PUBLICIDADE

Muitas cidades em Fortaleza

00:00 | 09/06/2019

Cabem várias cidades em uma só. Isto explica por que ao tempo em que nasce um novo viaduto, haverá uma comunidade ávida por algo elementar, como mais coleta de lixo. Para cada investimento em um novo corredor de ônibus, existirá o pleito por pavimentação, mesmo em pedra tosca, no subúrbio. Cobranças por melhor atendimento nos hospitais e postos de saúde (sobretudo quando o prefeito é médico) ou por escolas melhores persistirão. Equilibrar estes pratos em Cidade tão diversa não é fácil. Mas é a condição para quem se propõe a governar um lugar de poucos ricos e tantos pobres. Gestões cautas com a periferia, mas desatentas às demandas da Cidade classe AB, costumam cair em desgraça, dado o maior poder de reverberação da Acrópole.

Quando a agenda de obras inclui viadutos na área mais desenvolvida, é difícil para o cidadão que mora longe entender que aquele investimento mira na redução do tempo de viagem dele, fazendo-o ir e voltar mais rápido. Ou ainda, que as ações nas zonas turísticas têm impacto na captação de visitantes e, por tabela, na economia (mais indústria, comércio e serviços). Vide novo aterro na Praia de Iracema ou uma "Rambla" na Desembargador Moreira. E seria exigir muito mesmo esta compreensão quando no bairro em que mora falta algo do básico, como o saneamento. Nessa hora, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) tem de lidar com a pecha de "prefeito da Aldeota", "prefeito dos ricos". É natural que assim seja.

A propósito, Rodrigo Ferreira Madeira, no artigo intitulado "O setor de saneamento básico no Brasil e as implicações do marco regulatório para a universalização do acesso" enumera impactos diretos sobre a saúde pública, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico de um país. Ele afirma: "O aumento dos investimentos no setor pode ser considerado como parte de uma estratégia de amplo desenvolvimento econômico e social". A listar: geração de emprego, a agregação de valor a outras atividades (como o turismo e o setor imobiliário) e o fluxo de renda para indústrias que fazem parte da cadeia produtiva.

Quando uma Cidade ainda tem como passivo redes de esgoto, aumenta a pressão sobre quem governa em tudo o que venha a fazer. Sobretudo, longe da periferia.

 

Apenas aplicar o regulamento

Há uma série de medidas que uma Prefeitura pode tomar e cujo custo para implantação é baixíssimo. Custo afundado, como dizem no setor privado. Traduzindo, usar a máquina para obter resultados. Na prática, fiscalização na rua para reprimir as infrações. Um exemplo micro: esta semana, a nova avenida Aguanambi era vitrine para produtos à venda amarrados à jovens palmeiras plantadas há não muito tempo. Nos idos de 2014, a avenida Bezerra de Menezes, até então mais amigável aos pedestres, pois tinha árvores no canteiro central, e em plena efervescência pela Copa do Mundo, abrigava vendedores de camisas e bandeiras. Cinco anos depois - sim, já faz meia década - as árvores não mais há, mas os vendedores de tudo seguem enraizados. Acontece o mesmo até na Beira Mar, com toda sorte de comércio na calçada. Não é justo com a Cidade e com quem paga impostos para abrir e manter um comércio. Quem vende, no mais das vezes, está a serviço de alguém.

Carcereiro

O secretário da Administração Penitenciária Mauro Albuquerque (foto) almoçava na sexta-feira no restaurante Cantinho do Frango. Estava acompanhado de quatro pessoas. Pelo menos três agentes, fardados como ele. Na saída, posou para fotos com quem pediu. É um caso clássico de secretário que ganhou notoriedade usando o rigor como munição, não a autopromoção. No começo do ano, em pleno enfrentamento da crise de violência originada dos presídios, houve uma passeata de familiares de detentos pedindo sua cabeça. Era um bom indício.

Pires Ferreira com louvor

A pequenina Pires Ferreira, com pouco mais de 10 mil habitantes, ficou em primeiro lugar no Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece 2018). Obteve os maiores índices nas turmas de 2º e 9º Ano. Duas escolas, a EEF Francisco de Sousa Paiva e a EEF Maria Madalena Lira Passos foram premiadas com o primeiro e segundo lugar (respectivos) nos índices do Spaece 2018, recebendo o Prêmio de Escolas Nota 10. A prefeita Marfisa Aguiar (PDT) destaca o planejamento estratégico. Este tipo de resultado não vem mesmo com improviso.

JOGO RÁPIDO

Os históricos cálculos do salário mínimo ideal para o trabalhador brasileiro, feitos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), andavam meio sumidos do noticiário na Era petista. Esta semana, o Dieese anunciou quanto deveria ter sido em maio, R$ 4.259,90.

Jocélio leal