Programa Cisternas entrega quase 29 mil unidades no Ceará em dois anos

O Programa Cisternas do Governo Federal tem 104,3 mil entregas no País e Ceará lidera o ranking com 28,9 mil unidades instaladas; saiba mais

12:55 | Fev. 03, 2026

Por: Isabella Pascoal
CEARÁ lidera a retomada do Programa Cisternas com 28,9 mil unidades (foto: CoÁgua/SDA)

Levantamento exclusivo obtido pelo O POVO mostra que o Ceará recebeu 28.900 cisternas do Programa Cisternas entre 2023 e 2025, período que marca a retomada da iniciativa pelo Governo Federal.

O número coloca o Estado como o que mais recebeu equipamentos no País desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Foram 1.700 unidades em 2023, 12.200 em 2024 e 15.100 em 2025. Este é o maior volume do triênio.

Na comparação entre 2025 e 2022, quando apenas 2.700 cisternas foram concluídas no Ceará, o crescimento chega a 459%.

 

Voltado à captação e ao armazenamento de água em áreas de escassez hídrica, o programa garante abastecimento para consumo humano.

Por exemplo, o uso em escolas, lavouras e criação de animais, além de estimular a agricultura familiar e gerar renda local por meio da contratação de mão de obra das próprias comunidades.

Nordeste concentra entregas

Em todo o Brasil, o Programa Cisternas entregou 104.300 unidades entre 2023 e 2025. Desse total, 88,6% estão no Nordeste, região historicamente mais afetada pela estiagem.

Apenas em 2025, foram 48.900 cisternas concluídas no País, sendo cerca de 43 mil na região.

Alguns estados registraram crescimento expressivo em relação a 2022. Pernambuco passou de 15 unidades entregues naquele ano para 4.400 em 2025, uma alta de 29.200%.

No Maranhão, o salto foi de 19 para 701 (3.500%), enquanto o Rio Grande do Norte avançou de 218 para 2.300 (955%). O Ceará lidera o ranking nacional, seguido pela Bahia, com 21.200 unidades.

O que é o Programa Cisternas

Criado em 2003, o Programa Cisternas promove o acesso à água por meio de tecnologias simples e de baixo custo.

O público-alvo é formado por famílias da zona rural com renda per capita de até meio salário mínimo e equipamentos públicos rurais atingidos pela seca ou pela falta regular de água.

Para participar, é necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal.

Na atual gestão, por meio do Novo PAC, foram contratadas mais de 189 mil unidades, em uma meta total de 219 mil.

O investimento soma R$ 1,7 bilhão, com ações em 1.037 municípios de 19 estados. Desde a criação do programa, 1,34 milhão de cisternas já foram entregues em todo o País.

Tecnologias adaptadas ao semiárido

O semiárido brasileiro é a principal área de atuação do programa. A tecnologia mais comum é a cisterna de placas, com capacidade para 16 mil litros, destinada ao consumo humano.

 

Há também cisternas maiores, de 52 mil litros, voltadas à produção de alimentos e à dessedentação animal.

Outras modalidades incluem sistemas multiuso, cisternas comunitárias e estruturas específicas para escolas públicas rurais, especialmente na Região Norte.

Impacto direto no Ceará

No município de Morada Nova, no Vale do Jaguaribe, o agricultor Francisco Regivaldo Assunção relata que a chegada das cisternas transformou a rotina da família.

Antes, nos períodos de seca, a água era disputada com animais em açudes da região. Hoje, além da cisterna para consumo humano, ele conta com uma cisterna de enxurrada, que garante água para a produção agrícola.

“Antes acontecia de eu chegar para pegar água e ter gado dentro do açude. Hoje, a água vem filtrada do córrego, passa pelos canos e cai direto na cisterna. Isso ajuda muito na produção”, relata.

Em Senador Pompeu, no Sertão Central, 423 cisternas foram entregues desde janeiro de 2023.

 

O agricultor Francisco Linhares destaca que a tecnologia permitiu não apenas o acesso à água potável, mas também a ampliação da produção de ovos, mel, leite, feijão e frutas.

“A seca sempre existiu. A gente precisa aprender a conviver com ela”, resume.

Produção, renda e saúde

Além de garantir acesso à água, o programa tem impactos indiretos relevantes. De acordo com o coordenador nacional da iniciativa, Vitor Santana, há redução de doenças de veiculação hídrica, diminuição da mortalidade infantil e aumento da produção agroalimentar.

“A iniciativa dinamiza a economia local e gera renda para as famílias beneficiadas”, explica.

Para agricultores como Iolanda Santos, da comunidade Paiol, em Parnarama (MA), o efeito é visível. “Antes, a gente plantava só para comer. Hoje, dá para vender e gerar renda”, afirma.

Na comunidade, 124 cisternas foram entregues entre 2024 e 2025.

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