CE tem três cursos de Medicina com nota máxima e um punido por nota baixa

Instituições com notas baixas receberão punições. No Brasil, mais de 100 cursos não atingiram resultados satisfatórios

15:12 | Jan. 19, 2026

Por: Alexia Vieira
Cursos de medicina com nota baixa no Enamed poderão ser impedidos de abrir novas vagas (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Três cursos de Medicina do Ceará obtiveram nota máxima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), conforme o Ministério da Educação (MEC). Os resultados divulgados nesta segunda-feira, 19, mostram ainda que um curso do Estado está entre os que serão punidos por nota baixa.

Em uma escala de 1 a 5, o Enamed é um novo modelo de avaliação que mede o desempenho dos estudantes e a qualidade dos cursos de Medicina do País. Aqueles que tiraram as notas mais baixas, 1 e 2, serão alvos de sanções, como restrições no Fies e proibição do aumento de vagas.

Confira notas dos cursos de medicina do Ceará no Enamed:

  • Universidade Estadual do Ceará (Uece) - 5
  • Universidade de Fortaleza (Unifor) - 4
  • Universidade Federal do Ceará (UFC) Sobral - 4
  • Universidade Federal do Ceará (UFC) Fortaleza - 5
  • Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte (Estácio FMJ) - 3
  • Centro Universitário Christus (Unichristus) - 5
  • Centro Universitário Inta (Uninta) - 3
  • Universidade Federal do Cariri (UFCA) - 4
  • Faculdade Estácio de Canindé - 2

Ao todo, 351 cursos foram avaliados na prova realizada por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Desses, 107 tiveram resultados considerados ruins (notas 1 e 2). Apenas as instituições privadas e públicas federais receberão as sanções, totalizando 99 cursos.

“Nós queremos que esses cursos possam garantir a boa formação dos profissionais nesse País. E para isso, o Enamed vai servir como ferramenta, como termômetro importante nesse processo”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana.

O ministro reiterou que o Enamed faz parte do aperfeiçoamento da modelagem do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), passando a ser anual. “Para que a gente possa garantir o acompanhamento e a supervisão desses cursos”, disse Camilo.

A Faculdade Estácio de Canindé se pronunciou por meio de uma nota unificada da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup). Segundo a Associação, "análises preliminares realizadas por instituições de todo o país indicam divergências entre os dados reportados como insumos em dezembro passado e os resultados divulgados nesta data". A Anup pediu esclarecimentos técnicos ao MEC e ao Inep.

Se inscreveram 89.024 estudantes e profissionais de medicina. Desses 39.258 eram concluintes dos cursos de graduação ofertados no País, sendo a maior parte dos inscritos, mais de 28 mil dos avaliados são de instituições privadas com e sem fins lucrativos e pouco mais de 9 mil de instituições públicas federal, estadual e municipal.

Os melhores desempenhos foram apresentados pelos 6.502 estudantes de instituições federais, que apresentaram uma pontuação média de 83,1% de proficiência, seguido dos estudantes das estaduais, com média de 86,6%, entre os 2.402 inscritos.

Os piores desempenhos foram dos 944 estudantes da rede municipal, que somaram uma média de 49,7% da pontuação máxima, com resultado médio considerado insuficiente pelo exame. Os 15.409 estudantes da rede privada com fins lucrativos também apresentaram uma média de apenas 57,2% da pontuação máxima.

O que acontecerá com os cursos que tiveram nota baixa no Enamed?

De acordo com o MEC, será instaurado um processo administrativo de supervisão para os cursos considerados insatisfatórios. As instituições poderão apresentar defesa e requerer um prazo.

Já as medidas cautelares, como a suspensão do Fies ou da abertura de novas turmas, serão aplicadas conforme a faixa de classificação do curso de forma escalonada, levando em consideração o percentual de concluintes proficientes em cada faixa.

As medidas terão duração até a publicação do Conceito Enade 2026. (Com informações de João Paulo Biage/O POVO e Agência Brasil)