Tarifa de 84% aplicada pela China aos EUA começam nesta quinta-feira, 10

No comunicado realizado, a Nação informa que as taxas aplicadas pelo país norte-americano "infringem seriamente os direitos e interesses legítimos da China"

14:10 | Abr. 10, 2025

Por: Maria Clara Moreira
Aumento da taxa foi anunciada ontem, 9, pelo ministério chinês (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os produtos dos Estados Unidos que chegarem à China passam a ser tarifados em 84% a partir desta quinta-feira, 10, conforme anunciado ontem, 9, pelo Ministério de Finanças chinês.

No comunicado realizado, a Nação informa que as taxas aplicadas pelo país norte-americano “infringem seriamente os direitos e interesses legítimos da China, […] e tem um impacto severo na estabilidade da ordem econômica global”.

Com a ação, mesmo após o presidente americano, Donald Trump, ter dado uma guinada na guerra comercial, ao anunciar uma “pausa” de 90 dias nas tarifas aplicadas para dezenas de países, ele aumentou as tarifas alfandegárias da China de 104% para 125%.

Sobre essa questão, Trump explicou a jornalistas na Casa Branca que era “preciso ser flexível”. Ele reconheceu que seu anúncio de uma ofensiva tarifária generalizada na semana passada “assustou um pouco” os investidores e os deixou “febris”.

Entretanto, em sua plataforma Truth Social, o chefe do poder executivo norte-americano acusou a China do que considera uma “falta de respeito” e puniu o País com o aumento nas tarifas citadas acima, “com efeito imediato”.

Mais tarde, Trump disse que “não imagina” ter que aumentar novamente as tarifas. “Não acho que seja necessário. Calculamos com muita precisão”, acrescentou.

Entenda como ficam as taxas

Como mais de 75 países solicitaram negociações, ele autorizou “uma pausa de 90 dias e uma tarifa recíproca substancialmente reduzida durante esse período, de 10%, também com efeito imediato”. Ele os premiou por, segundo ele, não terem retaliado.

Isso significa que mantém o imposto universal de 10% que entrou em vigor no dia 5, no qual já estavam a maioria dos países latino-americanos, incluindo, o Brasil.

Canadá e México também estão sujeitos a um regime especial que implica tarifas de 25% (10% para os hidrocarbonetos canadenses), exceto para os produtos contemplados no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC).

No entanto, ninguém escapa dos tributos anteriormente impostos sobre o alumínio, o aço e os automóveis.

O anúncio de trégua nas tarifas, feito pouco depois da hora do almoço, provocou uma reviravolta nas Bolsas nos EUA e também no Brasil, que passaram a subir com força. O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, fechou em alta de 3,12%. Já o dólar recuou 2,51%, para R$ 5,84, depois de ter batido em R$ 6,06 no começo do dia.

Horas antes da reviravolta, o presidente havia aconselhado aproveitar a queda das bolsas para “comprar” ações.

As pesquisas mostram uma crescente desconfiança dos americanos em relação ao seu presidente. O republicano gerou pânico no mundo inteiro ao anunciar, há uma semana, tarifas alfandegárias adicionais sobre produtos de parceiros comerciais.

A China respondeu anunciando que aumentará as tarifas sobre os produtos dos EUA para 84%, em vez dos 34% inicialmente previstos, a partir de hoje, às 04h01 GMT (01h01 em Brasília).

Ontem, antes do anúncio de Trump, a União Europeia também havia anunciado suas primeiras contramedidas, da ordem de 20 bilhões de euros (R$ 133,7 bilhões) em bens “fabricados nos Estados Unidos”.

A lista inclui produtos agrícolas como soja, aves e arroz. Também prevê sobretaxas de até 25% sobre madeira, motocicletas, produtos de plástico e equipamentos elétricos.

Mas Bruxelas disse estar disposta a suspender as medidas “a qualquer momento” se alcançar um acordo “justo e equilibrado” com Washington. Resta saber como Pequim reagirá ao ataque de Trump, que assegurou que a China “quer” um acordo, mas não “sabe muito bem como fazê-lo”. 

Com AFP

Análise: em meio à guerra comercial, a “falta de respeito” foi da China ou dos EUA? | O POVO News

 

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