MPCE pede transferência de "Coiote", líder de facção, para segurança máxima

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) aponta Lucas Lima de Almeida como integrante da cúpula do CV e pede isolamento total para quebrar a cadeia de comando

23:13 | Fev. 09, 2026

Por: Jéssika Sisnando
Coiote aparece com Carlos Mateus da Silva Alencar, Skidum", um dos criminosos mais procurados do Estado, líder do CV na região do Grande Pirambu; Jederson Gomes de Oliveira, "Charada", líder foragido no Rio de Janeiro; e Lucas Flávio de Sousa Ferreira, "Modinha", atualmente recolhido na Segurança Máxima (foto: reprodução/MPCE )

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) protocolou um pedido urgente para a transferência do detento Lucas Lima de Almeida, conhecido como “Coiote”, para a Unidade Prisional de Segurança Máxima do Estado do Ceará (UPSM-CE).

Atualmente recolhido na Unidade Prisional Professor José Jucá Neto (UP-Itaitinga 3), o preso é apontado como uma liderança da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

O documento do MPCE desta segunda-feira, 9, obtido pelo O POVO, baseia-se em relatórios de inteligência do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que comprova a ascensão de “Coiote” na hierarquia do crime.

O material aponta conexão direta com a cúpula nacional da facção e seu envolvimento em homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

"Busca-se quebrar a cadeia de comando das organizações criminosas, por meio da segregação e do isolamento de líderes notáveis de tais grupos criminosos, como forma de evitar a ocorrência de novos ataques", afirma o documento.

Segundo o documento do MPCE, entre os crimes citados, destaca-se o homicídio de Denilson de Lima Bandeira, ocorrido em fevereiro de 2021 em Fortaleza.

O crime ocorreu em um contexto de "tribunal do crime", onde a vítima foi executada por ordem da facção sob a falsa suspeita de ser informante da polícia.

A investigação aponta que “Coiote” ocupa cargos de gestão logística e financeira. Ele atuava na intermediação entre fornecedores de drogas de alto escalão e as lideranças locais nos bairros.

Conversas extraídas nos celulares apreendidos 

Em conversas interceptadas, Lucas discute a perda de armamentos em tentativas de assalto e orienta comparsas sobre a defesa territorial do bairro Carlito Pamplona, sugerindo a compra de mais armas. Foram identificados comprovantes de transferências via PIX referentes à arrecadação do tráfico e rifas de armas.

O MPCE identificou pagamentos para a "caixinha" da facção, mensalidade paga por membros, utilizando contas bancárias de terceiros, incluindo a mãe da filha de Lucas, para ocultar a origem ilícita.

"Percebe-se que o custodiado não hesita em executar ordens homicidas emanadas da cúpula da organização criminosa, demonstrando total integração nas articulações da organização criminosa", afirma o documento.

Um dos pontos levantados pelo Gaeco para justificar a transferência é a proximidade de “Coiote” com os líderes mais procurados do Ceará, que se escondem no Rio de Janeiro.

Fotografias com Skidum 

O documento anexa fotografias de Lucas Lima no Rio de Janeiro ao lado de Carlos Mateus da Silva Alencar, “Skidum”, um dos criminosos mais procurados do CE, líder do CV na região do Grande Pirambu, Jederson Gomes de Oliveira, “Charada”, líder foragido no Rio de Janeiro e Lucas Flávio de Sousa Ferreira “Modinha”, atualmente recolhido na Segurança Máxima.

Essa proximidade, segundo o MPCE, prova que o interno integra a cúpula da organização e participa de deliberações estratégicas.

Lucas Lima foi preso no dia 24 de janeiro de 2026, em Jericoacoara, litoral cearense, pelo Departamento de Homicídios (DHPP). Ele havia retornado ao Ceará após um período no Rio de Janeiro.

O retorno teria sido motivado pela morte de seu primo, Luan Carlos Marcolino, “Tubarão”, morto em uma megaoperação policial no Complexo da Penha (RJ) em outubro de 2025.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), através de relatório de inteligência, endossou o pedido, afirmando que a medida é "indispensável à preservação da ordem".