Padre diz que bissexuais são "anti-Cristo" durante homilia no interior do Ceará

Sacerdote também pontuou que a manutenção da prisão do ex-presidente não é misericordiosa e criticou ideologia de gênero nas escolas; Dioces irá ouvir o padre antes de definir postura a ser adotada

16:03 | Fev. 03, 2026

Por: Kleber Carvalho
Falas foram realizadas durante homilia de domingo, 1° de fevereiro (foto: Reprodução/Leitor via Whatsapp O POVO)

Um padre do município de Quixadá, distante de 148 quilômetros (km) de Fortaleza, proferiu falas LGBTfóbicas e de cunho político-partidário durante missa realizada no domingo, 1°. Na ocasião, o sacerdote Francisco Wilson afirmou que pessoas bissexuais são "anti-Cristo" e defendeu o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

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As falas ocorreram durante a homilia do padre e causaram estranheza entre os fiéis presentes na celebração. Os principais pontos foram a crítica ao que o sacerdote chamou de ideologia de gênero na sociedade, com enfoque especial nas escolas.

"Se ensina nas escolas que não tem mais homem e mulher porque nasceu homem e mulher. Agora, homem e mulher é a ideia que você tem de si mesmo. Não interessa o seu corpo feminino. Você colocou na cabeça 'eu sou homem' e pronto. [...] Esse é o plano dos que estão no poder hoje. Ensinar isso nas escolas. Jesus não ensina isso. Jesus nos diz homem é homem e mulher é mulher",  afirmou o sacerdote, que também criticou padres que apoiam pessoas LGBTQIAPN+.

"Jesus não é a favor disso. Então é anti-Cristo, independente da condição social. Pode ser até padre. Tem padre que defende a ideologia da libertação, que defende aborto, que defende tomar as propriedade das pessoas e nega que Jesus é o fundador da igreja católica, nega que a igreja é uma religião desde o princípio dos tempos... e é padre", acrescenta em uma das falas.

Outro ponto que surepreendeu fiéis durante a homilia foi a defesa aos condenados pelo ataque a prédios do poder público nacional no dia 8 de janeiro de 2023.

De acordo com Francisco Wilson, a condenação dos envolvidos nos atos bolsonaristas em Brasília à época não é misericordiosa, citando em destaque a manutenção da prisão de Bolsonaro, setenciado a a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado pelo cometimento de cinco crimes diferentes.

"Isso é ser misericordioso? O que fazem independentemente de ser político ou não, mas falando da pessoa humana. O que estão fazendo com o Bolsonaro, que é apenas um que, por política ou não, caiu na mídia. Quantos estão sofrendo a mesma coisa e estavam só ali na praça dos três poderes e estão sofrendo uma verdadeira mutilação, um verdadeiro martírio. Isso é misericórdia?", indagou aos fiéis.

Relatos enviados ao O POVO afirmam que o padre também fez diversas menções de duplo sentido a passagens bíblicas, citando que os que estão na direita irão para o céu e os da esquerda para o inferno.

O trecho referido faria mensão ao capítulo 25 do livro de Mateus, que narra uma cena do juízo final onde Jesus convoca os arrebatados para o céu à sua direita e os impuros e condenados ao castigo eterno à esquerda.

"A gente vai para uma missa na esperança de falar sobre amor, acoilhimento e coisas do tipo. O que a gente ouviu foi totalmente o contrário. Quando foi do meio para o fim, que houve as falas transfóbicas e políticas, gerou um borburinho entre os fiéis. Particularmente não aguentei continuar na missa", conta um dos presentes, que optou por não se identificar por receio de represálias.

Padre será ouvido pela Diocese; sacerdote não quis falar sobre as acusações

Questionada se o caso já havia chegado às autoridades religiosas da região e quais medidas seriam tomadas, a Diocese de Quixadá afirmou ter recebido apenas um trecho isolado da homilia do sacerdorte durante o domingo passado, 1°.

Para evitar precipitações, Francisco será chamado para prestar explicações sobre o caso nos próximos dias. Após isso, a Cúria Diocesana irá decidir se o sacerdote sofrerá algum tipo de sanção ou orientação.

O POVO também ligou diretamente para o padre Francisco e disponibilizou espaço nesta matéria para saber a relação da homilia com a liturgia daquele domingo e se ele tem ciência de que as ofensas feitas são consideradas crime pela legislação nacional. Em reposta, Francisco afirmou que "só quem pode se posicionar é o setor jurídico da Diocese".