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Crush, perto da rebentação

17:00 | Jun. 10, 2017
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Tipo Notícia

Uma amiga viu que o namoro estava no fim quando em um dos derradeiros Dia dos Namorados deu de presente ao amado duas caixas de remédio. Cartelas de Captropil, medicamento receitado para controlar a pressão arterial.


Ela, mesma, depois achou uma derrota ter cometido aquele gesto tão sem romantismo. E, mais ainda, ele ter aceitado os comprimidos sem estranhamento.


Já não havia mais paixão e o alerta para assumir que tudo tinha acabado estalou com as pílulas. Não era mimo que se presenteasse ou recebesse. Coisa feito perguntar o que a pessoa está precisando.

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Após a invenção do presente útil, aquele que tem serventia de voucher, se perdeu meio que a aura de ser surpreendido por algo indizível e refém do apaixonante.


E não precisa ser uma coisa supercara para impressionar, como fez um ex-deputado do Ceará. Depois que a jornalista lhe deu um fora, a ex-sogra foi a Brasília tomar de volta o automóvel e as Vivara. Muquiranice.


Presente é meio a história de surpreender ou a disposição de alguém fazer o outro, por alguns minutos, suspender o juízo ou ter o simples prazer sincero de achar bom ser amado.


Há um rosário de delicadezas. Sem a loucura de coisas sem rumo e que, mais tarde, possa causar arrependimento ou dano.


Como a moça que parcelou em doze vezes o regalo e o romance se acabou na quarta prestação.


Entre amigos meus, um deles tatuou o nome do outro nas costas. Um desamor próprio com desfecho quase certo de constrangimento.


Pode ser preconceito, mas não sinto energia bacana cunhar no corpo o nome de um filho, de pai ou da mãe. Imagine de um favorecido.


Bom, presente do Dia dos Namorados é sempre uma encruzilhada e, às vezes, estressa o que poderia ser fruição. Talvez, as melhores prendas sejam aquelas menos de última hora.


Aquele momento em que você faz qualquer gesto pra cumprir mais uma data. E uma fotografia, numa moldura, faria toda diferença.


Escrevi tudo, mas não sei qual oferenda oferecerei. E não tenho drama com esse dia. Ninguém é obrigado ir ao shopping. E se for, tudo bem. Tentarei algo de, no mínimo, desvelo.


E se eu não tivesse companhia mais chegada? Iria à Praia dos Crush. Pra olhar os começos de beijos e as paixões perto da rebentação...


“Amor é gente querendo achar o que é da gente...”.


DEMITRI TÚLIO é repórter especial e cronista do O POVO [email protected]

 

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