Caso do Cão Orelha: o que se sabe até agora e quem pode ser responsabilizado

Orelha, cão comunitário na Praia Brava (SC), morreu após ter sido agredido por um grupo de adolescentes; veja o que se sabe

12:29 | Jan. 30, 2026

Por: Júlia Honorato
Descrito como brincalhão, manso e dócil, o cão Orelha vivia há, pelo menos, 10 anos sob cuidado da comunidade (foto: Divulgação / Polícia Civil de Santa Catarina)

O caso de Orelha, cão comunitário que foi morto após ser agredido por quatro adolescentes em Santa Catarina, causou comoção nacional, também repercutindo na mídia internacional.

A morte brutal na Praia Brava causou comoção nacional. Orelha foi atacado por um grupo de adolescentes no dia 4 de janeiro. Foi socorrido e levado a uma clínica veterinária que, devido à gravidade dos ferimentos, teve de submetê-lo à eutanásia no dia 5.

Com o decorrer do mês, a situação continua sob análise das autoridades. Entre elas, está a operação da Polícia Civil do estado catarinense.

Saiba, a seguir, o que aconteceu, quem pode ser responsabilidade e o que foi concluído até o momento.

Cão Orelha: entenda o caso

O “mascote” do bairro Praia Brava, como era conhecido pelos moradores da região, foi atacado por quatro adolescentes no local no dia 4 de janeiro.

No dia seguinte, Orelha foi encontrado agonizando e com ferimentos graves. Quando encontrado por pessoas que andavam na área, foi levado a uma clínica veterinária.

Apesar de ter sido socorrido, o cão ainda sofria com as dores. Por isso, passou por uma eutanásia, procedimento considerado para por um fim no sofrimento canino.

Cão Orelha: saiba a sua história

No norte da Ilha de Santa Catarina, a Praia Brava é considerada uma das principais atrações turísticas da capital, Florianópolis.

Os moradores da região se dedicam fielmente ao cuidado dos habitantes de três casinhas. Cada uma é destinada aos cães “mascotes” do bairro e, até o seu trágico fim, Orelha era um deles.

Onde antes era predominante o cuidado e a alegria do cão, hoje é o vazio. Sua ausência tem sido descrita com tristeza pelos moradores das proximidades do local, segundo relatado em entrevistas sobre o caso.

Descrito como brincalhão, manso e dócil, o cão comunitário vivia há, pelo menos, 10 anos sob cuidado da comunidade. Seus cuidados e o dos outros dois cachorros eram revezados entre as pessoas da região.

Após o acontecido, os veículos de comunicação que compartilham o caso destacam a indignação popular. Com isso, entra em destaque a importância e o debate contra o crime de maus-tratos aos animais na sociedade.

Caso do Cão Orelha: saiba o que as investigações concluíram

Apesar de não ter o momento exato registrado, a Polícia Civil de Santa Catarina analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de monitoramento públicas e privadas da região.

Destas, mais de 72 horas foram recebidas. Somado ao colhido, a autoridade reúne mais de 20 testemunhas, que levaram a Polícia a considerar familiares dos adolescentes como suspeitos de coação de testemunhas.

Segundo a Polícia Civil, Orelha foi atacado na cabeça por um objeto sem ponta ou lâmina.

Além deste caso, as imagens permitiram o início da investigação do caso de agressão por tentativa de afogamento contra Caramelo. O cachorro sofreu ataques do mesmo grupo de adolescentes, mas conseguiu fugir.

Caso do Cão Orelha: quem poderá ser responsabilizado?

Além dos quatro adolescentes, dois pais e um tio são investigados. No caso deles, são suspeitos por ameaça e coação de testemunha.

Os nomes dos três adultos indiciados não foram revelados. No entanto, a Polícia informou que o vigilante de um condomínio teria sido a possível testemunha, por ter uma foto que poderia contribuir com o andamento da ocorrência.

Em 26 de janeiro, aconteceu uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão contra os adolescentes e seus responsáveis legais. Por ela, dois dos envolvidos tiveram celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos.

Os outros dois foram aos Estados Unidos logo após a repercussão do caso. Segundo a defesa, a viagem teria sido pré-programada e teve como destino a Disney. O retorno ao Brasil aconteceu na quinta-feira, 30.

Com todos os envolvidos presentes, o julgamento, seguido dos depoimentos, será realizado.

Menores de 18 anos são considerados inimputáveis penalmente, ou seja, não respondem criminalmente como adultos. No entanto, podem sofrer medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Caso Orelha: tudo o que se sabe sobre a morte do cão em SC

Orelha era um cachorro comunitário. Embora não tenha um tutor único ou definido, o animal comunitário vive em uma determinada comunidade (rua, bairro, condomínio) e estabelece laços de afeto e manutenção com moradores ou comerciantes locais.

Eles são cuidados coletivamente, recebendo alimentação, abrigo e, em alguns casos, vacinação e castração.

Após a repercussão do caso Orelha, foi aprovada no estado a Lei n.º 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário. Segundo o governo catarinense, o texto garante que esses animais também precisam ser protegidos pela sociedade e poder público.

Veja o que se sabe até o momento sobre o caso:

Ataque a Orelha

Orelha, um cachorro comunitário de cerca de 10 anos de idade que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina, foi atacado por quatro adolescentes. Muito ferido, ele foi levado para uma clínica veterinária, que o submeteu à eutanásia.

Polícia

Devido à enorme repercussão, a Polícia Civil de Santa Catarina passou a investigar o caso. Em 26 de janeiro foi deflagrada uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os adolescentes e os adultos responsáveis.

Foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos. A polícia também vem ouvindo várias pessoas para entender melhor como tudo aconteceu.

Até o momento, a polícia já ouviu mais de 20 e pessoas e analisou mais de 72 horas de imagens colhidas em 14 câmeras de monitoramento públicas e privadas.

Coação

Familiares dos adolescentes são suspeitos de coagir testemunhas da ação contra Orelha e atrapalhar o andamento da investigação.

Segundo a polícia, dois dos adolescentes estavam nos Estados Unidos, na Disney, numa viagem que já estava programada.

Eles voltaram ao Brasil na noite dessa quinta-feira, 30. A Polícia Civil de Santa Catarina fez uma operação no aeroporto durante a chegada deles, cumprindo mandado de busca e apreensão de celulares

Quem são os adultos?

A polícia não revela nomes, mas informou que entre os parentes ligados aos jovens estão dois empresários e um advogado.

Alguém foi preso?

Até o momento, não há ninguém detido pela polícia de Santa Catarina.

Ninguém foi preso até agora, mas a polícia civil indiciou os familiares dos adolescentes pelo crime de coação.

As autoridades também investigam outro caso de agressão feito pelos adolescentes contra o cachorro conhecido como Caramelo. O animal conseguiu escapar dos ataques do grupo.

Adolescentes podem ser responsabilizados?

Sim, podem. A eles podem ser aplicadas medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Menores de 18 anos são inimputáveis perante a lei. (Com Agência Brasil)