Novas ferramentas são desenvolvidas por engenheiros brasileiros, diz diretor do centro de tecnologia da Uber

Marcelo Azambuja fala sobre a implantação do Tech Center e a necessidade de equilíbrio na operação, além de detalhar a participação desse time em novos recursos para uso global

11:28 | Nov. 18, 2019

Marcello Azambuja, diretor do Tech Center da Uber no Brasil (foto: Luciana Aith)

O primeiro centro de desenvolvimento tecnológico da Uber com foco em segurança na América Latina está no Brasil. O Tech Center começou a operar há quase um ano, sob o comando do diretor Marcelo Azambuja. Do Tech Center Brasil devem sair soluções que serão incorporadas na plataforma ao longo dos próximos anos, pensando principalmente na realidade dos países latino americanos. Os outros estão em Louisville, Nova York, Palo Alto, Pittsburgh, São Francisco e Seattle, nos EUA; em Amsterdã, Paris, Sofia e Vilnius, no continente europeu; e em Bangalore e em Hyderabad, na Índia.

O foco agora, diz Azambuja, é segurança. Para isso, a empresa de tecnologia deve investir R$ 250 milhões nos próximos cinco anos e formar uma equipe de 150 pessoas. "A América Latina enfrenta importantes desafios de segurança e a nossa operação está inserida nesse contexto. Queremos continuar oferecendo mobilidade e oportunidade de geração de renda, sem perder de vista a busca por soluções que diminuam riscos", afirmou Azambuja no Uber Destino 2019, evento onde foram anunciadas pelo menos seis novas ferramentas da empresa.

O executivo trabalhou por 15 anos na Globo.com e ajudou a criar, dentre outras soluções tecnológicas, o serviço de streaming Globoplay, grande aposta do Grupo Globo. Em entrevista ao O POVO, Azambuja fala sobre os processos da empresa no Brasil para a implantação do Tech Center e a necessidade de equilíbrio na operação, além de detalhar a participação desse time nas novas ferramentas para segurança de motoristas parceiros e usuários da Uber no Brasil.

O POVO: Por quais processos o Tech Center em São Paulo está passando?

Marcello Azambuja: A gente fez o anúncio do Tech Center em agosto do ano passado. Eu entrei em dezembro e a gente começou a montar os times de engenharia e de tecnologia como um todo. A gente ainda tá em formação desse time, que tá focado em projetos de segurança. Boa parte dos anúncios feitos no Uber Destino 2019 são de coisas que o Tech Center colaborou com o time de tecnologia de São Francisco. A gente tem um time de tecnologia também na Califórnia, na sede da Uber. E hoje operamos muito de forma colaborativa com o time de São Francisco. A Uber acredita muito na diversidade. Por ser uma empresa global, acreditamos que é importante que isso seja refletido na nossa equipe de trabalho. Ainda que lá tenha gente que cresceu na América Latina, é diferente ter engenheiros que vivem aqui e conhecem a realidade do que está acontecendo.

O POVO: Quantas pessoas trabalham hoje no Tech Center?

Marcello Azambuja: Com o anúncio de uma equipe dedicada para o Uber Eats, estamos chegando a 40 pessoas. A ideia é chegar a 150. Vai depender muito. Não é um número fechado. A gente imagina chegar nisso nos próximos dois, três anos. Mas tem aí a capacidade de contratação, de atrair talentos. Tem uma questão também de não crescer o time rápido demais e isso fazer com que o processo acabe não ficando tão produtivo. Meu objetivo é balancear isso para ter um time saudável, atraindo os melhores talentos disponíveis na região.

O POVO: Você citou no Uber Destino 2019 uma equipe nova para trabalhar especificamente com Uber Eats. O time brasileiro trabalhou em que outras ferramentas anunciadas?

Marcello Azambuja: Quase todos os projetos anunciados foram desenvolvidos com o time daqui junto com o de São Francisco. A maior parte dos engenheiros que desenvolveu o Áudio Recording tá em São Paulo. O DocScann também tem engenheiros em São Paulo que trabalharam na ferramenta. A gente mostrou também essa integração da plataforma de identidade com a Serasa. São projetos do Tech Center em São Paulo. Boa parte dos projetos anunciados são colaborativos entre a equipe daqui com a equipe de São Francisco.

O POVO: Quais desses projetos são inéditos no mundo e chegam primeiro na América Latina?

