Corpo de cearense morta em Portugal chega a Fortaleza nesta sexta
Velório em Fortaleza ocorrerá na Funerária Ternura Sul, localizada no bairro Messeana. No sábado, 14, o corpo seguirá para Aracoiaba, cidade natal de Lucinete
19:30 | Fev. 11, 2026
O corpo da babá cearense Lucinete Freitas, 55 anos, morta no fim do ano passado em Portugal, será trasladado para Fortaleza nesta sexta-feira, 13. A informação foi confirmada ao O POVO pelo marido da vítima, Teodoro Júnior.
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A chegada do corpo está prevista para às 16 horas, em Fortaleza. O velório ocorrerá na Funerária Ternura Sul, localizada na rua General Caiado de Castro, 269, no bairro Messejana. No sábado, 14, o corpo seguirá para Aracoiaba, cidade natal de Lucinete, onde ocorrerão o velório e o sepultamento.
O traslado foi custeado pelo Governo do Ceará, conforme anunciado em janeiro deste ano.
O crime ocorreu no dia 5 de dezembro, na cidade de Amadora, na Região Metropolitana de Lisboa. O corpo da vítima foi encontrado no dia 18 do mesmo mês.
A patroa de Lucinete — apontada como Ilderlane Ferreira, 43 anos, também brasileira — confessou o crime e afirmou ter matado a empregada com golpes de bloco de cimento na cabeça. A cearense atuava como empregada doméstica da acusada e era babá do filho da suspeita.
Em entrevista ao O POVO nesta quarta-feira , 11, Teodoro relata que foi ele quem informou às autoridades portuguesas sobre o perfil da suspeita.
“Minha esposa sempre falava que ela era uma pessoa complicada. Então, eu que passei para as autoridades policiais de lá o perfil dela e, tendo essa suspeita, eles colheram provas e fizeram a prisão dela. Inclusive, fizeram ela confessar e indicar onde estava o corpo; ela levou as autoridades até o corpo.”
De acordo com as informações repassadas à família da cearense, a suspeita foi inicialmente conduzida como suspeita e, após o primeiro interrogatório, teve a prisão preventiva decretada.
Teodoro afirmou que a família ainda enfrenta dificuldades para obter informações detalhadas sobre o andamento do processo em Portugal. O Ministério Público de Portugal informou que o caso corre em segredo de Justiça.
“Não sabe-se, por exemplo, se foi encontrado mais alguém que estava envolvido no crime. O que eu acho bem possível. Nossa advogada justamente está lutando para ter simplesmente acesso ao inquérito, e ainda está tudo barrado. De forma restrita, pelo menos para o advogado e a família, eu acho que a gente deveria ter informação sobre o que está acontecendo, o que já foi colhido de fato, como anda essa situação, até que ponto está”, disse.
Teodoro afirma que soube recentemente, por meio da imprensa portuguesa, que o carro que levou a suspeita e a vítima até o local onde o corpo foi encontrado teria passado por perícia.
“Se foram encontrados vestígios de sangue no carro, possivelmente ela já foi ferida antes de ir para esse local, ou seja, pode ter sido transportado só o corpo. Ninguém sabe se ela foi levada já sem vida para esse local. São perguntas que ainda estão no ar.”
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Marido diz que a cearense nunca relatou conflito direto com a patroa
Teodoro Junior afirma que a esposa relatava desagrado com certas atitudes da patroa, mas não mencionava conflitos. “Pelo menos era o que ela me passava. A gente se falava pelo WhatsApp, por ligação, e dizia: ‘Amor, ela é muito maluca’. Mas eu nunca me preocupei, porque ela nunca disse que elas brigaram, de fato", conta.
Segundo ele, contudo, é possível que a esposa tenha entrado em conflito direto com a patroa e não tenha contado, talvez para poupá-lo de preocupação.
Ainda, segundo Teodoro, na época do crime, a patroa estaria em processo de divórcio do marido. “Eles já estavam se separando, por conta dessa mulher ser muito desequilibrada. Inclusive, minha esposa comentou que o patrão perguntou se ela continuaria cuidando do filho dele”.
Ele cogita que Lucinete possa ter tomado partido em alguma situação, o que poderia ter motivado o crime. “Pelo conhecimento que eu tenho da minha esposa, eu sei que ela é uma pessoa de pulso muito firme, muito enérgica, não tem medo de nada, de enfrentar as coisas. Pode ser que isso tenha acontecido, mas ela não me passava isso.”
“Éramos uma família muito unida”, diz esposo da cearense morta em Portugal
Lucinete Freitas e Teodoro Júnior estavam juntos há 15 anos e o casal tem um filho de 14 anos. Segundo o marido, a família era muito unida, mesmo após a mudança de Lucinete para Portugal.
“Éramos uma família unida, com diálogo, conversa. Ela estava em outro país, mas se comunicava constantemente com a gente. Não haver mais essa comunicação é uma perda, é um vazio que fica. É muito difícil”, descreve a situação.
“Mudou totalmente a minha vida, me afetou por inteiro. Eu não durmo bem, acordo tarde, não consigo mais trabalhar. Estou num processo muito sensível. Isso me abalou profundamente. Estou muito fragilizado. Se para mim já é tão difícil, imagine para o nosso filho. Imagine eu ter que olhar para ele e lembrar do que minha esposa sempre falava: ‘Nosso filho está tão grande, tão bonito’. São lembranças que doem muito”, relata.
O marido afirma ainda que a principal expectativa da família é pela responsabilização dos envolvidos. “O que realmente importa, o que pode aliviar o meu sentimento, é que seja feita justiça. Que todos os que estejam ou venham, porventura, a estar envolvidos paguem”, conclui.