Covid-19: hospital em Fortaleza utiliza placas para facilitar comunicação com pacientes

Gravuras e letras auxiliam comunicação com os pacientes mais debilitados. Humanização do atendimento é um diferencial no processo de recuperação

09:56 | Mai. 16, 2021

Por: O Povo
Psicóloga Fernanda Sousa teve a ideia de implementar ferramenta no Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (foto: DIVULGAÇÃO HMJMA)

A equipe de psicologia do Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), em Fortaleza,  adotou um tipo de comunicação alternativa para pacientes que passaram por um longo período de intubação: placas com gravuras e letras. A iniciativa partiu da psicóloga Fernanda Sousa e é baseada em equipamento criado pela Faculdade de Fonoaudiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

“Quando a pessoa é intubada por um longo tempo, e é realizada a traqueostomia, que é a retirada dos tubos da boca para a traqueia, ao acordar, esse paciente pode se dar conta da limitação de fala. É aí que as placas entram para ajudar”, explica Fernanda. Em alguns casos da doença, o paciente pode sofrer complicações e ser internado, o que impossibilita a comunicação oral com a equipe médica.

As placas, além de incluir todas as letras do alfabeto e indicações afirmativas e negativas, têm até seis símbolos que descrevem necessidades pessoais, físicas, emocionais e sociais do internado. “Essas pranchas de comunicação proporcionam ao paciente um meio de elaboração de suas próprias demandas, que podem ser tanto físicas, quanto emocionais. O nosso instrumento é a escuta, e vimos a necessidade de levar a eles essa escuta adaptada”, afirma a psicóloga.

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Para o médico gestor do setor Covid-19 do hospital, Rafael Cunha, a humanização do atendimento é um diferencial no processo de recuperação. “Isso tudo torna bem mais leve a estadia dos pacientes no hospital, o que certamente colabora com seu processo de cura.” Ele afirma que o alívio que o internado tem ao se comunicar também é compartilhado com os demais membros da equipe.

Recuperação


Os resultados benéficos das placas podem ser atestados por meio de depoimentos, como o de Francisco Oliveira Maia, 59, primeiro paciente do hospital a utilizá-las. Ele conta que, ao ser internado, a comunicação dele estava restrita às movimentações de seu braço esquerdo e, sem a ferramenta, não teria conseguido falar com seus familiares. “Eu ia apontando para a letra na placa, e ela (a psicóloga) formava as perguntas e as fazia para a minha família”, relata.


O fabricante de sal, que agora se recupera em casa, no município de Icapuí, passou 25 dias intubado e sugere o uso das placas em outros hospitais. Segundo ele, a agonia sentida ao perceber que não podia falar foi amenizada com a utilização da ferramenta. Francisco teve alta no último dia 15 de abril e continua fazendo fisioterapia em casa.

A psicóloga Fernanda Sousa conta que a metodologia de comunicação alternativa ainda está em fase de teste, mas já foi aplicada em outros dois pacientes do hospital. A previsão é que mais pacientes possam ser beneficiados.

Euziane Bastos
Especial para O POVO