Marcello Azambuja: O Audio Recording é inédito no mundo. Vamos começar a testar na América Latina, então o piloto é feito aqui. A mesma coisa pro DocScann, que está sendo testado no Chile.

O POVO: E em quais países esses testes começam a ser feitos?

Marcello Azambuja: Depende de uma série de variáveis. Eventualmente, a gente conversa com o time regional pra ver a atratividade do mercado. Aqui no Brasil, estamos testando a possibilidade do motorista parceiro não pegar corridas em dinheiros porque houve engajamento dos motoristas parceiros.

O POVO: E como é esse diálogo com os motoristas parceiros?

Marcello Azambuja: Os motoristas parceiros são o core da empresa. O diálogo com eles é constante. Temos os escritórios de apoio aos motoristas. São mais de 80 no Brasil inteiro. Muito do feedback que a gente recebe é pelo próprio aplicativo. A gente recebe grupos fixo de conversa. Uma outra coisa que a gente costuma fazer, quando há executivos visitando, são painéis focais com motoristas. A gente chama um grupo de motoristas e discute alguma nova funcionalidade, coleta esse feedback pra discutir se algo faz sentido ou não. É comum a gente fazer isso em várias regiões antes de decidir começar a trabalhar em um projeto.

Novidades foram anunciadas no Uber Destino 2019 (Foto: Luciana Aith)

Novos recursos anunciados

Gravação de áudio

Motoristas parceiros e usuários passam a ter opção de gravar o áudio de uma viagem por meio de um botão na Central de Segurança do app, antes ou durante a viagem, em algumas regiões. Concluída a viagem, se desejarem informar algum problema, podem também encaminhar o arquivo de áudio para a Uber. O conteúdo, criptografado, fica armazenado no telefone de quem efetuar a gravação, mas só a Uber tem acesso - se o arquivo for compartilhado com a empresa. O arquivo enviado ao suporte em caso de necessidade pode ser utilizado em investigações ou compartilhado com as autoridades, nos termos da lei.

Doc Scan

Com o objetivo de prevenir que pessoas mal intencionadas usem o aplicativo, a Uber começa a implementar um projeto-piloto do Doc Scan no Chile. Por meio dele, usuários que não adicionarem meios de pagamento digitais no cadastro ou antes de realizar uma viagem serão solicitados a submeter um documento de identificação, que terá dados e autenticidade verificados. O recurso chega ao Brasil no primeiro trimestre de 2020.

Selfie com movimento

Além da selfie que os motoristas já fazem de tempos em tempos para ficar online, o recurso para verificação de identidade do motorista em tempo real passa a solicitar que alguns movimentos sejam realizados - como piscar, sorrir, virar o rosto. Isso trará mais uma camada de segurança e permitirá verificar que o motorista é aquele que se cadastrou no aplicativo. É uma ferramenta voltada à prevenção de fraudes e à proteção da integridade da conta dos motoristas parceiros.

Checagem de rota

Potencializando o poder do GPS e de outros sensores no smartphone, a Uber pode identificar e sinalizar eventos raros, como uma parada longa e não prevista na rota. Se uma parada não prevista for sinalizada, a Uber pode iniciar uma checagem e enviar uma mensagem para o motorista parceiro e o usuário perguntando se é necessário algum suporte, direcionando-o às ferramentas de segurança que podem ajudá-los a obter o apoio necessário. É um primeiro passo em oferecer proativamente suporte aos usuários e motoristas durante uma viagem.

Verifique sua viagem: senha, Ultrassom

Um avanço na ferramenta que recomenda ao usuário conferir as informações para ter certeza de que está entrando no carro certo. O usuário poderá optar por receber uma senha de quatro dígitos, que deve ser dita ao motorista para que ele consiga iniciar a viagem no aplicativo. Além disso, a Uber anunciou que está trabalhando com tecnologias avançadas que usam ultrassom para transmitir automaticamente a senha. No futuro, os números recebidos pelo usuário passarão automaticamente pelo aparelho do motorista, e o usuário vai receber uma confirmação no seu celular (como uma vibração).

Reporte durante a viagem

Permite ao usuário denunciar um problema ainda durante o trajeto da viagem, tal como direção imprudente. Depois da viagem encerrada, ele receberá contato do time de suporte para mais informações e encaminhamento da reclamação.

O repórter Rubens Rodrigues viajou a São Paulo a convite da Uber