas por dia. São sete câmeras instaladas em cada base e mais 19 espalhadas por cada localidade", explicou a Secretaria.
O órgão afirma que, neste ano de 2015, houve uma redução de 81% de homicídios nos territórios assistidos pelo Programa. O POVO Online questionou a SSPDS se todas as câmeras do circuito de videomonitoramento estariam funcionando. A Secretaria não respondeu.
O POVO Online entrou em contato com o responsável pelo projeto "Crack, é possível vencer", em Fortaleza, o capitão Messias Mendes, na última segunda-feira, 16. O militar disse que somente poderia falar com a autorização da SSPDS. Em seguida, foi solicitado ao órgão uma entrevista por telefone com o capitão.
No dia seguinte, a Secretaria informou que Messias estava com compromissos marcados em sua agenda, o que impossibilitava a entrevista. Ainda na terça, O POVO Online esteve na Lagoa Redonda e procurou a base do programa federal. O policial responsável pelo local disse que não tinha competência para falar.
Redação O POVO Online