Transnordestina deve realizar terceira viagem-teste ainda em janeiro
A ideia é transportar carga de gipsita e de gesso agrícola em moldes semelhantes aos das duas primeiras viagens
17:42 | Jan. 15, 2026
A Ferrovia Transnordestina deve realizar sua terceira viagem-teste ainda no mês de janeiro. Foi o que informou o diretor comercial e de terminais da TLSA, Alex Trevizan, em entrevista à Rádio O POVO CBN, no quadro Guia Econômico.
Diferentemente das viagens anteriores, que levaram grãos, a ideia agora é transportar uma carga mineral.
“A gente quer nesse mês ainda fazer uma operação com a gipsita. Estamos nos pequenos ajustes finais: ponto de carregamento, ponto de descarga. Porque você tem que olhar a questão do acesso rodoviário”, disse, acrescentando que também deve ser transportado gesso agrícola.
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“Quando você pensa no transporte ferroviário, dificilmente se consegue fazer o transporte no porta a porta, da origem até o destino final. Você sempre precisa do transporte rodoviário para fazer uma primeira perna no transporte, ou para fazer a segunda perna.Então a gente tem que olhar essa questão”, ponderou o executivo.
“Tem a questão de precisar ter um local para estacionar essas carretas, para não gerar aquele tumulto de carretas na rodovia, etc. Então a gente tem que se preocupar com diversos fatores que não envolvem só a ferrovia, mas envolvem a logística como um todo”, prosseguiu Trevizan. “E é isso, a gente está só coordenando essa questão no Ceará. Já em Pernambuco, já tem o ponto onde a gente vai fazer o carregamento, que é lá na cidade de Trindade”, completou.
A primeira operação-teste da Transnordestina ocorreu no dia 19 de dezembro, marcando um novo avanço no projeto ferroviário considerado estratégico para o desenvolvimento do Nordeste. O trajeto experimental foi realizado entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu, no Ceará, em um trecho de 585 quilômetros.
A composição contou com uma locomotiva e 20 vagões, que transportaram uma carga de milho, após cerca de 12 horas de viagem. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDIR), a operação teve como objetivo testar os sistemas de carga, descarga e a operação em marcha ao longo do percurso.
Já a segunda viagem de teste para o transporte de grãos com destino ao Ceará, ocorreu entre os dias 11 e 12 deste mês. A operação teve o deslocamento de 20 vagões carregados com sorgo, que saíram do de Bela Vista do Piauí com destino a Iguatu, no Centro-Sul cearense. A carga foi destinada às granjas da região central do Ceará. Na última operação, também foram utilizados 20 vagões carregados com sorgo, grão amplamente utilizado na alimentação animal.
A avaliação sobre as duas viagens é positiva. "A gente reconhece que a operação atendeu a nossa expectativa, a questão de tempo de carregamento, tempo de percurso da composição da origem ao destino, a própria descarga em Iguatu. Foi um momento histórico para o Ceará, para o Nordeste , para o Brasil. Depois fizemos carregamento de sorgo e que também teve o mesmo desempenho"
Falando sobre as operações futuras, Trevizan afirma que vão ter outros testes com soja e milheto, bem como novas cargas de milho e sorgo. “Além dessas cargas, temos conversado com o pessoal do calcário. O calcário do Ceará é muito rico, ele tem uma boa concentração e é bem aceito, bem visto em todo o mercado da produção agrícola no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Então, também é uma carga que a gente já está pensando em fazer nessa fase de teste”, pontua.
Sobre os terminais de carga, o executivo lembra que “aqui no Ceará, tem se falado muito em Quixeramobim. Lá vai ser um terminal de carga, um terminal multipropósito. Quando a gente fala em multipropósito, voltado para diversos tipos de carga, tanto para recepcionar quanto para despachar, para fazer exportação no futuro ou importação”.
“Iguatu, nesse momento, é o terminal que está mais próximo de ficar finalizado em si. Vai fazer uma recepção de grãos. É lógico que existem outros potenciais, para fazer uma unidade de captação dos granéis sólidos minerais ali da região de Iguatu, no sentido Porto do Pecém, para exportação. Então, conforme a ferrovia vai ficando pronta, vão surgindo outros tipos de negócio”, constata. (Colaboraram Samira Ribeiro e Mariah Salvatore)